Samba do Crioulo Doido

Antonio Alberto de Oliveira PeixotoAntonio Alberto de Oliveira Peixoto

Todas as manhãs, após o desjejum, leio o jornal e constato os mandos e desmandos que ocorrem neste país “gigante pela própria natureza” e tenho o desprazer de ver confirmado que o “gigantismo” dos fatos negativos que ocorrem em nossa “pátria amada e idolatrada” faz jus às dimensões territoriais desta terra de aspecto continental. Fecho os olhos, procurando fugir da realidade e vejo passar, em minha cabeça, como em um filme de Hitchcock, um pastor evangélico, com alguns sacos de dinheiro nas costas, correndo desesperadamente da Polícia Federal, deixando as ovelhas do seu inusitado rebanho a ver navios, enquanto as doações – que deveriam ser destinadas às obras assistenciais, a fim de amenizar a dor deste povo tão sofrido desta nossa “Pátria Amada”, onde milhares de miseráveis famintos morrem por falta de alimentos – serem desviadas para um destino insólito.

Procurando substituir aquelas imagens dessa situação ínfima, encontro, inesperadamente, bem no centro do meu hipotálamo, a representação mental de um padre que, após descer do altar onde pregou sobre a sustentação da castidade, sair de um motel após fumar maconha, cheirar cocaína e praticar pedofilia com um grupo de adolescentes, deixando em mim a dúvida, se o “Voto do Celibato” – estado ou situação em que eles se propõem guardar a castidade – defendido pelos sacerdotes, só é valido – em alguns casos – para o “falo”. É a pedofilia e o homossexualismo correndo solto nas clausuras, sacristias e, até mesmo nos luxuosos motéis cinco estrelas.

Tentando apartar-me, rapidamente, daquela situação incômoda, ligo a TV, procurando espairecer minhas “idéias”: vejo estampado no cinescópio do meu aparelho, no jornal de maior audiência da televisão brasileira, os paradoxos da vida, que de forma violenta e assustadora – “para não dizer aterrorizante” – invadirem nossos lares. É CPI disso ou daquilo, porque a verba que deveria ser destinada ao combate da prostituição infanto-juvenil foi desviada, a educação está com a saúde na UTI, agonizando em hospitais totalmente sucatados porque, alem da saúde brasileira está doente, moribunda, decadente, a frágil segurança deste país, deixou as verbas fugirem para contas em paraísos fiscais e sob essa “insegura segurança”, assistimos, também, aos que estão atrás das grades, os que pertencem ao crime “organizado” – temos que admitir que são organizados – instaurar uma rebelião de proporções e efeitos absurdos, que parou uma cidade como São Paulo, possuidora de uma população estimada em 10.927.985 habitantes, estabelecer uma bandalheira generalizada nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, saqueando e incendiando ônibus onde pessoas inocentes morreram carbonizadas. Os que desviam valores do erário público, as sirenes da policia não conseguem ou não querem localizar. Estes se divertem em Brasília, comendo caviar, regado a finíssimos vinhos importados e dos mais legítimos escoceses, acompanhados das suas belíssimas secretárias.

E eu, com meus botões, mais perdido do que cego em tiroteio, resolvo desligar a TV e ouvir em minha FM preferida, um clássico da MPB para desentupir meus ouvidos, quando para acentuar ainda mais minha indignação, ouço, ao contrario de uma suave canção, o repórter dizer que foi encontrado em um avião da FAB, diversos quilos de cocaína, pertencentes a um oficial da reserva e que um delegado de policia acabava de ser preso, por comercializar maconha e cocaína no interior da delegacia de sua circunscrição.
Afinal, qual a real função das autoridades deste “Pais Varonil”?

Talvez possa concluir que tudo isso acontece porque estamos sempre “deitados em berço esplendido”, dormindo; por isso, perdemos o bonde da história.

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About the Author

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.