A morte de Thiago Matos

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

“Gostaria de poder lhe ajudar, mas não posso fazer nada!” A frase dita a uma mãe que velava o corpo do seu filho assassinado a tiros nas primeiras horas da madrugada desta sexta (03/10/2008), revela a real sensação de impotência diante da violência que nos assola.

Thiago Matos, o Thiagão para muitos, era um menino bom, amigo de todos, inclusive dos meus filhos, e que aprendi a gostar pelo seu jeito alegre e carinhoso que me tratava sempre que nos víamos.

Infelizmente, hoje foi a última vez que o vi. O vi sem vida. Alguém a tirou covardemente. Ao lado daquele corpo marcado pela violência, pessoas atônitas, pais desolados, seu irmão que o olhava como se ainda não acreditasse, a namorada que chorava sem parar, além dos muitos amigos e colegas de faculdade, todos inconsoláveis. No meu cantinho, a frase dita à sua mãe ainda ecoava no meu cérebro.“Gostaria de poder lhe ajudar, mas não posso fazer nada!”

Com sua vida interrompida aos 24 anos de idade pela violência urbana, fiquei me questionando: Será que não podemos mesmo fazer nada? Como ajudar? De que forma podemos contribuir? A vontade que tive no momento que vi o pai carregando o caixão do seu filho foi ter coragem suficiente de poder protestar ali mesmo, convocar a todos aos gritos para dar início a uma batalha difícil, mas não impossível na tentativa de diminuir a violência. Mas me faltou coragem. A minha vontade e a coragem não estavam em sintonia.

O que fazer diante deste quadro de insegurança e pânico, denunciado diariamente pelos jornais e alardeado pela mídia? O que fazer então para ajudar? Cheguei à conclusão de que todos podemos fazer algo. Cada um ao seu modo. Se não tive coragem de protestar ali, então resolvi escrever. Tentar disseminar a idéia do protesto. Pedir para aquelas pessoas que ali estavam ou não, que protestem, cada uma a sua maneira.

Se for ator, represente em palco, leve a mensagem ao seu público; Se for estudante, dialogue, discuta em sala de aula, escreva artigos sobre; Se político crie e aplique propostas de governo que funcionem em relação a segurança pública; Se for advogado, médico, dentista, converse com seus clientes / pacientes; Se professores, organizem palestras, seminários, sei lá o quê gente, mas FAÇAMOS ALGO!!!

Lembro-me bem que nos causava pavor ler uma manchete no jornal falando sobre mortes violentas. Hoje estas manchetes são rotineiras e viraram uma espécie de estatística. As mortes já são anunciadas em números. “Oito assassinatos neste final de semana em Feira”, e os números já são lidos e vistos com certa naturalidade e neutralidade por nós. Quando são lidos. Quantos Thiagos precisarão ainda interromper sua vida tão cedo para que tomemos alguma atitude? Quantos pais ainda enterrarão seus filhos?

VAMOS LÁ…PROTESTEM CONTRA A VIOLÊNCIA, E POR FAVOR, SEM VIOLÊNCIA!!!!

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