Painel da Estação Rodoviária de Feira de Santana | Por Alberto Peixoto

O painel de azulejos do artista paranaense radicado na Bahia, Lenio Braga (1931-1973), instalado no terminal rodoviário de Feira de Santana.O painel de azulejos do artista paranaense radicado na Bahia, Lenio Braga (1931-1973), instalado no terminal rodoviário de Feira de Santana.


O painel de azulejos do artista paranaense radicado na Bahia, Lenio Braga (1931-1973), instalado no terminal rodoviário de Feira de Santana.

O painel de azulejos do artista paranaense radicado na Bahia, Lenio Braga (1931-1973), instalado no terminal rodoviário de Feira de Santana.

Uma grandiosa obra de arte criada por Lênio Braga, com participação do alemão Horst Udo Knoff, em meados da década de 1960, homenageando o sertanejo e “as coisas do sertão”.

Foi motivo de muita alegria constatar que o Painel da Estação Rodoviária de Feira de Santana – aquele feito em xilogravura, na entrada dos banheiros – onde encontramos em seus diversos desenhos – obra toda em azulejos – o folclore da região e de diversas localidades do país, está preservado de forma fantástica sem nenhum dano, apesar de ter sido criado há mais de 40 anos.

Uma grandiosa obra de arte criada por Lênio Braga, com participação do alemão Horst Udo Knoff, em meados da década de 60, homenageando o sertanejo e “as coisas do sertão”. Esta belíssima criação artística relata fatos e fábulas muito conhecidas como a da Mula sem Cabeça, o debate de Lampião com São Pedro, a chegada de Lampião no inferno, e outras histórias desconhecidas – pelo menos para mim – como a história da Índia Necy; o Príncipe do Reino do Barro Branco e a Princesa do vai não torna.

Uma das histórias que mais me chama atenção, neste painel, é a do “Bicho que Está Aparecendo em Feira de Santana”. Refere-se à conhecida história do Bicho do Tomba, lenda que de certa forma eu ajudei a construir com todos os pré-adolescentes do meu bairro, que saiam em busca do referido “monstro”, mesmo estando todos nós tremendo de medo dos pés a cabeça. Foi muito engraçado!

Neste painel todo seguimento relacionado com os diversos meios de transportes, principalmente os rodoviários, são homenageados. Encontramos diversas frases copiadas dos pára-choques e lameiras de caminhões como, por exemplo: “debaixo do sol, tudo é vaidade”. Encontramos também versos engraçadíssimos, possivelmente feitos por repentistas da região, como estes:

“A cachaça é filha única
Da desgraça e satanás
É neta de Lúcifer
Bisneta de Ferrabrás
Sobrinha do cão cotó e
Esposa de Caifás” – Autor desconhecido.

Registro aqui os meus parabéns à administração da Estação Rodoviária de Feira de Santana, que manteve esta preciosa Obra de Arte intacta, durante tantos anos. Seria bom que este exemplo fosse seguido por todos que labutam com a Arte e a Cultura em nossa cidade e, por que não, neste país.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

About the Author

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.