Pobreza extrema cresce no Brasil e afeta 13,5 milhões de pessoas; Fenômeno atinge principalmente população negra e mestiça, que representa 72,7% dos pobres do Brasil

Governo Bolsonaro comemora 300 dias de ampliação da desigualdade social.

Governo Bolsonaro comemora 300 dias de ampliação da desigualdade social. Parcela da população com renda de até 145 reais mensais vem crescendo nos últimos anos e já supera o número total de habitantes de países como Bolívia e Portugal, segundo levantamento do IBGE.

A pobreza extrema no Brasil atingiu no ano passado seu nível mais alto desde 2012, com 6,5% da população – cerca de 13,5 milhões de pessoas – com renda mensal de até 145 reais, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (06/11/2019) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A quantidade supera a população total de países como Bolívia e Portugal.

Desde 2014, 4,5 milhões de pessoas caíram para a pobreza extrema. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, em 2018, o percentual de brasileiros em extrema pobreza cresceu 0,1 ponto percentual (equivalente a 200 mil pessoas) em relação a 2017.

O aumento estabeleceu um novo recorde desde o início da série histórica do IBGE, em 2012, quando o número de brasileiros com renda mensal abaixo de 145 reais era de 11,3 milhões (5, 8%).

Nos dois anos seguintes, o Brasil reduziu as taxas de pobreza extrema, que chegou a 4,5%. Entretanto, a partir de 2014 esta começou a crescer devido à grave crise econômica que fez o Produto Interno Bruto (PIB) cair sete pontos percentuais entre 2015 e 2016 e cujos efeitos ainda são sentidos no país.

Pela linha definida pelo Banco Mundial, seguida pelo IBGE, são considerados em pobreza extrema aqueles que vivem com até 1,90 dólares por dia (o equivalente a 145 reais por mês).

O gerente do relatório, André Simões, enfatizou a necessidade de promover políticas públicas de combate à pobreza extrema, que afeta os mais vulneráveis ​​e os que têm menos condições de entrar no mercado de trabalho.

“Esse grupo precisa de cuidados maiores, que seriam, por exemplo, políticas públicas de distribuição de renda e para dinamizar o mercado de trabalho”, explicou.

Ele enfatizou que o valor atual dos subsídios de assistência governamental para os mais desfavorecidos, como o programa Bolsa Família, “não é suficiente para tirar as pessoas da pobreza extrema”.

Um milhão de pessoas superou a linha da pobreza em 2018, mas um quarto da população brasileira ainda permanece nessa situação, ou seja, 52,5 milhões de pessoas.

A taxa de pobreza caiu de 26,5%, em 2017, para 25,3% em 2018, percentual ainda distante do registrado há cinco anos, quando era de 22,8%.

A pobreza atinge principalmente a população negra ou mestiça, que representa 72,7% dos pobres do Brasil.

O relatório desta quarta-feira está relacionado aos dados divulgados pelo IBGE no mês passado, apontando que a desigualdade entre ricos e pobres atingiu em 2018 seu nível mais alto dentro da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), também de 2012.

O rendimento médio mensal real do 1% da fatia mais rica da população brasileira atingiu em 2018 o equivalente a 33,8 vezes o ganho obtido pelos 50% mais pobres do país, segundo o IBGE.

O 1% da população mais rica – grupo que reúne apenas 2,1 milhões de cidadãos – teve rendimento médio mensal de 27.744 reais, enquanto os 50% mais pobres – mais de 100 milhões – só ganharam 820 reais por mês.

Os números da pesquisa divulgada no mês passado indicam que os pobres ficaram mais pobres, e os ricos, mais ricos. Os 30% mais pobres do país, cerca de 60 milhões, tiveram seu rendimento médio mensal reduzido, em alguns casos em até 3,2%. Os 5% mais pobres – cerca de 10 milhões –, por exemplo, tiveram ganhos mensais de apenas 153 reais em 2018, contra 158 reais em 2017. Já o 1% mais rico viu seu rendimento aumentar 8,4%, de 25.593 para 27.744 reais, entre 2017 e 2018.

*Com informações do DW.

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