A Violência e a TV Brasileira

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O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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É um fato normal assistirmos na TV, ou em qualquer outro veículo de comunicação, noticias sobre a violência que assola o país. É a bala perdida, o seqüestro relâmpago, homicídios, latrocínios, pai matando filha, etc. A violência está, na maioria das vezes, se originando no seio da família. Os últimos acontecimentos nos mostram que esta realidade está, cada vez mais, tendo inicio nas desavenças conjugais, nos conflitos entre pais e filhos, principalmente os adolescentes, comportamento que quebra a liberdade e os direitos fundamentais inerentes à dignidade da pessoa humana.

Não há dúvida que a TV também exerce uma influência marcante na vida das pessoas. Tudo que passa na “telinha” no outro dia vira moda. Os desenhos animados, filmes, novelas e quase toda programação, está recheada de cenas de violência, sexo, ou de situações que induzem o telespectador a ter, no mínimo, um comportamento inadequado. Pesquisa recente nos mostra que 90% dos programas importados estimulam a violência. Esse estímulo vai atingir em cheio os adolescentes na fase de formação do seu caráter. A violência é a tônica dos canais de TV e não há opção de escolha para o telespectador. Essa mesma pesquisa informa que durante 200 horas de programação, revelou os seguintes dados: 30 mortes cruéis, 1.018 lutas, 3.592 acidentes, 32 roubos, 616 cenas de uso indevido de armas, 57 seqüestros, 819 desafios, 410 trapaças, 896 casos de chantagem e 321 aparições de monstros e animais ferozes. Diante do resultado dessa pesquisa pouca coisa de útil sobra na programação da TV brasileira.

Já que não existe a censura oficial, façamos a nossa. Sempre que a programação fugir aos padrões definidos pela ética, mudemos de canal ou, mesmo, desliguemos a TV. Não queremos voltar a época do regime militar – décadas de 60 e 70 – onde um forte esquema de censura ou, de censores, estava armado parta coibir o que não fosse do interesse do governo, sob a desculpa de filtrar as impurezas dos veículos de comunicação. Cuidados precisam ser tomados porque hoje, sem nenhum filtro, alguns diretores, apresentadores e artistas se justificam dizendo: “é a vida imitando a arte”. A arte da vulgaridade fazendo de nós o que bem querem.

Através de um conceito ínfimo de cultura e arte, a vulgaridade, a indecência e a irresponsabilidade apresentadas por nossos canais de TV, através do seu vocabulário desrespeitador, induz o povo a um comportamento – ou um mal comportamento – alterado e em grande parte das vezes, violento. A TV brasileira segue sua trajetória de distribuir para o telespectador uma programação onde impera a falta de ética e de respeito. Isso é um indicativo de que, da mesma forma que foi criado o “Código de Defesa do Consumidor, devemos, também, criar o Código de Defesa do Telespectador”. Esse código não precisa ser, necessariamente, criado pelo governo, mas por cada um de nós, segundo o nosso conceito de certo e errado. Precisamos, em caráter de urgência, implantar um sistema de censura democrática para fiscalizar e disciplinar os veículos de comunicação, assim como fiscalizamos e disciplinamos as outras instituições comerciais.

Alberto Peixoto
www.albertopeixoto.com.br
[email protected]

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