Vamos virar toupeiras e deixar toupeiras ao nosso redor? (parte 2) | Por Cleide Lima

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Numa destas grandes conversas frutíferas que temos com amigos, regada a “chope”, uma pérola é lançada por um deles: “as mulheres só são felizes quando houvem mentiras, é natural da mulher!”.

Para quem me conhece deve ter imaginado que eu rodei a boa, velha, e no meu caso discreta, “baiana”. Que usei todos os argumentos possíveis e imaginários para defender as mulheres, soltei mais algumas pérolas no calor da discussão e depois brindamos por não termos chegado a lugar algum…

Que nada, fiquei calada, paralisada! Foi então que um deles me cutucou e perguntou: “ Então, “ Tchuca”, vai ficar assim sem dizer nada? Cadê a Cleide que conhecemos?” E eu, parafraseando um grande humorista nacional disse: Morreu!

Silêncio profundo e eis que surge “um brinde ao silêncio da confirmação”! Foi então que me pronunciei: “Não queremos ouvir mentiras, nós apenas nos iludimos com aquilo que nos convém, se quisermos ouvir uma coisa e ela for dita, não será contestada… somos acima de tudo românticas!”.

Houve um “frisson” generalizado… Cleide romântica? Parei para lembrar quantas vezes eu, e muitas outras pessoas que conheço fechamos os olhos para o que não queremos ver. Não somos nós mulheres que somos românticas, o ser humano é repleto de desejos e pensamentos simples recheados de esperanças de que fossem como gostaríamos.

Quantas vezes nos deparamos sentindo raiva de nós mesmos por não termos visto o que estava claro como as luzes de neon. Seria um mecanismo de defesa do ser humano acreditar no que é dito ou na imagem mental que fazemos para não encarar a realidade e não sofrermos com ela?

O mundo assusta, a realidade da vida muitas vezes dura, magoa e cria feridas enormes na alma. Mudamos o comportamento automaticamente após decepções. Depois disso, é quase impossível alguém continuar exatamente como antes, ou cria uma postura de defesa com inúmeras formas de atitudes ou no mínimo fica alerta sobre qualquer situação que possa levar ao mesmo caminho doloroso.

Além desta perspectiva ainda existem outras, que nos questionamos constantemente. Como uma pessoa é a ultima a ficar sabendo de algo sobre seu filho, marido, esposa, amigo. O último, a saber, é sempre o romântico, é aquele que sente algo tão forte que prefere não reparar nos sinais para não correr riscos de descobrir algo que o faça sofrer. É colocar uma venda nos olhos por medo de que a luz o faça perder a visão.

Enfia a cabeça no buraco, fica “cega” como toupeira e continua cavando o que convêm. Será que vale a apena colocar óculos? Será que vale a pena cavoucar onde está a causa da cegueira? Será que preferimos mesmo ouvir mentiras pelas mentiras ou acreditamos nelas, por medo do que seria a verdade?

Hoje eu ando como uma toupeira, não mais cega, não mais atravessando muros, mas sim cavando buracos. Estou procurando onde estão os meus pontos de cegueira e porque esses pontos negros existem. Você tem a mesma coragem?

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Redação do Jornal Grande Bahia
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