O sertão vai virar mar | Por Emiliano José

Emiliano José, jornalista, escritor e doutro em Comunicação e Cultura Contemporâneas e professor da Universidade Federal da Bahia (professor aposentado da UFBA).Emiliano José, jornalista, escritor e doutro em Comunicação e Cultura Contemporâneas e professor da Universidade Federal da Bahia (professor aposentado da UFBA).

No dia 3 de setembro de 2008, no Centro de Convenções, mais de mil pessoas, vindas dos mais variados cantos da Bahia, celebraram o fato de mais de 1 milhão de baianos passarem a ser contemplados com água. É surpreendente isso, não é verdade?

Surpreendente não que o governo da Bahia tenha conseguido, em parceria com organizações comunitárias e não-governamentais, levar água a esse enorme contingente. O que impressiona é como a questão da água – e estamos falando, por enquanto, da água para exclusivo consumo humano – era praticamente ignorada. Esse governo teve a capacidade de se indignar com isso e pôs mãos à obra, ciente de suas responsabilidades com a vida. Porque é isso: água traz a vida, no mais amplo sentido. Água se opõe à morte.

Quem anda pela Bahia, pelo sertão, pelo nosso imenso semi-árido, sabe do que estou falando. Andei esses dias. Vi o milagre de militantes da Igreja Católica em Aracatu, no Sudoeste, terem construído 1200 cisternas em um ano, praticamente universalizando a água no município. Quando há disposição política do governo, a população se envolve, se entusiasma, vai à luta. E garante a consecução das políticas públicas, como nesse caso. Por toda a Bahia é um entusiasmo só diante da política de fazer chegar água para todos.

As mais de mil pessoas que estavam no Centro de Convenções comemoravam não apenas as cisternas – mais de 15 mil em um ano. Celebraram também a construção de poços, barragens, sistemas de abastecimento de água, de esgotamento sanitário, melhorias sanitárias domiciliares, ligações de esgoto. Há uma política integrada, uma ação que melhora as condições de vida dos que moram no campo, em particular no semi-árido. As condições de saúde da população passam a ser outras. A indústria da seca, com seu inevitável acompanhante, o carro-pipa, vai sendo derrotada.

Wagner, como a maioria de nós, leu Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Fabiano, Sinha Vitória, a cadela Baleia, as crianças seguindo para o Sul. A paisagem tórrida, a miragem do Sul. Já ouviu Triste Partida ou Asa Branca. Já embebedou-se de Luiz Gonzaga ou de Patativa do Assaré. E sobretudo andou pelo sertão com nossa gente.

Tudo isso alicerça essa política. Não há a inevitabilidade do sofrimento. O abandono do nosso povo era da política. Agora, a política redescobre que se trata de governar olhando principalmente para que os mais necessitam. Para os que têm fome e sede de justiça. Nós temos que celebrar isso. Celebrar esse processo de mudança de cultura política. Para que ele continue, todos nós temos que assumir nossas responsabilidades como cidadãos e cidadãs.

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