Deputado Tarcízio Pimenta comenta sobre os 100 dias do Governo Wagner, gestão do ex-governador Paulo Souto e sobre José Ronaldo, prefeito de Feira de Santana; Confira a entrevista

Carlos Augusto entrevista Tarcízio Pimenta nas dependências do hotel Del Mar em Aracaju, capital do Estado de Sergipe.Carlos Augusto entrevista Tarcízio Pimenta nas dependências do hotel Del Mar em Aracaju, capital do Estado de Sergipe.

Em entrevista concedida, na terça-feira (24/04/2007) pelo deputado estadual Tarcízio Pimenta (DEM-BA) ao jornalista Carlos Augusto, nas dependências do hotel Del Mar em Aracaju, capital do Estado de Sergipe. O encontro aconteceu na terça-feira (24/04/2007), quando ambos se encontravam passeando nesta aprazível capital, fugindo do agito da micareta de Feira de Santana. Coincidentemente, eles se encontravam hospedados no mesmo hotel.

Nascido em Feira de Santana, Tarcízio Suzart Pimenta Júnior (52 anos), é casado e pai de duas filhas. Ele é formado em medicina com especialização em cirurgia geral, professor da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) e deputado estadual pelo partido Democratas/Ba. Pimenta ingressou na política pelo PMDB, sendo eleito vereador com mandato de 1993 a 1994. Foi eleito deputado estadual pelo PSB de 1995-1999; reeleito PTB, para os períodos de 1999-2003 e 2003-2007; reeleito pelo PFL atual (DEM) com mandato de 2007 a 2011.

JGB – É difícil conciliar a prática médica com a política?

Tarcízio Pimenta  – Não. Quando ingressei na política não foi com o objetivo de abandonar a medicina ou trocar as atividades distintas. A política em minha vida foi uma contingência em que procurei atender o chamamento do povo.

JGB – Qual a avaliação que o deputado faz dos primeiro 100 dias do governo de Wagner?

Tarcízio Pimenta – O que eu estou percebendo é que este governo não dispõe de quadros políticos e técnicos para bem administrar a máquina do Estado. Estando à frente do governo a mais de 100 dias, ele ainda encontra dificuldades para estabelecer critérios com relação à nomeação de nomes que possam contribuir para a sua administração. Também quero destacar que programas sociais importantes foram deixados como herança do governo de Paulo Souto, a exemplo do Projeto Cabra Forte que foi praticamente desarticulado pelo atual governo, além de ter adotado medidas contrárias aos princípios, que durante a sua campanha eram tidas como bandeira do PT. Sito como exemplo o projeto de privatização das estradas estaduais; e o aumento insignificante de apenas 3,3% do servidor público, a ser pago de forma parcelada.

JGB – Ocorreram inúmeras denúncias de corrupção no governo de Paulo Souto. Qual a avaliação que o senhor faz desta complexa situação?

Tarcízio Pimenta – A única situação utilizada pelo PT que depõe contra o governo de Paulo Souto é com relação ao caso da Ebal. As lojas da Cesta do Povo é um projeto de grande envergadura social implantado pelo então governador Antonio Carlos Magalhães, tendo como objetivo ofertar ao servidor público a condição de ter alimento bom e barato na mesa. Ao contrário do que ocorre atualmente, o projeto na época não visava lucro. Hoje os produtos como feijão, arroz, farinha e outros itens são comercializados nestas lojas com preços acima dos praticados no mercado. O que o governo Wagner está fazendo é obtendo lucro com as lojas, prática que o governo anterior não adotava.

JGB – Chegou até o nosso conhecimento que o governo de Paulo Souto vendia os mantimentos, através da rede de lojas da Ebal, para os funcionários públicos e o dinheiro capitalizado nessa transação comercial não era repassado. O que se configura, nesta situação, é a inépcia no trato com o dinheiro público. Isso não se caracteriza como má gestão administrativa que causou um rombo econômico, aos cofres públicos, na ordem de 300 milhões de reais?

