Não é modelo

Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Imaginem os preclaros leitores se de um certo jantar em restaurante de luxo paulistano, quando a cúpula tucana (FHC, Serra e Alckmin) ungiu um candidato para governar 185 milhões de habitantes da “democracia” brasileira, o calvo candidato à época saísse vitorioso… Quero dizer, imaginem prezados leitores se fosse dado mais quatro anos de mandato ao partido de Fernando Henrique Cardoso (e depois, mais quatro…) nos quadriênios 2003-2006 e 2007 a 2010… Como seria o país?

Bem, sobre hipotéticos cenários futuros que não ocorreram é suspeito se falar… mas de uma coisa podemos ter certeza: o Brasil estaria todo privatizado, algo parecido ao modelo chileno.

No Chile privatizou-se tudo, numa política de privatização tão agressiva que a expressão “serviço público” se tornou um oxímoro …Antes que algum desavisado leitor recorra ao auxílio do google, adianto que oxímoro significa uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos, por exemplo: “formiga gigante” – se é formiga, não é gigante, obviamente; ou, melhor exemplo ainda, “ilustre desconhecido”…

Naquele país por trás das Cordilheiras dos Andes podem existir serviços, claro. Porém, que sejam públicos (universalizados), nem pensar…

No auge do crime de lesa-pátria da gestão FHC onde o governo vendeu tudo ou quase tudo, também entrou na lista das privatizações as empresas de abastecimento de água. Tal projeto criminoso foi afortunadamente barrado, todavia o mesmo não aconteceu no Chile, e junto com a privatização da água ocorreu a privatização de mananciais, represas, lagos e lagoas, cujo acesso a tais locais, com o propósito de lazer, por exemplo, são vetados ao público (esse público, o povo, sobreviveu).

Lembro que numa visita organizada pela Pós-Graduação em Planejamento e Gestão Ambiental da Universidade do Chile, os participantes da excursão à Província de Paine (da qual somei, na condição de convidado), não tiveram acesso à borda da Lagoa de Aculeo, pois sequer havia uma área de uso comum.

Entretanto, o melhor exemplo rotineiro da agressiva política de privatização chilena não é este, e sim a cobrança de ingresso para acesso aos parques “públicos” de Santiago, onde se cobra a partir de 200 pesos chilenos para poder respirar um pouco de ar puro naquela poluída metrópole.

Fico a imaginar o meu adorável Parque Metropolitano de Pituaçu, aqui em Salvador, privatizado… Este Parque que tem o mérito de ser usufruído majoritariamente por famílias de baixa renda, sem condições de pagar pelo lazer, que alegremente enchem o Parque e utilizam entusiasticamente os seus equipamentos nos fins de semana… Fico a imaginar esses proletários baianos contando moedas e células de um real para ingressarem naquele templo da natureza… Uma grande parcela destes barrados na entrada por não dispor de míseros centavos…

Acordo do pesadelo e lembro que os calvos políticos tucanos são ruins de voto, pois sequer o segundo turno das eleições paulistanas o Alckmin alcançou. Ufa! Que alívio!

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About the Author

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]