O censurável turismo sexual

Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Desgraçadamente para Salvador e outras capitais nordestinas, sob a denominação “turismo de lazer” esconde-se também o censurável turismo sexual. Esse é o tipo de turismo que ninguém quer. Turismo de baixa qualidade, por construir uma imagem negativa da cidade, atrair atividades ilícitas e estar relacionado a um grave problema: a exploração sexual de menores.

A capital baiana é apontada como uma das cidades onde este comércio mais cresce. O caráter turístico da cidade que recebe todos os anos milhões de turistas e o aumento da pobreza são as principais razões para este crescimento. “São dezenas de mulheres, adolescentes e crianças vendendo o corpo em troca de alguns dólares ou de uma passagem para outro país. Estas pessoas são presas fáceis para aliciadores, que todos os anos passam por terras baianas à procura de novos rostos para suas boates na Europa. Oferecem junto com o dinheiro do programa a ilusão de uma vida melhor no primeiro mundo, conseguidos através do trabalho ou da possibilidade de casamento com um “gringo”. Atrás do sonho de melhorar de vida, muitas delas deixam o Brasil e acabam sendo vítimas de um negócio cada vez mais lucrativo: o tráfico de seres humanos” – afirma a pesquisadora baiana Eliane Costa da Silva.

Com a revitalização do Centro Histórico de Salvador (1993) e a sua transformação em área turística e comercial, a prostituição em Salvador assumiu novos parâmetros. Aquela que era uma das áreas mais degradadas da cidade e que possuía a maior zona de meretrício, o Maciel, foi desapropriada e as prostitutas que antes atendiam e moravam lá precisaram encontrar novos locais de trabalho.

Os espaços preferenciais para o exercício da prostituição estão na região central: o bairro do Comércio, a Praça da Sé e o próprio Pelourinho restaurado, para onde essas mulheres e crianças se dirigem à tarde e à noite.

A mudança na forma de atuação não diminuiu a prostituição. Favoreceu, ao contrário, o exercício desta por mulheres que moram na periferia da cidade e durante à tarde e noite vão para o centro fazer a chamada “viração”. Esta modalidade é a preferida por ser mais discreta e praticada em locais onde qualquer pessoa pode ir como o Pelourinho, a Praça da Sé ou uma boate.

Segundo pesquisa realizada pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA-Bahia), o perfil da prostituta no Pelourinho globalizado é de que em sua maioria começaram a se prostituir ainda meninas, entre os 12 e 17 anos; essas meninas são majoritariamente negras, pobres e analfabetas. Quase todas são dependentes de algum tipo de droga e precisam se prostituir para alimentar o vício. Uma triste realidade que o turismo sexual alimenta.

A geografia da prostituição em Salvador permanece a mesma desde 1930, quando o grande meretrício foi instalado no Centro Histórico da cidade. As diferenças encontradas na atualidade são de local de residência das prostitutas, com um forte contingente oriundo de bairros periféricos (mobilidade espacial permitida pela razoável eficiência dos transportes coletivos) e pela internacionalização da clientela.

Instituições públicas especializadas e Organizações Não Governamentais de proteção a crianças e adolescentes realizam sistematicamente campanhas de esclarecimento e orientação a turistas em locais como aeroportos e hotéis, alertando que o abuso e a exploração sexual de menores é duramente criminalizada no Brasil, numa tentativa de coibir essa prática.

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Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]