Brasil, País do Contra-Senso | Por Alberto Peixoto

Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.
Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.

Fiquei estarrecido ao ver, em uma propaganda política na TV, o deputado “cassado”, Roberto Jefferson, cobrar dos Gestores Públicos, honestidade, seriedade e criticar os descasos sociais que reinam neste país. É possível que o senhor Jefferson – logo ele, o pai do mensalão – tenha a cara de pau de cobrar alguma coisa à alguém, principalmente seriedade e honestidade? Não é possível que ele acredite que já esquecemos o seu envolvimento no “escandaloso” esquema de propinas, desvios de verbas, e todo tipo de embustes. Será que ele pensa, mesmo tendo o povo brasileiro memória curta, que a sua propaganda eleitoreira, vai apagar da nossa lembrança as suas falcatruas?

Para não fugir da rotina de acontecimentos vergonhosos, outro fato inusitado – para não dizer esquisito – a Operação Satiagraha, desempenhada pela Polícia Federal, culminou na prisão de 17 pessoas. Sendo elas: Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta, Verônica Dantas, Daniele Silvergleide, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dório Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Mello Coutrim, Maria do Carmo Jannini, Antonio Moreira Dias Filho, Roberto Sande Caldeiras Bastos, Carmine Henrique, Carmine Henrique Filho, Hugo Chicaroni.

A esquisitice deste fato consiste nos comentários feitos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal – STF – Gilmar Mendes, criticando os métodos usados pela P.F., taxando de arbitraria a ação desenvolvida pelos policiais e de que houve uma “espetacularização das prisões”, achando abusivo o uso das algemas, ferindo, desta forma, o estado de direito.

Em novembro de 2005, a empregada domestica Angélica Aparecida, naquele momento sem emprego, com dezoito anos, mãe de uma criança com dois anos de idade, morando com sua mãe doente, ao acompanhar uma amiga em um supermercado, escondeu debaixo de um boné um pote de margarina, após ouvir seu filho chorar com fome. Mesmo sem ter antecedentes criminais, foi presa e posta em companhia de outras prisioneiras acusadas de crimes hediondos, tendo seu pedido de liberdade negado pela “justiça” de São Paulo. Dito isso fica a pergunta “por que este mesmo rigor não pode ocorrer, quando o delito praticado é designado como crime do colarinho branco? E o estado de direito, neste caso da doméstica, como ficou”?

Fazendo um paralelo entre os dois assuntos – Jéferson e Dantas – concluímos que a ética no Brasil já foi pro brejo, faz tempo, e que, neste país, as leis, como costumam dizer, só foram criadas para a turma do PPP – Pretos, Pobres e Putas.

*Alberto Peixoto, escritor.

Alberto Peixoto
Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.