Operação Galeria: 65ª Fase do Caso Lava Jato prende Marcio Lobão, filho do ex-senador Edison Lobão

Polícia Federal deflagra Operação Galeria. A ação deflagrada nesta terça-feira (10/09/2019) é realizada em cooperação com o Ministério Público Federal e com a Receita Federal e investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, Edison Lobão, ex-senador e ex-ministro, teria recebido propinas relacionadas a contratos firmados com empreiteira para a construção de usina hidrelétrica no Pará. Márcio Lobão, filho do ex-ministro, foi preso preventivamente no Rio de Janeiro.

Polícia Federal deflagra Operação Galeria. A ação deflagrada nesta terça-feira (10/09/2019) é realizada em cooperação com o Ministério Público Federal e com a Receita Federal e investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, Edison Lobão, ex-senador e ex-ministro, teria recebido propinas relacionadas a contratos firmados com empreiteira para a construção de usina hidrelétrica no Pará. Márcio Lobão, filho do ex-ministro, foi preso preventivamente no Rio de Janeiro.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (10/09/2019), a 65ª fase do Caso Lava Jato, em Curitiba, denominada Operação Galeria. A ação é realizada em cooperação com o Ministério Público Federal e com a Receita Federal e investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo propinas pagas a um ex-senador da República e a um ex-ministro.

Segundo a PF, Edison Lobão, ex-senador e ex-ministro de Minas e Energia (governos Lula e Dilma), e seu filho Márcio Lobão teriam recebido, entre 2008 e 2014, cerca de R$ 50 milhões em propinas.

Márcio Lobão, filho do ex-senador e ex-ministro Edison Lobão, é alvo de mandado de prisão, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). A prisão é preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

O mandado de prisão preventiva contra Márcio Lobão foi cumprido nesta manhã. O filho do ex-ministro foi capturado no Rio de Janeiro. Segundo a PF, ele seria o responsável pelo ajuste de pagamentos e a coleta das propinas. Ele será conduzido para a Superintendência Regional de Polícia Federal no Paraná.

A defesa de Edison Lobão e do filho Márcio não se manifestou sobre as acusações.

MPF comenta sobre a 65ª fase do Caso Lava Jato

Nesta terça-feira (10) foram cumpridos mandados de busca e apreensão para aprofundar investigações sobre esquemas de corrupção e de lavagem de dinheiro relacionados à Transpetro, subsidiária da Petrobras, e à Usina Hidroelétrica de Belo Monte. As investigações apontam que, ao menos entre 2008 e 2014, Edison Lobão e Márcio Lobão solicitaram e receberam propinas dos grupos Estre e Odebrecht da ordem de R$ 50 milhões. Evidências indicam que os atos de lavagem se estendem até 2019.

Além dos crimes de corrupção relativos à participação da Odebrecht no contrato de construção da Usina de Belo Monte, objeto de acusação anterior pela força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (ação penal nº 5036513-15.2019.404.7000), a operação investiga benefícios em mais de 40 contratos, cujo valor chega a cerca de R$ 1 bilhão, celebrados pelas empresas Estre Ambiental, Pollydutos Montagem e Construção, Consórcio NM Dutos e Estaleiro Rio Tietê.

Nos esquemas criminosos, as provas indicam que as propinas foram entregues em espécie em escritório advocatício ligado à família Lobão, localizado no Rio de Janeiro. Nesse sentido, foram obtidos depoimentos de colaboradores, registros de ligações e reuniões entre os investigados, e registros em sistemas de controle de propinas.

As medidas cautelares cumpridas hoje também objetivam aprofundar possíveis operações de lavagem de dinheiro capitaneadas por Márcio Lobão. O esquema investigado inclui aquisição e posterior venda de obras de arte com valores sobrevalorizados, simulação de operações de venda de imóvel, simulação de empréstimo com familiar, interposição de terceiros em operações de compra e venda de obras de arte, e movimentação de valores milionários em contas abertas em nome de empresas offshore no exterior. No período das transações, foi possível verificar um incremento em seu patrimônio de mais de R$ 30 milhões. Por isso, também são alvo dos mandados de busca e apreensão endereços de galeria de arte e de agentes financeiros que atuavam junto a bancos, como o Julius Bär, gerindo contas de Márcio Lobão no exterior.

Segundo o MPF, as fortes evidências do envolvimento de Márcio Lobão, por longo período, em diversas operações de lavagem de capitais e em crimes de corrupção relacionados a diferentes obras públicas e grupos empresariais, bem como os indicativos de que permanece, ainda em 2019, praticando atos de lavagem de dinheiro, motivaram a decretação da prisão preventiva. A medida revela-se imprescindível para garantir a ordem pública e econômica, evitando-se a continuidade e a reiteração criminosa, bem como para garantir a aplicação da lei penal.

A investigação

A Operação Galeria investiga os possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, decorrentes do pagamento de vantagens indevidas, relacionadas a contratos de uma organização global, com forte atuação no país como empreiteira, para a construção de usina hidrelétrica no estado do Pará. Investiga-se, também, na presente ação, contratos de grupo empresarial que atua no ramo de serviços ambientas com empresa de logística no ramo de combustíveis (empresa responsável pelo transporte e logística do combustível dentro do território nacional e operações de importação e exportação de petróleo e de derivados).

A suspeita é de que um ex-senador da República e ex-Ministro teria recebido propinas dos grupos empresariais envolvidos e os valores indevidos teriam sido incorporados, com o decorrer do tempo, ao patrimônio dos investigados por meio de complexas operações de lavagem de dinheiro, tais como transações sobrevalorizadas de obra de artes, inclusive em nome de laranjas, simulações de compra e venda de imóveis, simulação de empréstimos, depósitos fracionados em espécie e utilização de contas e transações financeiras no exterior.

O ajuste de pagamentos e a coleta de tais propinas, atribuídas ao ex-senador/ex-ministro investigado, teriam ficado a cargo de um filho dele, o qual teria recebido indevidamente mais de dez milhões de reais pagos pelo grupo econômico investigado e pela construtora envolvida, com intermediação de um ex-presidente da empresa de logística no ramo de combustíveis. Já o crime de branqueamento de capitais teria contado também com a participação de um irmão do ex-senador/ex-ministro.

Cerca de 70 Policiais Federais e 18 Auditores da Receita Federal cumprem 11 mandados de busca e apreensão e 01 mandado de prisão preventiva nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

O nome da operação remete às transações com obras de arte que teriam sido utilizadas como forma de dar aparência lícita aos valores provenientes de vantagens indevidas.

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