Ao tomar posse, Jaques Wagner promete que governo da Bahia será direcionado para o tripé educação, saúde e trabalho

Governo democrático de esquerda rompe 40 anos de domínio conservador, liderado pelas forças do carlismo.Governo democrático de esquerda rompe 40 anos de domínio conservador, liderado pelas forças do carlismo.
Governo democrático de esquerda rompe 40 anos de domínio conservador, liderado pelas forças do carlismo.

Governo democrático de esquerda rompe 40 anos de domínio conservador, liderado pelas forças do carlismo.

O tripé educação, saúde e trabalho sustentará as ações do governo da Bahia nos próximos quatro anos. Foi o que prometeu Jaques Wagner em discurso de posse. Ele tomou posse na manhã de hoje (01/01/2007) em clima de muita emoção, que contagiou até o governador. Por várias vezes Wagner cerrou o punhos sinalizando aos convidados a vitória da esquerda depois de 16 anos.

“Por anos a fio quem dominou a política na Bahia se preocupou muito em concentrar e pouco ou nada em repartir”, disse Wagner. Essa é a razão, segundo ele, que justifica o fato de a maior economia do Nordeste estar em vigésimo lugar em desenvolvimento social. “Por que o estado que é o sexto mais rico do país é também um dos que tem o povo mais pobre? Por que um estado tão cheio de riquezas naturais e uma economia tão diversificada tem o segundo maior número de analfabetos do país?”, indagou o governador, para em seguida prometer que nos próximos quatro anos vai trabalhar “cada minuto” para fazer o estado produzir e crescer, mas com igualdade.

Em vários momentos do discurso, Wagner comparou o momento atual da vitória da esquerda baiana às lutas de resistência travadas ao longo da história do estado, como a Batalha de Pirajá, contra os portugueses, considerada um marco da consolidação da Independência do Brasil e que na Bahia é festejada no dia 2 de julho, como a Independência da Bahia.

“No coração de todos nós hoje também é 2 de julho. Mostramos mais uma vez como fizemos a nossa independência que a Bahia é livre, a Bahia não tem dono, a Bahia é de todos nós”. O discurso foi feito na Assembléia Legislativa do estado, na presença do presidente da Casa, Clóvis Ferraz.

Na transmissão de cargo, que foi feita na Governadoria, o discurso na presença do governador Paulo Souto foi mais conciliador. “Neste governo não haverá revanchismo, não haverá perseguição. Trabalharemos juntos pelo povo da Bahia”, disse o governador, após elogiar o seu antecessor pela “altivez” e pela tranquilidade com que conduziu o processo de transição, desde o resultado das urnas, em 3 de outubro de 2006 até agora.

Após a cerimônia, Wagner desfilou em carro aberto e, no centro administrativo da Bahia, uma grande área ao ar livre, participou de uma cerimônia interreligiosa, seguida por shows de bandas baianas. Wagner seguiu para Brasília, para participar da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Jaques Wagner é empossado no governo

Jaques Wagner foi empossado no governo do Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Clóvis Ferraz (PFL), às 9h35 de ontem. Foi aplaudido demoradamente – de pé – pelas 500 pessoas que lotaram o plenário. Proclamada a posse, o protocolo da “sessão especial e solene” foi quebrado, com o nome de Wagner entoado em coro pelos presentes. Ele agradeceu com o punho fechado no ar. Minutos após tomou posse como vice-governador Edmundo Pereira Santos, igualmente sob aplausos.

A posse dos novos governantes ocorreu na presença das maiores autoridades civis, militares e eclesiásticas da Bahia, contando ainda com a presença do ministro da Defesa, Waldir Pires, que representou o presidente Lula. Eles chegaram ao Legislativo às 9h, acompanhados das esposas, Fátima e Marizete (deputada estadual eleita), sendo recepcionados na rampa de acesso ao Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães por Clóvis Ferraz e outras 200 autoridades, além de militantes.

Ferraz os acompanhou ao Salão Nobre, onde aguardaram o início dos trabalhos – abertos pelo presidente da AL, com a mesa de honra já composta pelo Cerimonial. Ferraz convidou líderes partidários para integrar a comissão que conduziu os empossados ao plenário, onde foram recebidos de pé.

A solenidade começou com a execução do Hino Nacional pela Banda Maestro Wanderley, da PM baiana. O ritual foi simples. Primeiro foi feito o juramento do governador eleito: “Prometo manter, defender e cumprir a Constituição Federal e a Constituição da Bahia, promover e observar as leis, promover o bem geral do povo baiano e sustentar a integridade e a autonomia do Estado da Bahia”. Depois foi lida a sua declaração de bens, pelo primeiro secretário da Casa, Vespasiano Santos (PFL), e Clóvis Ferraz proclamou Jaques Wagner governador da Bahia.

Procedimento idêntico foi cumprido para o vice-governador. O governador então fez o seu discurso de posse. Emocionado, dedicou a vitória ao povo da Bahia, “que me acolheu há 32 anos”, à esposa Fátima, aos pais, aos partidos que formaram a coligação A Bahia de Todos Nós e aos movimentos sociais. Dirigiu palavras de carinho aos três ex-governadores em plenário: Lomanto Júnior, João Durval e Waldir Pires, e frisou que a sua administração será diferente das anteriores, lembrando que “a mudança começa agora”.

Wagner falou de sua trajetória política, fez uma longa defesa da democracia e do papel do parlamento e registrou a sua opção pelo desenvolvimento, com distribuição de renda e redução das desigualdades regionais, como desejava o economista Rômulo Almeida. Após a fala do governador, o presidente Clóvis Ferraz desejou “os melhores augúrios para a administração que se inicia” e manifestou o seu desejo de que o relacionamento entre os poderes se mantenha com respeito mútuo e autonomia.

Antes do encerramento, o flautista da PM, Rainer Krupper, executou o Hino da Bahia. O governador e o vice retornaram à rampa para passar em revista a tropa da PM formada em sua homenagem, assistindo depois ao desfile. Wagner e Edmundo seguiram para a Governadoria, onde recebeu o cargo do governador Paulo Souto, dando, no saguão, posse aos integrantes de seu secretariado.

Ele ainda participou da festa popular no gramado em frente ao Legislativo, confraternizando com a militância de sua base política antes de viajar a Brasília para a posse do presidente Lula.

Jaques Wagner é empossado governador da Bahia, em 1º de janeiro de 2007

Governador Jaques Wagner discursa no plenário da ALBA, ao tomar posse, em 1º de janeiro de 2007.

Governador Jaques Wagner discursa no plenário da ALBA, ao tomar posse, em 1º de janeiro de 2007.

Em frente ao edifício-sede da ALBA, Jaques Wagner discursa ao tomar posse como governador da Bahia, em 1º de janeiro de 2007.

Em frente ao edifício-sede da ALBA, Jaques Wagner discursa ao tomar posse como governador da Bahia, em 1º de janeiro de 2007.

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