O Socialismo e Igreja Católica | Por Carlos Lima

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Capítulo VII

Para superar as dificuldades e divergências do catolicismo na Europa, surge nesse cenário a América do Norte. Estados Unidos e Canadá mantêm um catolicismo jovem, dinâmico e satisfeito consigo mesmo, ou seja, sem o vírus da “Igreja marxista”. A miséria e a luta política tinha acabado com a Espanha e Portugal. A Áustria respirava com dificuldade e lutava pela sobrevivência, a Hungria sofre com a Bela Kun e depois com a ditadura militar e a Alemanha estava totalmente arruinada, perderá a guerra. Os católicos da Baviera não são indiferentes ao nacionalismo revanchista. Nessa atmosfera Adolfo Hitler, ex-cabo do exército alemão durante a I Guerra Mundial, começa aparecer para uma massa desempregada como o “salvador da pátria”, eles pesavam que aquela cruz gamada, não conseguiria se sobrepor negativamente a de Jesus Cristo.

A verdade é que o catolicismo na Europa continuava praticando às formas do passado. Mantinha em alguns países a nostalgia da realeza e dos “séculos da fé”, não tinha aprendido com as derrotas e não acompanhava a evolução dos tempos modernos. Tinham com a canonização de Joana d’Arc, em 1920, a certeza da consagração de um ideal de fidelidade e coragem. Por falar em coragem, merece registro o fato que do esfacelamento da “União Sagrada” e do “Bloco Nacional”, surgiu em 1924 um exército pacífico, denominado FNC – Federação Nacional Católica, comandado pelo dublê de católico fervoroso e antigo combatente. Outros com esse mesmo perfil estavam nas fileiras da Ação Francesa, cujo nacionalismo integral alimentava um cristianismo integral e violentamente anti-republicano.

A semente do catolicismo social sobrevivia. Um pequeno grupo de católicos sociais, fiéis à orientação política e social de Leão XIII, aprofundava suas posições doutrinais, a exemplo da Associação Católica da Juventude Francesa que formava novos quadros da Democracia Cristã, o mesmo acontecia na Bélgica. As “Semanas Sociais” promovidas na Espanha, Itália, Bélgica, França e timidamente no Canadá, mobilizavam cada vez mais um maior numero de católicos, que discutiam temas como: O Papel Econômico do Estado; Federação dos Trabalhadores Cristãos; Católicos Sociais, entre outros.

Na França, mais precisamente na capital, Paris, em 1919 foi criada a Ação Popular – AP, surgindo também a Confederação Francesa dos Trabalhadores Cristãos – CFTC, com cento e quarenta mil filiados, dando origem a Confederação Internacional dos Sindicatos Cristãos. Teólogos como Francisco Gay procurava aliar a fidelidade do Papa com a liberdade do cristão. Champetier de Ribes foi mais além, fundou o PartidoDemocrata Popular em 1924. Os italianos anulavam tacitamente o non expedit de Pio IX que proibia os católicos de participarem da vida política. Mesmo assim, Bento XV, no período após a I Guerra, mantinha esperança de crescimento do catolicismo na Inglaterra, Holanda, Polônia e Irlanda e na Itália, esforçava-se para reatar e normalizar as relações com o Estado, o que não aconteceu, o regime fascista de Mussolini assumiria o comando das ações.

O Papa Bento XV, modesto e quase desconhecido, ao morrer deixou para o seu sucessor instrumentos considerados preciosos. Nos seis primeiros dias de fevereiro de 1922, dezesseis dias após a morte de Bento XV, o conclave elegeu Achille Ratti, arcebispo de Milão, Papa. Achille assumiu o nome de Pio XI. Era um homem autoritário, intelectual, e que tinha exercido por apenas cinco meses uma função pastoral, sua carreira era de diplomata e de sábio. Foi o idealizador e fundador da Rádio Vaticana em 1931 e da Academia Pontifícia das Ciências, em 1936. Pio XI foi responsável pelo reconhecimento da Ação Católica, apostolado organizado dos leigos. Que na época era considerado um movimento revolucionário. Até aquele momento os leigos eram considerados como destinados apenas às tarefas caritativas ou intelectuais. Esse reconhecimento encorajou o padre belga, Cardijn, que lançou a JOC – Juventude Operária Católica, que terminou ganhando o mundo inteiro e em 1948 registrava duzentos e cinqüenta mil membros.

Devemos salientar que a pouco mais de uma década, o livro “Fracasso da Ação Católica”, registrou aquilo que a ação católica não fez. Mesmo sabendo que ainda resta muito a fazer, deveriam ter registrado o muito que foi feito. Em 1931, Pio XI ampliou as conclusões da Rerum Novarum. O sindicalismo cristão tomou corpo em seu pontificado, em 1939 a CFTC contava com quinhentos mil membros, em 1948, com oitocentos mil. Em 1962, a Confederação Internacional dos Sindicatos Cristãos já agrupava seis milhões de membros.

Na parte seguinte, Pio XI, início do conflito bélico. O papa Pio XII e a II Guerra Mundial. Bibliografia: J. Daniélou, Autoridade e Contestação da Igreja; A inquisição; E. Poulat, A Crise Moderna; J. Guitton, Diálogos de Paulo VI, 1967 e, de J. Bonnefoy, A Inconfortable Église du siécle XX, 1969, Historia Literária do Sentimento Religioso da França, Uma visão da Igreja, autor U. Von Balthasar, 1958; História da Igreja Contemporânea; A Igreja Católica e a Revolução Francesa; Adolfo Hitler e a Igreja Católica, esse livreto não posso indicar os textos não são confirmados; entre outras publicações.

*Por Carlos Antonio de Lima, brasileiro, natural de Caruaru, Estado de Pernambuco, nasceu no dia 22 de dezembro de 1951. Jornalista e radialista. Atualmente Tesoureiro da Academia Feirense de Letras, membro do MCC – Movimento do Cursilho de Cristandade da Arquidiocese de Feira de Santana, âncora do programa jornalístico Jornal da Povo, da Rádio Povo, emissora que pertence ao Sistema Pazzi de Comunicação e chefe de Redação e Divulgação da Secretaria Municipal de Comunicação Social.

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