Feira de Santana, princesa, com jeito matuto | Por Alberto Peixoto

Monumento em homenagem ao Padre Ovídio de São Boaventura, situado na Praça Padre Ovídio, ao lado da Praça da Matriz e Catedral Metropolitana de Sant'Ana, em Feira de Santana.Monumento em homenagem ao Padre Ovídio de São Boaventura, situado na Praça Padre Ovídio, ao lado da Praça da Matriz e Catedral Metropolitana de Sant'Ana, em Feira de Santana.
Monumento em homenagem ao Padre Ovídio de São Boaventura, situado na Praça Padre Ovídio, ao lado da Praça da Matriz e Catedral Metropolitana de Sant'Ana, em Feira de Santana.

Monumento em homenagem ao Padre Ovídio de São Boaventura, situado na Praça Padre Ovídio, ao lado da Praça da Matriz e Catedral Metropolitana de Sant’Ana, em Feira de Santana.

Às vezes lembro-me da época em que já ainda se usava calça curta com os tradicionais suspensórios, em que a Água de Colônia Catedral, era uma amiga inseparável de todos os jovens, das soirées e matinés dos cinemas Santanópolis, Íris e Madrid; do delicioso sorvete, no final da tarde, na Savoy ou na Soweto e, às vezes, na sorveteria Íris; do Baile, Uma Noite no Hawai, realizado no “aristocrático” Feira Tênis Clube e das boates de sábado na Euterpe Feirense; da tradicional “Festa de Senhora Santana – com as costumeiras lavagem da Igreja e levagem da lenha – da festa de Natal na Praça da Kalilândia”; de personagens folclóricas como a louca Marta Rocha, com seus trajes e adornos exóticos; do lendário Lucas da Feira – na realidade, filho da vizinha cidade de São Gonçalo dos Campos – das histórias contadas pelo engraxate Conterrâneo – que ganhou sozinho na loteria federal e gastou todo dinheiro do premio, dando a volta ao mundo – do Bar Ferro de Engomar, do Fluminense de Feira, campeão de 1963 e 1969 e de toda tranqüilidade que reinava na promissora e maior cidade do interior baiano.

O tempo passou e levou com ele, essa época que nos traz a recordação de uma Feira de Santana mais humana e nos deixando a realidade de uma cidade árida e triste. Ao passar pelo majestoso e histórico prédio da Prefeitura Municipal, com sua arquitetura neoclássica, ao vê-lo sendo dilapidado por trás do anúncio de uma reforma interminável, sinto a tristeza de alguém que vê um ente querido agonizando no leito da morte; observo, por todo centro da Princesa do Sertão, ônibus trafegado pela mão direita, pistas que se interrompem abruptamente, via públicas subdimencionadas, enlouquecendo o desorganizado trânsito da cidade, diversos veículos – estacionados de forma irregular – desafiando as leis do trânsito aumentando a desordem estabelecida no centro da cidade, que outrora dizíamos: “a que mais cresce no país”; percorro as principais artérias e chego à triste conclusão de que a zona urbana do município feirense foi transformada no “paraíso dos quebra-molas”, levando-me a questionar: se a quantidade excessiva desses obstáculos, não sejam para evitar que os veículos caiam nos diversos buracos existentes nas vias públicas?

 centenária feira-livre que, a partir do meado do século XIX, transformou o município no principal pólo comercial da região, ocupava todo centro da cidade, deu lugar, através de uma nova mentalidade de comércio, ao maior centro comercial do interior baiano. Mesmo assim, esse comércio informal conseguiu sobreviver nos bairros mais distantes e, até mesmo, em alguns mais próximos do centro, como a feira da Estação Nova, que resiste em existir, mesmo em um ambiente sem a mínima estrutura, fétido, desorganizado, sem o mínimo de segurança, por isso, muito violento.

Os calçadões, de todo centro comercial, foram transformados em desorganizados camelódromos, obstruindo o trânsito dos pedestres; os diversos passeios públicos da cidade, esburacados e sem a mínima perspectiva de restauração; praças e jardins – quais jardins? – totalmente abandonados e sem áreas destinadas ao lazer.

As vias que se interceptam nas proximidades da Praça Presidente Médice, por trás do bagunçado Feiraguay, formam uma espécie de teia de aranha. Terrivelmente congestionada pelas dificuldades, mais uma vez, causadas pela falta de organização no trajeto dos veículos, que por lá circulam, embaraçando aos que se dirigem ao não menos confuso bairro da Chácara São Cosme e regiões próximas.

Como em um sonho aflitivo e desagradável, fico a me perguntar: o que foi que transformou a saudosa Feira de Santana de tempos passados, em uma cidade tão apática e violenta? Teria sido o Ronaldismo? Então, que Deus nos proteja do Pimentismo.

*Alberto Peixoto, escritor.

Monumento em homenagem ao Padre Ovídio de São Boaventura, situado na Praça Padre Ovídio, ao lado da Praça da Matriz e Catedral Metropolitana de Sant'Ana, em Feira de Santana.

Monumento em homenagem ao Padre Ovídio de São Boaventura, situado na Praça Padre Ovídio, ao lado da Praça da Matriz e Catedral Metropolitana de Sant’Ana, em Feira de Santana.

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About the Author

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.