Waldir e a democracia | Por Emiliano José

Emiliano José recebe apoio da Fenaj e do Sinjorba.Emiliano José recebe apoio da Fenaj e do Sinjorba.

Waldir, inegavelmente, é um personagem grandioso de nossa história – da Bahia e do Brasil. E é até hoje um incansável defensor da liberdade e da justiça social. A deputada Marizete Pereira, que propôs o título, conhece Waldir desde os tempos difíceis da ditadura, e sabe o quanto ele preza a liberdade e o quanto defende os mais fracos.

Quem teve a chance de assistir à cerimônia, teve a rara oportunidade de presenciar a simbiose do político com o professor, do homem da ação política com o intelectual. O discurso de Waldir foi um primor. Uma aula.

Conseguiu reunir, em sua fala primorosa, aquilo que Gramsci denominava o pessimismo da inteligência com o otimismo da vontade. Dito de outra forma, conseguiu evidenciar as imensas dificuldades da democracia e da política no mundo contemporâneo e simultaneamente resgatar a importância de uma e de outra.

O mundo mudou. Somos hoje habitantes de uma só aldeia, que não foi capaz de organizar a convivência institucional e humana de todas as nações de forma respeitosa e equânime. A ONU, indispensável, se apequenou. A revolução científica e tecnológica não está submetida às normas éticas da convivência pacífica. As nações poderosas não respeitam os compromissos relativos à redução de estoques e destruição dos arsenais nucleares. Esse o retrato em branco e preto do mundo de hoje, feito por Waldir, quase que à guisa de introdução.

A saída é o Estado democrático, despojado de certezas absolutas e intolerantes, armado do amor às liberdades e à solidariedade social, capaz de praticar o reformismo transformador. Só a democracia será a revolução – e aqui se expõe um pensamento básico de Waldir, desenvolvido desde a juventude. O autoritarismo, venha de onde vier, não pode ser revolução. E esse Estado democrático, para se firmar, depende de um casamento corajoso com a ética. A ética é indivisível – ela não se parte e reparte ao sabor das conveniências ou das circunstâncias.

Waldir fala como historiador. A democracia na Ágora ateniense era marcada pela exclusão dos escravos. Em Roma, pela presença privativa de patrícios, ausentes os escravos e os pobres. Na Europa do Bill of Rights, da Revolução Francesa, a democracia renasce convivendo com relações escravocratas, com o colonialismo. E ele recorre a Lincoln para encontrar a definição de democracia: governo do povo, pelo povo e para o povo.

E Waldir, agora ele mesmo, encontra outras palavras para definir democracia – ela é liberdade, a inclusão social, com o desenvolvimento humano e o amor ao planeta. É cidadania. Permitam-me os leitores: Viva Waldir!

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