Conexão Rio- Nilton Mattos, o maquiador das estrelas! | Por Christina Thedim

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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Tudo começou no antigo Egito, no tempo dos faraós, que se distinguiam socialmente por suas perucas coloridas e consideravam a maquiagem dos olhos fundamental para que não se olhasse diretamente nos olhos do deus Rá, o deus Sol. O tom esverdeado que protegia as pálpebras dos nobres era efeito de metais pesados e imagino que, com o passar dos anos, deviam causar imensos malefícios a saúde destes, pois era absorvido pela pele, entrando na circulação sanguínea, intoxicando e adoecendo essa distinta e pretensiosa classe. O ideal de beleza egípcio da “mulher de pele clara” e “homem de pele escura” foi muito bem representado e cultuado por Cleópatra que banhava- se em leite de jumenta, cobrindo as faces com argila e maquiando os olhos com pó de khol. Carismática e poderosa foi exemplo para milhares de mulheres da sua época. Seu tratamento de clareamento, “a La Michael Jackson”, era complementado maquilando as veias dos seios e da testa com tintura azul, uma mistura de giz, pasta de vinagre e clara de ovos (hoje, uma referência alimentícia na reposição do colágeno da pele).

A vaidade feminina é tão antiga como a lenda que conta que Psiquê foi ao inferno para buscar o segredo da pele alva de Vênus, a deusa do amor! Parece que a pele macia e clara como o Lótus amarelo, como descreve o Kama Sutra, era extremamente valorizada entre os povos da antiguidade. No Japão do século IX ao XII, elas aplicavam um pó argiloso de farinha de arroz, chamado oshiroi. Passaram a usar também o beni, uma pasta feita de extrato de açafrão para colorir as maçãs do rosto, que teria sido uma das versões primárias do famoso blush. O primeiro creme facial foi criado no ano 150AC por Galeano, numa composição que incorporava água a cera de abelha e ao óleo de oliva.

E assim foi até que a igreja e seus líderes começaram a associar os artifícios coloridos a magia e a bruxaria, desobrigando de suas responsabilidades os maridos que houvessem casado com uma “máscara falsa!”. “Todas as mulheres que, a partir deste ato, tirarem vantagem, seduzirem ou atrairem ao matrimônio qualquer súdito de Sua Majestade por meio de perfumes, pinturas, cosméticos, loções, dentes artificiais, cabelo falso, lã de Espanha, espartilhos de ferro, armação para saias, sapatos altos ou anquilhas ficam sujeitas à penalidade da lei que agora entra em vigor contra a bruxaria e contravenções semelhantes, e que o casamento, se condenadas, seja anulado!”

Porém, apesar da rigidez dos costumes o ato de pintar os lábios tornou-se moda a partir dos século XVII, quando as pomadas coloridas, mais seguras e acessíveis, tornaram-se uma verdadeira febre. Ainda no século XVI a higiene foi considerada um “mal a saúde”, o que aumentou o uso dos cosméticos e dos perfumes. Nos 100 anos que se seguiram Paris firmou-se no cenário da moda, popularizando e atualizando ainda mais essa arte fantástica! A cada ano, uma nova coleção traz uma nova moda e a maquiagem acompanha esse embalo contando com recursos cada vez mais sofisticados que literalmente “fazem a cabeça” das eternas divas e feiticeiras do sexo feminino de todas as raças e etnias, sem preconceito quando o assunto é vender. Se bem que, falando em século XXI, podemos afirmar que tanto as mulheres como alguns homens usam e abusam de seus recursos encantadores. É o poder contemporâneo da androgenia e da bissexualidade.

E também é nesse século fantástico, onde tudo é possível e passível de acontecer, que vamos encontrar essa figura fantástica, que conheço há muitos anos, meu querido amigo e companheiro de vários musicais, e que agora empresta seu talento e dedicação a fazer a cabeça da mulherada, deixando-as mais provocantes e sedutoras que nunca, depois de uma mega maquiagem e um bom trato nos cabelos.

