Casa do Sertão promove mostra de xilogravuras

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Está aberto ao público, a partir de hoje, a 2ª Mostra de Xilogravuras do Museu Casa do Sertão, no campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). São 32 obras de Franklin Maxado, cordelista e xilógrafo feirense, considerado um dos mais importantes nomes da literatura popular nordestina.

Serão expostos cinco folhetos de cordel em uma caixinha, tendo como capa xilogravura do autor, com o título Natal dos Povos, apresentado pela poeta Lita Passos. As obras são: Receitas de Cachaça com Folhas de Dr. Sabitudinho, O Cordel do Cordel, Saci e o Bicho Folharaz no Reino da Bicharada, O Horóscopo das Bichas e o Coronel de Saia.

O cordelista feirense teve obra lançada recentemente pela Editora Hedra, de São Paulo, que publicou a antologia Cordel de Franklin Maxado. A coleção divulga os mestres nacionais da literatura cordel.

A mostra fica em cartaz, no Museu Casa do Sertão, até 20 de fevereiro de 2008, sempre de segunda a sexta, das 8 às 11h40 e das 14 às 17h40. Informações através do telefone (75) 3224-8099.

A xilogravura

A xilografia, que significa a arte de gravar um desenho artístico em madeira, passou a ser praticada no Brasil a partir da mudança da Família Real Portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808. Com o tempo, a xilografia foi difundida nas principais cidades brasileiras, sendo utilizada na produção de cartas de baralhos, ilustrações para anúncios, rótulos, livros e periódicos, dentre outros.

A partir do final do século 19, a xilografia se tornou extremamente popular no interior nordestino. “Sua história está intimamente ligada à literatura de cordel, a qual passou a ser uma espécie de síntese narrativa das lendas e mitos que recheiam esses folhetos encantando, ainda hoje, os sertanejos”, conforme relata Cristiana Ramos, diretora do Museu Casa do Sertão.

Os editores dos livretos decoravam as capas com xilogravuras para torná-las mais atraentes, chamando à atenção do público para a história narrada. Com isso, a demanda aumentou, atraindo a atenção dos leitores por novas histórias, “o que estimulou a formação de uma verdadeira plêiade de xilógrafos populares”, afirma Cristiana Ramos.

A beleza, a arte e a estética das xilogravuras quase foram sobrepujadas com o passar do tempo pela evolução dos meios de comunicação. Juntamente com a literatura de cordel, conta a diretora, “a xilografia começou a sofrer desigual concorrência devido às novas técnicas de impressão, de outros veículos de informação e entretenimento, por conseguinte, teve morte iminente anunciada diversas vezes”.

Para evitar a extinção de uma prática tão importante para a cultura popular, os xilógrafos valeram-se até de novas técnicas rivais, e desta forma têm conseguido mantê-la viva. Os artistas populares passaram a produzir gravuras não apenas com o fim utilitário de ilustração para cordel, mas também como peças autônomas destinadas a exposições e a colecionadores.

Atualmente, a xilogravura é um das principais formas de representação visual do imaginário popular nordestino. “Suas manifestações religiosas, seu trabalho e seu dia-a-dia são as fontes inspiradoras destes trabalhos, que resultam em verdadeiras obras-primas da arte sertaneja”, destaca Cristiana Ramos. Grandes artistas como Mestre Noza, Enéias Tavares, Marcelo Soares e Franklin Maxado souberam captar este cotidiano e transformá-lo em xilogravuras, “levando, assim, para diversos lugares do mundo um pouco dessa encantadora arte”.

Assessoria de Comunicação/Uefs

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

About the Author

Redação do Jornal Grande Bahia
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]