O Socialismo e a Igreja Católica | Por Carlos Lima

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

III parte
Carlos Lima

O catolicismo social e contra-revolucionário encontrou na França seus mais importantes defensores. Em 1871 Alberto de Mun e René de la Tour du Pin, identificados também como os gentis homens sociais, se reuniram e fundaram os Círculos Católicos de Operários, com a intenção de proporcionar o reencontro das classes dirigentes e as classes populares.

Esses círculos tiveram um reconhecido crescimento, mas estagnaram depois de absorverem toda a clientela das obras, composta de artesãos e empregados, mas, não conseguiram sensibilizar e absorver os operários das fábricas, que viviam, naquele período de crises econômicas, grandes e sangrentas greves e lutavam pela formação de partidos operários sob a influência marxista, que propagava ser o “cura” um aliado do patrão, além de considerar toda obra caritativa como subversiva, rejeitando toda e qualquer intervenção da Igreja no domínio econômico.

Mesmo assim, os católicos vez por outra faziam algumas realizações, pode-se dizer, originais: na França, por exemplo, a iniciativa de Leon Harmet, em sua usina-modelo do Val-des-bois, uniu o fraternalismo corporativo ao esforço associacionista e a federação das sociedades operárias católicas em 1868; na Bélgica, o congresso das obras sociais, a ação de dom Doutreloux e do abade Mellaerts; na Itália, o circulo romano de estudos sociais; na Alemanha, o Zentrum de Windthorst e o Volkverein desempenharam importante papel na elaboração de leis sociais à época de Guilherme II e na Suíça, em 1885, dom Mermillod organizou encontros sociais internacionais chamados União de Friburgo, fato que inspirou a intervenção do papa.

Com essas ações, quase isoladas, do catolicismo social, o papa Leão XIII, avalizou e liberou o catolicismo social, conclamando os católicos franceses a se unirem à República (1892), e, por outro lado, com a encíclica Rerum Novarum (1891), dava uma carta social ao catolicismo. Nessa carta, o papa “proclamava uma verdade obscurecida desde o fim da Idade Média, a de que a moral evangélica tinha prolongamentos sociais que nenhum fiel tinha o direito de desconhecer”.

O papa Leão XIII (1878 – 1903) proporcionou as condições para o surgimento de uma nova e entusiasta geração, totalmente ligada à democracia, privilegiando mais as massas e cortando privilégios. A partir do reconhecimento do catolicismo social, surgiam legalmente: Associação da Juventude Francesa (1885); os padres democratas, como Naudet, Gayrand e Lemire; os congressos operários (1893); os círculos de estudos sociais; os secretariados permanentes de ação social, dos quais surgiram a Crônica Social de Lion (1892), a Ação Popular (AP) em 1903; as Semanas Sociais (1904), que eram verdadeiras Universidades itinerantes, e os encontros e secretariados sociais de 1906.

Essa ala esquerda do catolicismo social se associou às iniciativas da República, assim como a lei capital de 1884 que permitia a formação de sindicatos profissionais, inspirou diversas ações católicas, uma dessas ações foi à fundação do Sindicato dos Empregados do Comércio e da Indústria em 1887, por alunos das escolas cristãs, tornando-se o embrião da fundação da Confederação Francesa dos Trabalhadores Cristãos. É nesse terreno que se desenvolve na França, Bélgica e na Itália, o ideal da democracia cristã, com a intenção clara de dissociar o movimento operário do ajuste secreto e fraudulento entre a democracia e o anticlericalismo. Mas, na verdade, muitos padres e a massa dos fiéis censuravam violentamente esses católicos (de esquerda) empreendedores, por sua submissão à República e que ao mesmo tempo recebia os sorrisos dos democratas-cristãos.

No início da primeira guerra mundial, 1914, o catolicismo social ainda era embrionário – dispersava-se em obras generosas – defendido e praticado por intelectuais e burgueses, era, portanto, mais reformistas do que revolucionário, não tinha base operária. A maioria dos operários estava cooptada por um socialismo de realizações mais imediatas. Entretanto, o longo, doloroso e obscuro trabalho realizado desde 1870 por uma minoria de católicos iriam dar seus frutos depois da primeira guerra mundial, assegurando ao catolicismo uma importância que os contemporâneos não imaginavam ser possível.

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