Guerra no Trânsito | Por Alberto Peixoto

Sabemos que na guerra do trânsito o culpado não é somente o motorista. Os pedestres, também, são fortes coadjuvantes neste embate, mostrando-nos que segurança não é tão importante assim, como nos faz ver as pesquisas divulgadas pelos mais conceituados veículos de comunicação deste país, após dez anos de implantação do Código Nacional de Transito, que possui leis e punições rígidas, mas que nunca são colocadas em prática.

Bilhões de reais por ano, escoam pelo ralo da irresponsabilidade causada por motoristas imprudentes e pedestres que não respeitam as regras incorporadas no dia a dia do brasileiro. O uso do cinto de segurança é uma das normas mais ignorada. Quem usa o cinto de segurança, só procede desta forma quando viaja nas poltronas dianteiras, mas a grande maioria quando utiliza as poltronas traseiras, dificilmente usa o cinto.

O Código Nacional de Transito foi criado para estabelecer o comportamento não só dos motoristas e motociclistas, como, também, para os transeuntes que, geralmente, não utilizam as passarelas, criadas para lhe dar condições de atravessar uma via movimentada sem correr riscos. O mesmo acontece com a faixa de pedestre que não é utilizada e quem tenta usá-la, sofre com o desrespeito dos motoristas.

Aliado a todos estes aspectos existe ainda, a impunidade que, estimula as pessoas a cometer e, com freqüência, repetir abusos, principalmente nas estradas, provocando acidentes quase sempre com vitimas fatais. Poderíamos citar, também, as condições físicas das estradas, mas isto não é o maior causador de desastres porque pesquisas nos mostram, que grande parte dos sinistros ocorre em estradas de boa qualidade, em trechos que não oferecem nenhum tipo de perigo como nas grandes retas ou até mesmos em pistas duplicadas, onde acontecem os imprevistos de grandes proporções, motivados pela imprudência e a impunidade.

Outro motivador de acidentes é o medo de dirigir que atinge a uma boa parte de motoristas, que geralmente vem do ensino ruim das auto-escolas. Sem generalizar, a maioria destes estabelecimentos só ensina o aluno como ser aprovado no exame, principalmente de direção, recebendo a carteira sem saber dirigir, transformando-se em um motorista inseguro e ansioso.

Mesmo sem ser devidamente respeitado, o Código Nacional de Transito, após ter entrado em vigor, reduziu a taxa de morte em acidentes de transito no país, em 32%. Mesmo assim, segundo a Associação Brasileira de Medicina no Transito, a média ainda continua alta. Transformando este índice em números reais, são 35 mil mortes e algo em torno de 400 mil pessoas feridas.

Ainda falta muito para motoristas e pedestres se conscientizarem. Estamos muito longe de uma situação mais confortável ou de segurança. Vejo na impunidade e na carência de campanhas educativas, mais consistentes, a causa principal da falta de cuidados ao dirigir um veículo. Sabemos que o cidadão sente mais aquilo que lhe toca na parte monetária, no bolso. Mesmo sabendo que sua vida e a de terceiros, estão correndo riscos, não procuram ter mais atenção no trânsito, preferem viver perigosamente.

*Alberto Peixoto, escritor (www.albertopeixoto.com.br | [email protected]).

Alberto Peixoto
Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.