Aumento de pretos e pardos no Pnad 2006 não é surpresa, diz ministro

Para a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), o aumento do percentual de brasileiros que se dizem pretos ou pardos, registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não é uma surpresa. “Precisamos ter em mente que esse é um processo histórico que vem ocorrendo nos últimos anos”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil, o ministro interino da Seppir, Martvs das Chagas.

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2006), divulgada na última sexta-feira (14/09/2007), caiu, entre 2005 e 2006, o número de pessoas que se declaram brancas ou pardas e aumentou o número dos que se dizem pretos, de 6,3% para 6,9%. Os pardos passaram de 43,2% para 42,6%, e os brancos, de 49,9% para 49,7%.

O ministro disse que o envolvimento do movimento social e as ações de governo têm feito com que a população se sinta segura para se auto-declarar como realmente é, “e não como se idealizou que ela fosse”. “Os dados da Pnad se aproximam cada vez mais da realidade do Brasil, desse país com várias faces, poliétnico”, acrescentou.

Segundo Chagas, há vários anos tem crescido o debate sobre igualdade e discriminação racial. O governo admitiu que existe preconceito no Brasil e passou a desenvolver políticas afirmativas, como o sistema de cotas para negros em universidades.

Ele também lembrou que hoje mais pessoas negras ocupam postos de destaque, seja na mídia, seja no poder público. “Todo esse referencial contribui efetivamente para as pessoas se identificarem, inclusive simbolicamente, se verem representados, isso é muito importante.”

Apesar disso, o ministro afirmou que ainda há muito a ser mudado no Brasil. “Tem muitas pessoas ainda que poderiam ser entendidas e vistas como pretas ou como negras e ainda se acham pardas, ou muitas delas se acham brancas, como uma forma de poder se situar melhor na sociedade, na comunidade em que vivem”.

Martvs das Chagas afirmou que implantar um plano e um sistema nacionais de promoção da igualdade racial é fundamental para que a situação de negros e pardos no Brasil melhore e que os números possam demonstrar a real composição do povo. “É o caminho que nós temos que trilhar no sentido de fortalecer essa ação governamental.”

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Redação do Jornal Grande Bahia
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