Nascido em Niterói, no dia 19 de junho de 1965, sob o versátil e agitado signo de gêmeos, Nilton Mattos conta que desde pequeno ficava fascinado com a beleza das mulheres nas revistas, sem ter o conhecimento de que esse efeito especial vinha das mãos de um profissional especialmente contratado para realizar essa parte da produção. Passamos uma tarde agradável e ele me contou que antes de iniciar sua transformação concebe uma imagem da persona que a cliente gostaria de se tornar, uma consequência direta e evidente da sua “cabeça de ator”, sonhadora e capaz de criar um mundo só seu, onde o irreal e o imaginário convivem e se manifestam em plena liberdade e harmonia visual. Mesmo que elas já tragam nas mãos o seu próprio ideal de composição facial ele se encarrega de colocar a sua marca registrada, seu estilo no trabalho que “para ficar bem feito tem que ter alma”.

Mas, para se tornar o maquiador das estrelas e unir seu brilho ao delas, percorreu uma longa e perspicaz trajetória. Muito tímido e reservado, foi por volta dos 18 anos que teve sua primeira experiência no palco, onde participou numa montagem em que, depois bastante elogiado por sua atuação pelo diretor, morria no final. Começou, a convite de um amigo, a fazer animações de festa infantil até surgir uma oportunidade de participar do espetáculo “Tá boa, santa!” no teatro Leopoldo Fróes, em sua cidade natal. De lá prá cá foram uma sucessão de peças e musicais que o situaram de uma vez por todas no mundo mágico da arte de representar. No palco pode soltar sua originalidade e criatividade latentes. Já foi um lobo mau medroso, pintou a pele de negro para viver Al Johnson ,fez a platéia gargalhar interpretando um motorista de ônibus irreverente, encantou a todos fazendo o Magro ( Do musical “O Gordo e o Magro”, no qual também eu participava no papel de uma perua muito louca)e muitos outros tipos onde usava e abusava de seus dons teatrais. Fizemos três musicais juntos, sob a direção de Paulo Afonso de Lima e sempre que me recordo dos inúmeros momentos que dividimos o palco e suas imediações, tenho imensa saudade e com toda certeza, quando for a hora de subir novamente num tablado, como atriz e produtora, será um prazer e uma grande honra ter a meu lado esse ator brilhante e essa pessoa maravilhosa que é o Niltinho mais que querido Mattos. No cinema diversificou na dublagem aprendendo um outro ritmo de ser o outro. Na televisão já participou dos Trapalhões na Rede Globo e novelas, inclusive na antiga Manchete, hoje Rede TV. O último espetáculo que realizou como ator foi “A gaiola das loucas”, onde contracenava com o lendário Jorge Dória. Mas foi na cidade de São Paulo, que fazia parte do roteiro de apresentações pelo Brasil, que uma distensão do nervo ciático o tirou dos palcos e o fez amargar alguns meses de tratamento e de muita paciência. Seu gênio e talento criativo, porém, não conseguia se manter em estado de repouso, e assim surgiu a oportunidade de exercitar a arte da maquiagem. A partir daquele momento entrava em stand by o ator para dar lugar ao homem que iria literalmente fazer a cabeça das mulheres, famosas como Regiane Alves e nem tão famosas assim, todas querem ser tocadas por suas mãos mágicas e transformadas em princesas dos sonhos de todos os príncipes! Como me contou enquanto conversávamos, pretende sim voltar a atuar, sentimento esse por mim compactuado. Voltar a colocar nossos préstimos para o grande público é um sonho que, se possível, iremos realizar juntos.

Como ele mesmo se define no seu perfil do Orkut : SOU O…
“O vento que sopra! Quando o vento vai meu ser vai, quando vem meu ser também vem, flutuo no vento, no bem estar do vento, na poesia do vento, que me leva de peito de mente e coração aberto a imensidão e a grandeza da natureza, ao perfume das flores do mar, dos rios, da GRANDE ARQUITETURA DE DEUS”.
Nilton Mattos
Telefone de contato: (021) 9602-2033
e-mail: [email protected]

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