Para revista The Economist, presidente Dilma Rousseff aos poucos toma caminho próprio e deixa marca

Presidenta Dilma Rousseff durante reunião de coordenação no Palácio do Planalto, em 3 de janeiro de 2011.
Presidenta Dilma Rousseff durante reunião de coordenação no Palácio do Planalto.

A presidente Dilma Rousseff se distancia de seu antecessor, imprime estilo próprio ao governo e pode estar preparando uma agenda ambiciosa, afirma a tradicional revista The Economist, em edição que chegou às bancas na noite de quinta-feira. Sob o título “Sendo ela mesma”, o texto destaca que, sem gestos bruscos, a presidente vem emergindo da sombra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “predecessor e patrono”, “para remodelar o estado brasileiro a seu próprio jeito”

Com uma ilustração que mostra a presidente Dilma Rousseff dirigindo um ônibus que entra em uma rua chamada Dilma’s Way (Caminho de Dilma), com membros de seu gabinete sendo arremessados para fora do veículo e o ex-presidente observando um Lula um tanto intrigado, a The Economist destaca os princípios firmes, o perfil mais técnico, a lealdade a aliados e o toque feminino como traços principais do atual governo brasileiro.

A revista destaca que, embora tenha mantido a composição – e muitos ministros – de Lula, a presidente demitiu sete ministros por suspeita de corrupção, “depois de defendê-los inicialmente”. E, embora tenha escolhido seus sucessores, manteve certo pragmatismo – traço de Lula – como no caso da substituição de Mario Negromonte no Ministério das Cidades. O novo titular da pasta, Aguinaldo Ribeiro, “já enfrentava acusações ao assumir”, lembra a publicação.

Agenda ambiciosa

Por outro lado, a Economist afirma que Dilma parece estar preparando terreno para uma agenda mais ambiciosa. “Muitas de suas escolhas soariam descabidas sob Lula”, pondera a publicação, antes de citar as nomeações de Eleonora Menicucci, para a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Marco Antonio Raupp, para a Ciência e Tecnologia, e Maria das Graças Foster, para a presidência da Petrobras, como sinais de que está sendo posto em prática “um programa próprio”.

The Economist

A revista diz que, em seu primeiro ano de governo, Dilma levou ao Congresso apenas uma grande reforma, a Desvinculação das Receitas da União, que permite ao Executivo manejar livremente até 20% de suas receitas anuais. Mas estariam a caminho, segundo a Economist, a reforma no sistema previdenciário, a partilha dos recursos do Pré-Sal, o Código Florestal e a adoção de metas para o serviço público.

Diante deste cenário, a publicação cita a aprovação crescente, 59%, a ampla maioria na Câmara dos Deputados, onde a oposição “tem meros 91 representantes entre os 513 parlamentares”, e o crescimento econômico como fatores que podem ajudar a presidente a se livrar de aliados problemáticos e “lembrar quem manda”.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da PMSE: Campanha do São João 2026.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading