Divaldo Pereira Franco, um apóstolo feirense

Juarez Duarte Bomfim.Juarez Duarte Bomfim.

Na Terra de Todos os Santos e Orixás, em Feira de Santana, Bahia, nasceu a 81 anos um “santo” baiano (as aspas aí são para apaziguar os mais ortodoxos), pois o Livro Sagrado afirma que santo é “aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente”

Assim falou o Divino Pai Eterno ao povo de Israel: “se atentamente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu pacto, sereis para mim reino sacerdotal e nação santa”. E continua: “porque eu sou o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu sou santo; porque eu sou o Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para ser o vosso Deus, sereis pois santos, porque eu sou santo.

O profeta Ezequiel completa: “santo é aquele que aprendeu a distinguir entre o santo e o profano, a discernir entre o impuro e o puro”. A condição para tornar-se santo é atender ao chamado para ser de Jesus Cristo, nos diz o apóstolo dos gentios. E os homens santos de Deus “falam inspirados pelo Espírito Santo”, nos ensina Pedro.

De volta ao início… na Terra de Todos os Santos nasceu Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, um verdadeiro apóstolo do espiritismo.

Juntamente com seu fiel amigo Nilson de Souza Pereira, Divaldo fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção e a Mansão do Caminho, que atendem a toda a comunidade do bairro de Pau da Lima, em Salvador, beneficiando milhares de doentes e necessitados.

Divaldo vive para a caridade e o seu currículo revela um exímio e devotado educador com mais de 600 filhos adotivos e mais de 200 netos, atendendo atualmente a cerca de 3.000 crianças, adolescentes e jovens de famílias de baixa renda, por dia, em regime de semi-internato e externato.

Certa noite, em uma Doutrinária, ouvi comovente história sobre um dos filhos adotivos de Divaldo. Era um jovem muito rebelde, agressivo e violento, que vivia “aprontando” e por isso despertava particular interesse no médium feirense. Nas conversas o jovem se abria com o pai, afirmava ter muito ódio e rancor no coração e vontade de tirar sangue e matar.

Divaldo pacientemente lhe aconselhava:

– Quando tiveres à beira de matar alguém, venha aqui a minha sala e mate a mim, que falhei na sua educação.

Ao atingir a maioridade, o jovem resolveu deixar a Mansão do Caminho, e foi se despedir do pai. Divaldo aproveitou para perguntar-lhe:

– Ainda tens ódio e rancor no coração?

– Tenho, meu pai.

– Tens vontade de matar seu semelhante?

– Sim, meu pai…

– Pois não esqueça, quando sentires esse desejo, venha a mim e me mate primeiro, pois eu falhei na sua educação.

Muitos anos se passaram, Divaldo estava em visita a uma cidade do sul do país, fazendo mais uma das 11 mil conferências até os dias de hoje quando, ao final, os anfitriões do Centro Espírita anunciaram que tinham um presente para Divaldo, doado por um dos seus inúmeros filhos da Mansão do Caminho. Era uma gravura de um artista plástico de relativa fama naquele estado.

Primeiro foi apresentado o quadro – um retrato do orador espírita – e depois o seu autor. O artista plástico era aquele mesmo filho adotivo de Divaldo Franco, um ex-rebelde e agora adulto estabelecido socialmente e profissionalmente, que o homenageava – em gratidão pela educação recebida.

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About the Author

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]