Após ofensas de Jair Bolsonaro e membros do desgoverno extremista de direita, filha da primeira-dama da França lança campanha contra misoginia

Primeira-dama da França, Brigitte Macron, ao lado da filha Tiphaine Auzière. Filha reagiu às ofensas do presidente Jair Bolsonaro e dos ministros Paulo Guedes e Abraham Weintraub proferidos contra a mãe. Governo Bolsonaro é marcado por debilidade mental e verbal.

Primeira-dama da França, Brigitte Macron, ao lado da filha Tiphaine Auzière. Filha reagiu às ofensas do presidente Jair Bolsonaro e dos ministros Paulo Guedes e Abraham Weintraub proferidos contra a mãe. Governo Bolsonaro é marcado por debilidade mental e verbal.

Em um vídeo divulgado na noite de sexta-feira (06/09/2019), Tiphaine Auzière apareceu com uma folha impressa que mostra uma reportagem do jornal Le Monde sobre a fala de Paulo Guedes, ministro da Economia do Desgoverno Bolsonaro, que disse na última quinta-feira que a primeira-dama francesa é “feia mesmo”.

“Estamos em 2019 e dirigentes políticos ainda têm como alvo o físico de uma mulher que é uma personalidade pública. Isso ainda existe? Sim”, afirmou no vídeo Auzière, uma advogada de 35 anos que é filha do primeiro casamento de, Brigitte Macron, primeira-dama da França.

Sem citar diretamente Bolsonaro, Guedes e sua mãe, ela disse que essa é uma oportunidade para que as pessoas se mobilizem contra a misoginia.

“Vamos juntos, a partir de amanhã, reagir, nos engajar dentro de nossas famílias, no nosso trabalho e nas urnas para denunciar os misóginos.”

Ela também afirmou que o comportamento de Bolsonaro e de Guedes não é exclusivamente brasileiro e que a França nem sempre é um exemplo nessa área.

“Não estamos aqui para dar lição em ninguém, pois a França não está livre disso”, disse.

Em seguida, ela lembrou que em 2012 a então ministra francesa da Habitação, Cécile Duflot, foi alvo de comentários machistas e assobios por parte de deputados quando discursou com um vestido florido na Assembleia Nacional do país. Auzière ainda citou o caso de uma deputada que em 2013 foi interrompida enquanto discursava por um deputado que imitou o cacarejar de galinhas.

Auzière concluiu o vídeo exibindo um cartaz com os dizeres #Balancetonmiso (denuncie o seu misógino).

No mesmo dia, em entrevista ao jornal Le Parisien, Auzière disse que tomou a iniciativa de publicar o vídeo por iniciativa pessoal. “Diante dessas notícias, como mãe de uma menininha, filha de uma mãe insultada e advogada que defende mulheres, eu tive vontade de me manifestar contra a misoginia e o sexismo ordinário”, disse ao jornal.

No dia 29 de agosto, Brigitte Macron já havia se manifestado sobre as falas de Bolsonaro. Na ocasião, ela agradeceuo apoio que recebeu de brasileiros que não concordaram com a atitude do presidente.

“Apenas queria dizer duas palavras para os brasileiros e as brasileiras, em português: Muito obrigada! Muito, muito obrigada a todos que me apoiaram”, disse a primeira-dama, durante uma cerimônia em Azincourt, no norte da França.

Escalada de ofensas

No dia 24 de agosto, em meio a uma escalada de tensão envolvendo as queimadas na Amazônia entre Bolsonaro e o marido de Brigitte, o presidente francês Emmanuel Macron, o chefe de Estado brasileiro endossou um comentário sexista contra Brigitte.

No Facebook, um seguidor de Bolsonaro publicara uma montagem que comparava a aparência de Brigitte com a da primeira-dama brasileira, Michelle, quase 30 anos mais jovem que a francesa, que tem 66 anos. “É inveja presidente, do Macron, pode crê”, disse o seguidor.

Logo abaixo, Bolsonaro escreveu “Não humilha, cara. Kkkkkkk”, endossando o comentário sexista, que sugeria que Macron vinha criticando o brasileiro por invejar seu casamento. Bolsonaro está na sua terceira união e Michelle é 27 anos mais jovem que ele.

Após o comentário repercutir negativamente, vários usuários brasileiros, entre eles celebridades, começaram a publicar mensagens com a hashtag #DesculpeBrigitte no Twitter.

Durante a reunião do G20, em agosto, o presidente francês se manifestousobre a ofensa.  “O que posso dizer? É triste, é triste para ele, primeiramente, e para os brasileiros. Penso que os brasileiros, que são um grande povo, têm um pouco de vergonha de ver esse comportamento. Tenho muito respeito e admiração pelo povo brasileiro, e espero muito rapidamente que eles tenham um presidente que se comporte à altura [do cargo]”, disse o francês.

Diante da repercussão negativa, Bolsonaro apagou o comentário sobre Brigitte no Facebook. Ele ainda tentou minimizar sua resposta na publicação ofensiva afirmando que não se tratava de um ataque a Brigitte.

O assunto parecia ter esfriado, mas na última quinta-feira foi a vez de o ministro da Economia, Paulo Guedes, lançar novos insultos, desta vez mais diretos. Durante um evento em Fortaleza, Guedes afirmou: “O Macron falou que estão colocando fogo na Amazônia. O presidente [Bolsonaro] devolveu, falou que a mulher do Macron é feia. O presidente falou a verdade, ela é feia mesmo. Mas não existe mulher feia, existe mulher observada do ângulo errado. E fica essa xingação”, disse Guedes.

A plateia do evento riu da fala do ministro. Mais tarde, diante da repercussão, Guedes se desculpou e disse que fez o comentário porque é um “brasileiro típico”. “Eu sou um brasileiro típico, eu piso na jaca, eu rolo na lama. Eu estou há duas horas aqui e tentando não pisar. Quando eu vejo que vou pisar, até mudo a postura.”

*Com informações da RFI.

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