EUA e as novas armas | Por Emiliano José

Deputado Emiliano José denuncia terrorismo imobiliário em Salvador.Deputado Emiliano José denuncia terrorismo imobiliário em Salvador.

Não sou um pessimista, creiam. Ao menos se no pessimismo localizamos desesperança. Mas costumo cultivar a idéia de Gramsci do pessimismo da inteligência, otimismo da vontade. Não alimento nenhuma visão idílica do mundo, especialmente se olho o entorno e vejo anúncios da barbárie, para dizer de modo quase inocente.
Se cultivo Gramsci, pelo menos nesse aspecto recorro também com alguma freqüência, e o fiz recentemente nesse espaço, a Walter Benjamin, que via no progresso sempre os sinais evidentes da barbárie.

Recentemente, li matéria que me deixou perplexo.
Na Folha de São Paulo, assinada por Ricardo Bonalume Neto, noticiava-se que os EUA estavam desenvolvendo duas armas novas com princípios diferentes: uma voltada para causar dor e matar com mais precisão; outra, para causar dor com precisão, mas sem matar. Esse é o capitalismo norte-americano, com seu complexo industrial-militar, há tanto tempo um dos centros de acumulação do grande irmão do Norte.

A pesquisa científica ali não é inocente. Tem interesses a atingir. Está voltada para a morte e a dor. Para provocá-las. E tem sempre bilhões de dólares à sua disposição. Como será que se sentiram os inventores da bomba atômica? Simples instrumentos da barbárie. À história pouco interessam os seus dramas existenciais.

O projeto do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, garantiu que os mísseis Trident lançados de submarino terão mais precisão e eficácia. Já um outro grupo de militares e civis desenvolveu uma espécie de arma de microondas capaz de causar intensa e angustiante dor sem o objetivo de matar a vítima. Ainda em fase experimental, é conhecida, vejam só como o discurso é sofisticado, como Programa de Demonstração de Tecnologia do Conceito Avançado do Sistema Ativo de Negação. Ou ADS.

Trata-se de uma arma que emite feixes de energia com comprimentos de onda milimétricos capazes de inflamar as terminações nervosas, fazendo a pessoa sentir como se estivesse queimando.
Armas não-letais, mesmo as mais comuns, podem causar dano e até morte se atingirem a pessoa em pontos delicados do corpo.

A arma, que levou 12 anos para ser aperfeiçoada, está sendo agora testada operacionalmente nos EUA. Ela foi desenvolvida pela empresa Raytheon, a mesma que cuidou do programa brasileiro Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).

Existe uma versão comercial, que garante a eficácia do feixe de dor a mais de 250 metros de distância. A versão do Pentágono alcançaria até 500 metros.

Será tudo verdade? Desconfio que não. Que pode ter havido algum equívoco. Que não se perderia tanto tempo para tanta barbárie. A ciência a serviço da dor e da morte. Mas, como há exemplos anteriores, tão bárbaros como este, penso que pode ser tudo verdade. Uma verdade contra a qual nós devemos lutar de modo muito obstinado.

 pessimismo da inteligência nos convida à luta, ao otimismo da vontade. Nos chama à luta política para uma humanidade solidária, amiga da vida e não da morte e da dor. Para que a barbárie não vença.

*Por Emiliano José é professor aposentado da Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA. Em 1999, defendeu a tese “A Constituição de 1988, as reformas e o jornalismo de campanha”, tornando-se doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Começou a carreira jornalística na Tribuna da Bahia, passou pelo Jornal da Bahia, O Estado de S. Paulo, O Globo, e pelas revistas Afinal e Visão. Foi um ativo integrante da imprensa alternativa nos tempos da ditadura.

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