Feira de Santana: exposição de fotografias retrata cotidiano dos séculos 19 e 20

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

“Olha o passarinho! – Imagens de Infância” é o tema da exposição fotográfica que Luiz Cleber Moraes Freire, artista e servidor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), aberta ao público até 28 de novembro de 2008, no Museu Casa do Sertão, localizado no campus universitário.

Trata-se de flagrantes do lúdico infantil em municípios do sertão baiano como Feira de Santana, Tanquinho, Juazeiro e Paratinga, produzidas entre fins do século 19 até os anos 40 do século 20.

Na exposição são retratadas cenas de infância, nas quais se vêem crianças, em sua maioria, como pequenos adultos. “Portavam-se com educação e respeito perante os mais velhos, partilhando com a família, a escola e a igreja momentos necessários à preparação para a vida”, salienta Luiz Cleber.

A escolha da pose, da indumentária, do olhar, dos objetos e dos acompanhantes fazia parte da mise-in-scéne do retrato oitocentista, da qual nem as crianças estavam livres.

“Eram enfeitadas, engalanadas para fazerem boa figura e, além disso, aprisionadas em cadeiras ou nos braços da mãe ou da avó”. Por aproximadamente um minuto, no mínimo, o tempo necessário para a fixação da luz na superfície da chapa de vidro “não podiam fazer sequer um movimento, caso contrário, a foto sairia tremida e todo o trabalho teria sido em vão”, relata o artista.

Os retratos eram geralmente tirados em dois tamanhos, um menor, o carte-de-visite, e o outro, um pouco maior, o cabinet size. Ambos serviam para serem trocados, como forma de demonstrar estima e consideração, entre os membros e amigos da família.

Depois eram acondicionados em álbuns enfeitados que ocupavam as mesas das salas de visitas, tanto das casas de fazendas, quanto dos sobrados avarandados das cidades.

“Outra característica presente nestas fotografias são crianças retratadas usando fardas militares. Partindo do princípio de que neste período os meninos deveriam seguir o ideal de virilidade e força e desde a infância, eram ‘treinados’ para exercerem, como pequenos adultos, o seu papel na sociedade de pai e principal provedor da família”, explica Cristiana de Oliveira Ramos, historiadora e diretora do Museu Casa do Sertão.

Com as meninas não era diferente. “Algumas muito jovens eram retratadas vestidas como noivas, predestinando o papel a ser desempenhado na fase adulta de mulher e mãe, ressaltando as características de sensibilidade e recato”.

Como objeto de lembrança e consumo, a fotografia informa sobre os signos que forneciam especificidades às diferentes idades da vida – da infância à adolescência, salienta Cristiana Oliveira.

Apesar da mise-in-scéne limitar o movimento e impor disciplina de muda observação, “tudo aquilo que compõe o quadro fotográfico é de uma eloqüência ímpar, trazendo à tona trajes, penteados, poses, objetos, paisagens relacionados a uma imagem adequada de infância que se desejava ideal”, enfatiza.

A exposição fica em cartaz até o dia 28 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h45 e das 14h às 17h45 h. Visitas de grupos com número superior a dez pessoas devem ser agendadas pelo telefone (75)3224-8029.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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