Morte de Dom Pedro II completa 120 anos: Legado do imperador ainda repercute na história do Brasil

Domingo, 05/12/2011 — A morte de Dom Pedro II, ocorrida em 5 de dezembro de 1891, completa 120 anos nesta segunda-feira. O marco histórico foi lembrado neste domingo (04/12/2011), durante missa na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, templo com vínculos históricos com a família imperial brasileira. O momento serviu para reforçar a memória sobre o governante que ocupou o trono do Império do Brasil por mais tempo, deixando legado fundamental para a construção das instituições nacionais.

Infância do imperador e papel simbólico durante o Período Regencial

Dom Pedro II tornou-se o centro de coesão do país ainda criança, após a abdicação de seu pai, Dom Pedro I, em 1831. Nesse período, o Brasil passou a ser administrado por regentes e enfrentou graves instabilidades políticas, como a Balaiada e a Guerra dos Farrapos, esta última com aspirações separatistas no Rio Grande do Sul.

Segundo o historiador Bruno de Cerqueira, do Instituto Dona Isabel I, sem a figura simbólica de Pedro II no centro do poder, o Brasil corria sério risco de fragmentação territorial. Ele afirma que, mesmo como criança, o imperador foi essencial para a preservação da unidade nacional, ao servir como referência institucional diante das revoltas.

“Sem essa criança no poder, o Brasil teria deixado de existir como nação única. Teríamos nos fragmentado em vários países”, declarou Cerqueira.

Consolidação das instituições e parlamentarismo

Dom Pedro II foi coroado imperador em 1841, aos 15 anos. Seis anos depois, implantou o regime parlamentarista no Brasil, ao delegar poderes administrativos a um presidente do Conselho de Ministros. O modelo político buscava equilíbrio entre a monarquia e os anseios por maior representatividade política.

Durante seu longo reinado, que se estendeu até 1889, o país vivenciou eventos marcantes, como:

  • A Guerra do Paraguai (1864–1870), maior conflito armado da América do Sul.

  • A abolição da escravatura (1888), sancionada pela Princesa Isabel, sua filha.

Dom Pedro II adotou posturas conciliadoras, mas firmes, que permitiram a formação e o amadurecimento de instituições políticas e jurídicas duradouras, mesmo em contextos adversos.

H2: Queda do Império e exílio na França

O Império foi encerrado por um golpe militar liderado por Deodoro da Fonseca, em 15 de novembro de 1889, instaurando a República. Dom Pedro II, já idoso e debilitado, não resistiu à deposição. Sua família, aconselhada a não reagir para evitar um conflito armado, partiu para o exílio na Europa, sendo oficialmente banida do território nacional.

“Havia risco de uma guerra civil no Rio de Janeiro. A decisão da família imperial de não resistir evitou esse cenário”, afirmou Bruno de Cerqueira.

Dom Pedro II faleceu em 05/12/1891, em Paris, vítima de pneumonia agravada por diabetes. Foi sepultado com honras imperiais oferecidas pelo governo francês. Mais de 120 mil pessoas compareceram ao funeral, embora o embaixador brasileiro tenha sido proibido de participar por ordem da República brasileira.

H2: Retorno dos restos mortais ao Brasil

Apenas em 1920, com o fim do banimento da família imperial, os restos mortais de Dom Pedro II retornaram ao Brasil. Atualmente, encontram-se no Mausoléu Imperial, na Catedral de Petrópolis (RJ), ao lado da imperatriz Teresa Cristina e de outros membros da Casa de Bragança.

H2: Reflexão histórica e legado

A vida e o governo de Dom Pedro II seguem sendo objeto de debates entre historiadores, monarquistas e constitucionalistas. Seu reinado representa uma fase de relativa estabilidade, formação de instituições e modernização da infraestrutura do país. O imperador permanece como símbolo de uma era de transição, entre a colônia e a república, marcada por tentativas de conciliação entre o tradicionalismo e os ventos do liberalismo europeu.


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