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Publicado em 30/8/2010 09:03:20 | Comentários (0) Share
Ceitil de respeito | Por Bruno Peron

O nascimento traz um paradoxo: a aurora da existência material, cujo fenômeno é tão divino quanto mal compreendido, acompanha a necessidade gradual de cada quem livrar-se de alguns vícios culturais e conquistar parâmetros de respeito a si e ao próximo.

Muitos abandonam religiões de berço por discordar de suas doutrinas, apesar da imposição do batismo; outros mudam hábitos alimentares por entender finalmente que o que comem está distante de ser salutar; há os que não veem esperança na classe dirigente de seu país porque as escolhas se fazem pela imagem e não a proposta.

Os debates cronometrados de candidatos a cargos executivos nas eleições vindouras no Brasil mostram que poucos têm propostas sólidas e viáveis, as ofensas e réplicas pessoais são constantes e velhos discursos reincidem e ignoram o caminho decente da inserção internacional inescusável do país, que se tem feito com a subserviência do povo.

Nações que se fecham, cedo ou tarde, esbarram com a necessidade de sua própria sociedade de articular-se com o mundo. O Japão transitou de um regime feudal à abertura da Era Meiji na segunda metade do século XIX; logo converteu-se numa potência mundial. Cuba recentemente flexibilizou as regras para o empreendedorismo privado e não se abre mais ao mundo devido ao embargo covarde levantado pelos Estados Unidos desde fevereiro de 1962.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, a despeito da resistência de Brasil e Turquia, autorizou o reforço de um pacote de sanções econômicas ao Irã. A medida partiu da pressão de países que têm interesse estratégico na região e não pouparam comentários ardilosos e criminosos para o isolamento do país dirigido por Mahmoud Ahmadinejad. O dignitário encontrou um dilema: ou elabora um programa nuclear (para fins pacíficos, por conseguinte) ou terá o mesmo fim de Afeganistão e Iraque.

A propósito, descobriram uma jazida petrolífera de aproximadamente 1,8 bilhão de barris no norte do Afeganistão, onde geólogos estadunidenses participam da exploração da zona. O país dispõe também de reservas inexploradas de metais e minerais, como ouro e lítio.

O lítio é matéria-prima de baterias, a tecnologia do futuro. Quando se popularizar o veículo automotor movido a eletricidade, de qual se tem falado mais ultimamente, o lítio será o insumo fundamental assim como já o é para computadores portáteis e telefones móveis.

Ainda há os que creem na boa intenção de euânus e aliados picaretas e impostores que reúnem orçamento militar elevadíssimo para invadir países a fim de garantir os "direitos humanos" no outro lado do mundo. Muitos se encantam com os discursos de que aqueles agentes tinhosos asseguram a "paz" e a "estabilidade" em países recalcitrantes. Talvez a dos bolsos dos que autorizaram a quebra da auto-determinação dos povos e o massacre de quem não tinha um Stallone ou um Schwarzenegger para defendê-los com armas de última geração.

Há um estado de coisas que só o tempo permite abandonar ou adotá-las, como se expôs noutro momento, ainda que o nascimento dificulte a libertação do caldo cultural deturpado. Que tal abandonar a irresponsabilidade com a natureza e adotar o respeito à vida?

Trabalhadores hondurenhos fazem greve em resposta à política de paralisação salarial do governo golpista de Porfirio Lobo e aos custos cada vez mais elevados da cesta básica e a atenção sanitária. Era de se esperar uma atitude similar por parte da base do presidente deposto Manuel Zelaya, uma vez que a democracia não agrada a todos os interessados no poder.

Enquanto isto, um informe do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) indica que houve um aumento de 85% do número de incêndios florestais no Brasil de 2009 a 2010. O estado mais afetado é Mato Grosso do Sul e as causas principais - dizem com toda convicção - são a estiagem e o desmatamento em áreas agrícolas.

Acontecimentos e processos que dificultam a resolução de problemas que já são difíceis na América Latina estimulam-nos o desejo de voltar a ser criança, sonhar, criar, desafiar e imergir na ingenuidade de um mundo decadente, mas que nos induz a aceitá-lo do jeito que é. Ainda bem que dispomos de livre-arbítrio, pelo qual temos a chance de discordar!

Caramba! Aonde querem chegar os que não respeitam nem a si próprios?

A bobina desta novela tem que chegar ao fim.

 
 
Fonte: Bruno Peron | z94@brunoperon.com.br
 
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