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Lígia Eugênia Marques Motta é formada pela Universidade Federal da Bahia em Licenciatura em Letras Vernáculas com Francês e Bacharelado em Línguas Estrangeiras. É uma das fundadoras da Galeria de Arte Carlo Barbosa do CUCA/UEFS, atuando como coordenadora desde a sua fundação, 1998. Também, participou da criação do Museu-Galeria Caetano Veloso em Santo Amaro da Purificação. Possui Curso de Formação em Crítica de Arte, pela Galeria Atrium, proferido pelo Prof. Dr. Aldo Trippodi d...
 
 
Publicado em 31/8/2010 17:08:35 | Comentários (0) Share
Cerâmica de Irará em exposição no Intituto Mauá Pelourinho

Caboré de barro

Foto: foto divulgação
Em exposição, até o dia 30 de setembro de 2010, a exposição “Potes e caborés: cerâmica de Irará”, mostrando ao público da cidade de Salvador, a história, os saberes culturais e a diversidade artística das artesãs e das peças de cerâmica produzidas no município de Irará (BA).
Não se pode determinar a origem e a antiguidade da cerâmica popular na região. Existem evidências difusas que apontam para a associação da cerâmica com as denominadas “matrizes” da formação cultural brasileira. Uma delas faz referência aos Paiaiá, grupo indígena da nação Cariri, ocupantes da região desde épocas anteriores à chegada da colonização européia. Por outro lado, não há como ignorar a afra descendência, tendo em vista a forte presença na cultura local de uma série de características que a associam à origem negra da população. Os ceramistas de Irará, concentrados em três comunidades rurais: Lajes (Açougue Velho), Mangueira e Caboronga, constituem uma população de pele negra, bastante homogênea. Atualmente, totalizam vinte e três ceramistas tradicionais divididos entre estes povoados.
O fato é que a cerâmica de Irará, independente de sua origem, está tradicionalmente voltada para atender às necessidades da população regional, integrando o inventário dos bens domésticos de guarda, preparo e consumo de alimentos. Geração após geração, o saber tecnológico vem aperfeiçoando forma e dimensão, definindo um repertório básico de exemplares como aribé ou tacho, pote, caboré, engana-gato, prato, caqueiro, cuscuzeiro, fogareiro, frigideira, moringa, panela, porrão, travessa, sopeira e trempe.
A matéria prima é obtida em fazendas próximas das comunidades artesanais, em região de serra, cedida pelos proprietários das terras. A retirada e o transporte do barro, em sacos, nas costas, ou em caçuás, em lombo de burro, são, de modo geral, tarefas masculinas, embora muitas mulheres também delas se ocupem quando os homens do grupo familiar estão ausentes ou voltados para outras atividades, como o cultivo da agricultura doméstica.
A realização é do Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart) e do Programa Mais Cultura, vinculados ao Ministério da Cultura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) e Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (Acamufec). A exposição é conjunta ainda com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia (IPAC), órgão da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA). A parceria institucional e apoio financeiro é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, no Pelourinho está situado na Rua Gregório de Matos, 27, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Visitação de segunda a sexta, das 9h às 17 horas.



 
 
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