Tarcízio Pimenta – Durante a transição de governo tudo isso foi passado para a equipe do governador Wagner, e os atuais membros da equipe econômica não detectaram nada de grave que inviabilizasse ou comprometesse o governo passado. O que está acontecendo, no momento, é o que ocorre sempre durante a transição de um governo para o outro, acusações de rombo e falta de dinheiro em caixa, podemos considerar como um fato natural.

JGB – Com relação às péssimas condições nos setores de saúde e segurança no Estado da Bahia, podemos atribuir como herança maldita deixada, como presente de grego, pelo governo de Paulo Souto?

Tarcízio Pimenta – A situação da saúde e segurança públicas, em nosso Estado, não é boa, mas o governo de Paulo Souto investiu muito, no tocante a segurança, na área de informação. Tanto é que o crime organizado não existe na Bahia, mas admito que o ex- governador deixou a desejar neste aspecto. Na condição de deputado, eu fiz a minha parte, cobrei do governador e seu secretário de segurança pública uma posição mais firme no combate ao crime. Sinceramente eu torço e espero que o atual governo dê toda a atenção que merece o setor de segurança pública, realizando novos concursos e investindo recursos significativos nesta área vital de nossa sociedade.

JGB – Como avalia o setor de saúde em Feira de Santana e no Estado da Bahia?

Tarcízio Pimenta – O governador Paulo Souto, não deixou de investir significativos recursos na área de saúde em nosso Estado. O número de leitos das UTIs foram quadruplicados. Em Feira foram implantados 18 novos leitos e em todo Estado, mais de 120. A Bahia também foi o Estado que mais contratou agentes de saúde, além de ter implantados nos municípios baianos, em parceria com o governo federal, os PSFs – Programa de Saúde da Família.

JGB – No calor da campanha política o senhor se referiu a postura adotada pelo prefeito José Ronaldo, comparando-o com ditador Saddam Hussein, e foi mais enfático ao afirmar que a situação da periferia de Feira de Santana é similar a do Iraque. País que está com a infraestrutura arrasada pela guerra. Qual foi a mensagem que o senhor quis passar ao fazer tal comparação?

Tarcízio Pimenta – Posso até ter me manifestado dessa forma, em algum momento, pois sempre me coloquei na condição de não aceitar nenhuma forma ditatorial de quem quer que seja. Durante a minha campanha eleitoral passada, ao encerrar as minhas andanças no município, eu fazia questão de repetir o refrão: “Feira não tem dono”.

JGB – Recentemente, o ex- governador Paulo Souto teve o seu nome vetado por ACM para assumir a presidência da executiva do DEM (Partido Democratas). Um grupo de políticos liderados pelos deputados José Carlos Aleluia, Fernando de Fabinho e Fábio Souto, estão se confrontando com a posição adotada pelo senador. Como o senhor avalia esta conjuntura política. Caso exista de fato uma disputa interna, com quem o senhor marchará?

Tarcízio Pimenta – Uma situação dessas requer uma maior reflexão de nossa parte, mas entendo que com a mudança da sigla partidária do PFL para DEM, necessário se faz com que se proceda uma reengenharia política no interior do partido. Tenho servido mais ao partido, do que me servido dele. Porém tenho a compreensão de que nada pode ser decidido, enquanto o senador se encontrar ausente.

Carlos Augusto entrevista Tarcízio Pimenta, que afirma: "A situação da saúde e segurança públicas, em nosso Estado, não é boa, mas o governo de Paulo Souto investiu muito, no tocante a segurança, na área de informação. Tanto é que o crime organizado não existe na Bahia, mas admito que o ex- governador deixou a desejar neste aspecto.".

Carlos Augusto entrevista Tarcízio Pimenta, que afirma: “A situação da saúde e segurança públicas, em nosso Estado, não é boa, mas o governo de Paulo Souto investiu muito, no tocante a segurança, na área de informação. Tanto é que o crime organizado não existe na Bahia, mas admito que o ex- governador deixou a desejar neste aspecto.”.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

About the Author

Redação do Jornal Grande Bahia
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]