Transnacionais se apossam com selvageria de terras argentinas

A geopolítica mundial, cada dia mais, é desenhada para atender os cartéis econômicos dos países ricos sem levar em consideração os interesses, a cultura e a economia dos países pobres ou em desenvolvimento.Todos estes vítimas da sanha e ganância do modelo econômico chamado neoliberal.

Na Argentina cerca de 10% do seu território, equivalente a 270 mil quilômetros quadrados, pertence atualmente a estrangeiros. O levantamento foi realizado pela Federação Agrária Argentina (FAA). Dos 4,5 milhões de hectares, encontram-se à venda ou em processo de venda para investidores, entre pessoas físicas, empresas ou sociedades anônimas. Deste total, cerca de 24 milhões de hectares foram vendidos a grupos transnacionais. As denúncias foram extraídas do livro “Tierras S.A – Crônicas de un país rematado”, de autoria dos jornalistas argentinos André Klipphan e Daniel Enz (Aguilar 2006). Após três anos de pesquisas, eles concluíram que a concentração de terras e recursos naturais avança de forma selvagem no país, e o mais grave é que suas transações de compra de terras são feitas com fundos de procedência duvidosa.

Os pesquisadores vão mais fundo em suas pesquisas ao denunciarem que os principais compradores são milionários como Luciano Benetton, Douglas Tompkins e Ted Turner. O mais perverso de todo esse processe de esbulha do capital nacional é que toda essa pirataria acontece com a cumplicidade de alguns políticos e de funcionários do governo, muito dos milhares de hectares negociados são vendidos por preços ínfimos e aviltantes para a nação.

Mas como não poderia deixar de ser nesses casos, os interesses dos “investidores internacionais” estão também voltados para o que existe no subsolo argentino. Nas localidades de San Juan, La Rioja, Jujuy e Catamarca são onde se encontram instaladas as maiores empresas mineradoras do mundo, que exploram reservas de ouro e prata. Para se ter uma idéia do que tudo isso representa para o mercado local, Klipphan e Enz mostram que a produção mineira argentina passou de 481 milhões de dólares, em 1994, para aproximadamente 900 milhões em 2005.

Conforme garantem especialistas e estudiosos da área, o livro investiga um fenômeno que também está acontecendo no Brasil: compras de terras em área de fronteiras por investidores estrangeiros, a exemplo do que vem ocorrendo, com certa freqüência, no Estado do Rio Grande do Sul, envolvendo grandes empresas de celuloses.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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