Brasil é pressionado em conferência contra bombas de fragmentação

A conferência, de dois dias, que começa nesta terça-feira, pretende reunir representantes de 15 países latino-americanos em negociações para possíveis acordos que façam da região a primeira do mundo totalmente livre de bombas de fragmentação.

O Brasil, que estará representado na conferência, é fabricante desse tipo de bombas e não é participante do chamado Processo de Oslo, que busca concluir um tratado para bani-las até 2008.

O governo brasileiro diz que prefere ver a questão discutida sob a coordenação das Nações Unidas.

As bombas de fragmentação são conhecidas pelo seu grande potencial de destruição e pela ameaça que representam à população civil durante conflitos.

Elas têm a capacidade de se abrir e se fragmentar em centenas de pequenas bombas menores, que se dispersam e explodem ao longo de uma grande área.

ONGs

Além de representantes de governos, a conferência na capital costa-riquenha também contará com participações de organizações não-governamentais que fazem campanha antiarmamentos.

Um desses grupos, a CMC (Coalizão contra Bombas de Fragmentação), se diz desapontada pelo fato de o Brasil, descrito como um grande produtor, se recusar a tomar parte no Processo de Oslo.

Segundo a CMC, três empresas brasileiras fabricam munições de fragmentação para exportação. O país exporta ou já exportou no passado para Irã, Iraque e Arábia Saudita, de acordo com a organização.

Os dados da CMC mostram ainda que, na América Latina, além do Brasil, apenas Argentina e Chile já produziram bombas de fragmentação, mas deixaram de fazer e são participantes do Processo de Oslo.

Apesar da pressão das organizações não-governamentais sobre o Brasil, o país afirmou que deve manter sua posição de que o tema deve ser discutido na esfera multilateral sob a coordenação das Nações Unidas.

Uma porta-voz do governo disse que, apesar de mais demorado, uma negociação para a proibição das bombas de fragmentação coordenada pela ONU seria mais efetiva, por envolver toda a comunidade internacional.

As organizações dizem que se o Brasil aderisse ao Processo de Oslo, a América Latina estabeleceria um exemplo para o resto do mundo.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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