A crise financeira e Lula | Por Carlos Lima

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Quando Lula foi eleito em 2002, mesmo não acreditando na sua capacidade para governar o país, desejei que realizasse um governo integro, auspicioso, superasse suas limitações e cumprisse com as bandeiras que defendeu durante a campanha e as propostas defendidas pelo PT. Afinal, a vitória de Lula era um retrato da qualidade da democracia brasileira.

Entretanto, considerei inescapável constatar que, nos quatro anos iniciais do governo Lula, ele se manteve fiel as suas propostas econômicas. Inclusive fez ouvido de mercador aos ideólogos do PT e cumpriu o acordo com a sociedade. O efeito positivo dessa atitude mantém, hoje, o Brasil robustecido economicamente para enfrentar essa crise financeira que teve início nos Estados Unidos e se espalhou pela Europa e Asia, com repercussões em nível mundial.

Depois de quatro anos de mandato, Lula é reeleito com 60 milhões de votos. Não compartilhei dessa idéia, mas depois do resultado das urnas voltei a desejar uma administração bem-sucedida, porque os benefícios serão de todos os brasileiros e do próprio país. Nesse segundo mandato Lula tem confirmado os seus principais objetivos, que são: o permanente controle da inflação e a manutenção dos pilares essenciais ao funcionamento livre dos mercados. Depois de eleito Lula revelou uma agenda ainda mais avançada, se comprometendo abaixar impostos e diminuir os entraves burocráticos que inviabilizam o empreendedorismo e martirizam a atividade formal em nosso país.

A crise financeira chegou com ameaça de recessão nos Estados Unidos, provocando quedas históricas nas principais bolsas de valores em todos os continentes. Mesmo com o aceno de Lula para uma maior abertura da economia, a crise financeira o obriga a se conter, aumentar juros e frear o consumo. Nesses dois anos do segundo mandato pode-se afirmar que sua gestão fortaleceu financeiramente o país. Não sai incólume dessa crise, mas não fica de joelhos.

Mesmo não perdoando a impunidade dos seus partidários por desvios cometidos no primeiro mandato e respingos nesse segundo mandato, relembro a Lula a sua promessa de respeito à vigilância dos cofres públicos, que, no primeiro mandato, serviram em parte de pasto aos famigerados companheiros.

Como você afirmou presidente, de que foram erros e que eles não se repetirão, espero que torne realidade sua afirmativa. Estaríamos bem melhor se aqueles erros não tivessem sidos cometidos ou os culpados punidos e o dinheiro recuperado.

A FOME DE PODER ATROPELA O IDEOLÓGICO

A estratégia eleitoral dos Partidos considerados socialista, como toda forma de conhecimento humano, se desenvolve na extensão e na complexidade de um processo real, vivido pelas suas próprias comunidades conforme os aspectos de cada localidade de atuação de sua militância.

A formação ideológica não se esgota, ela sofre desvio de comportamento conforme a formação política de cada militância. O ético-ideológico poderia sucumbir se houvesse reivindicação de um dogma.

O que mais aconselho nos tempos atuais, onde a ideologia comunista vive momentos de profunda crise institucional, é muita prudência, senso crítico, consciência política e reflexão estratégica. A busca partidária pelo poder tem desprezado a formação política ideológica dos seus quadros. Um exemplo simples vem do PC do B no município de Ubatã. Para chegar ao poder aliou-se ao capitalismo selvagem que é praticado no município por um empresário que detém o domínio de 60% dos bens produtivos do município e, praticamente, escraviza seus funcionários. É o todo poderoso, o manda-chuva, o cacique da cidade.

Os verdadeiros militantes do PC do B, tiveram que assumir ou assumiram espontaneamente uma campanha eleitoral cheia de corrupção, ameaças, compra de votos e de ações antes combatidas veementemente pela formação política ideológica do partido. Esse comportamento dos partidos de esquerda no Brasil, gera a seguinte pergunta: O que dizer do marxismo brasileiro, cuja tradição se confunde com a renúncia à teoria e particularmente às suas ações e reflexões estratégicas nas campanhas eleitorais?

Devo considerar que o mistério da vida é sem dúvida um desafio intrigante para a razão, mas não é, e nunca será um limite para a verdade. É, esse comportamento que abro para discussão. A teoria está sempre sendo subjugada por uma prática individualista e carreirista. É imprescindível formar consciência de que a teoria em si torna-se também uma força material quando se apodera das massas. Condição inexistente nos dirigentes e intelectuais, formadores de opinião, dos partidos de esquerda em nosso país.

Quem sabe isso não seja um dilema ôntico da paixão existente no ser humano.

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