ACM Neto admite acordo com petistas em Salvador

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

SALVADOR: Vale tudo na disputa pela prefeitura da capital baiana. Até mesmo uma aliança entre o carlismo e o petismo. O candidato do DEM, o deputado ACM Neto, surpreendeu ao admitir ontem que tentará um acordo com o PT para um eventual segundo turno. Um cenário que era até hoje mantido fora de cogitação na política da Bahia. O argumento encontrado pelo líder da oposição na Câmara dos Deputados para quebrar a tradição é o de que não pretende nacionalizar a eleição na cidade.

Ao ser perguntado sobre a possibilidade de um acordo com o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele não só se mostrou disposto a isso, como também avisou que procurará outros partidos que hoje são adversários em Salvador. “Vou dialogar com todos que assumam o compromisso de firmar uma aliança com o povo. Estou disposto também a dialogar com o PSDB e com o PMDB. Isso sem nacionalizar a eleição”, afirmou.

O humilde discurso de ACM Neto tem um motivo claro: sua campanha considera uma catástrofe a possibilidade de não ir ao segundo turno. O risco passou a ser considerado depois que a pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira o colocou fora da liderança pela primeira vez desde julho. O prefeito João Henrique (PMDB) obteve o primeiro lugar com 25%, seguido de ACM Neto, com 24%, e do petista Walter Pinheiro, com 22%. Antonio Imbassahy (PSDB) surgiu com 14%.

A votação do próximo domingo é um teste de sobrevivência para o carlismo, grupo criado pelo ex-governador do estado Antonio Carlos Magalhães, morto em julho do ano passado. Ir ao segundo turno é questão de honra para seu neto, nem que seja preciso adotar um discurso de conciliação com o próprio PT e até mesmo com o PSDB, que, por meio de Imbassahy, tem disparado ataques rotineiros a ACM Neto. Durante a campanha, o deputado chegou a pedir desculpas pela ameaça feita em 2005 de dar uma surra no presidente Lula.

Não será fácil para o candidato do DEM concretizar um acordo com algum desses partidos. Os comandos das respectivas legendas já negociam uma aliança para isolar o deputado num possível segundo turno. Ao acenar para essas legendas, ACM Neto tenta, ao menos, ganhar espaço na guerra declarada entre petistas e peemedebistas na cidade. Ontem, os dois partidos voltaram a trocar acusações pela televisão. O PMDB afirmou que tem o apoio do presidente Lula. O PT chamou a campanha de João Henrique de “mentirosa”. “A campanha de João Henrique presta um desserviço ao país”, disse ontem ao Correio Edson Miranda, um dos coordenadores de campanha de Walter Pinheiro.

Esse clima bélico entre PT e PMDB só tem um objetivo: um eliminar o outro na votação de domingo para enfrentar ACM Neto no segundo turno. Não interessa a PMDB e PT uma disputa entre João Henrique e Walter Pinheiro. Motivo? Se isso ocorrer, nenhum dos dois terá Lula no palanque porque são de partidos da base de apoio do governo. Neste caso, Lula já avisou que não vai se intrometer.

“A gente não escolhe adversário, mas é claro que será mais fácil enfrentar o ACM Neto por causa da presença do Lula”, admitiu à reportagem o presidente do PMDB baiano, Lúcio Vieira Lima, irmão do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. E as desavenças com o PT? “Não somos inimigos, somos adversários.” O discurso de Lúcio foi compartilhado pelo comando da campanha do PT. “O processo eleitoral municipal é diferenciado. Por mais que se tenha pragmatismo, é preciso ter uma dimensão da política para não transformá-la em guerra”, disse Miranda.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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