Todas as pistas levam à Jair Bolsonaro: a Justiça brasileira ainda não esclareceu quem mandou matar Marielle Franco, aborda reportagem da CNN

Reportagem da CNN Chile vincula suspeita de mandante do assassinato de Marielle Franco com presidente Jair Bolsonaro.

Reportagem da CNN Chile vincula suspeita de mandante do assassinato de Marielle Franco com presidente Jair Bolsonaro.

Reportagem da Cable News Network no Chile (CNN) veiculada na quinta-feira (15/08/2019) aborda o assassinato da vereadora Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco, PSOL) ocorrido no dia 14 março de 2018, em um atentado na cidade do Rio de Janeiro,  com disparo de 13 tiros contra o veículo no qual ela estava, matando, também, o motorista Anderson Pedro Gomes.

Segundo a reportagem da CNN, com título ‘Todas as pistas que levaram à Jair Bolsonaro: Justiça brasileira ainda não esclareceu quem mandou matar Marielle Franco’, cinco pontos ligam a morte da militante comunitária de esquerda com o presidente do Brasil, o extremista de direita, misógino, defensor das milícias e sectário Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

No contexto dos fatos, na sexta-feira (16/08/2019), o jornalista Antônio Werneck publicou reportagem no Jornal O Globo com título ‘Raquel Dodge pede ao STJ acesso ao inquérito sobre possíveis irregularidades na investigação do caso Marielle’.

Raquel Dodge é a procuradora-geral da República (PGR). Segundo a reportagem, ela enviou Ação Cautelar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) requisitando a íntegra da apuração da Polícia Federal (PF). O propósito do pedido é assegurar o acesso a informações que possibilitem instruir Procedimento Preparatório de Incidente de Deslocamento de Competência (PPIDC).

Em 2018, a PGR pediu a transferência de competência das investigações da Justiça Estadual para a Justiça Federal, mas o pedido acabou arquivado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Instaurada em novembro de 2018, a investigação teve como objetivo a apuração de crimes como organização criminosa, fraude processual, exploração de prestígio, falsidade ideológica, entre outros.

Na época, Raquel Dodge requisitou a instauração do inquérito ao Ministério da Segurança Pública após ser informada da existência de indícios de obstrução à investigação do duplo homicídio. As informações foram repassadas ao Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Norte por duas pessoas, uma delas, que está no presídio federal em Mossoró, e que já foi ouvida pelo MPF.

Menciona, também, o fato de a instituição ter apresentado, em março de 2019, denúncia contra Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz, apontados como os executores dos homicídios qualificados.

Raquel Dodge enfatiza que, passados quase seis meses da denúncia e praticamente um ano e meio dos crimes, não se têm notícias da identificação dos mandantes e nem de providências para a responsabilização criminal dessas pessoas.

“A impunidade dos mandantes é manifesta”, resume Raquel Dodge um dos trechos do documento. Complementa que várias perguntas seguem sem respostas e, em que pese o fato de ter requerido a instauração de inquérito para apurar eventuais falhas na investigação, a PGR não teve acesso às informações. Em julho, seguindo parecer do MP estadual, a 28ª Vara Criminal do Rio de Janeiro negou o compartilhamento do inquérito solicitado.

Interferência política e favorecimento

Em março de 2019, outro episódio evidenciou a obstrução da investigação ocorrida no Rio de Janeiro. Responsável pela condução das investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, o delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, anunciou que estava deixando o caso. Isso ocorria logo após ter identificado os autores do assassinato e de ter revelado os primeiros indícios que os ligava a família do presidente Jair Bolsonaro.

A suspeita é que o aliado de Jair Bolsonaro, governador do Rio de Janeiro, o extremista de direita Wilson Witzel (PSC), tenha atuado para afastar o delegado Giniton Lages das investigações. O governador nega a acusação, mas os fatos atuais indicam outra direção.

Desmobilização da PF e RF

Em episódio recente, ocorrido nesta segunda semana de agosto de 2019, o presidente Jair Bolsonaro determinou que representantes dos comandos da Polícia Federal (PF) e Receita Federal (RF) no Rio de Janeiro fossem mudados por aliados.

Comentários na imprensa indicam que o movimento do extremista Jair Bolsonaro objetiva instrumentalizar o aparato estatal com a finalidade de impedir que investigações realizadas pelas instituições do Estado alcançem familiares e o próprio governante.

Representações da PF e RF declararam não aceitar a intervenção do presidente da República.

Outra frente de resistência aos desmandos de Jari Bolsonaro partiu de membros do Congresso Nacional, com a promessa de aprovar um legislação que permita autonomia da Polícia Federal.

Problema de polícia

Os episódios que unem a família Bolsonaro a problemas com a polícia parecem não estar circunscritos apenas ao lado paterno. Na sexta-feira (16), a reportagem de Hugo Marques e Nonato Viegas publicada na Revista Veja aborda o lado obscuro da família de Michelle Bolsonaro, primeira-dama do Brasil.

Com título ‘O drama de Michelle: avó traficante e mãe acusada de falsificação’, a matéria revela aspectos pouco conhecidos da família da esposa do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), a exemplo do “tio predileto da primeira-dama, preso sob suspeita de integrar milícia”.

Confira tradução da reportagem da CNN ‘Todas las pistas que llevarían a Bolsonaro: Justicia brasileña aún no aclara quién mandó a matar a Marielle Franco’

Este 14 de março de 2019 completou ano desde o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro. Dois dias antes, a polícia brasileira conseguiu capturar os perpetradores do crime: dois ex-policiais que fazem parte de uma milícia na mesma cidade. Não há evidências para esclarecer quem ordenou sua morte, mas uma série de pistas apontam para o presidente brasileiro.

Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) foi eleita vereadora do Município do Rio de Janeiro pelo PSOL, com 46.502 votos. No dia 14 março de 2018, ela foi assassinada em um atentado ao carro onde estava. 13 Tiros atingiram o veículo, matando, também, o motorista Anderson Pedro Gomes.

Ao longo desta quinta-feira (15/08/2019), diferentes praças e ruas do Rio de Janeiro foram o ponto de encontro de numerosos grupos de pessoas, que chegaram com banners, flores e cartazes com homenagens que exigiam justiça para Marielle Franco, vereadora daquela cidade que Um ano atrás, ela foi morta a tiros com seu motorista, Anderson Gomes .

Feminista, lésbica, negra e filha da favela, como se descrevia, Franco tinha 38 anos, foi eleita em 2016 com a quinta maioria, e seu homicídio remonta a 14 de março de 2018, quando um homem armado Ele atirou várias vezes no carro em que estava viajando depois de sair de um evento de trabalho.

Dois dias antes do primeiro aniversário, na terça-feira, 12 de março, a polícia brasileira capturou dois policiais militares que seriam os supostos assassinos :  Ronnie Lessa , 48, que atirou 13 vezes no veículo, e  Elcio Vieira de Queiroz , 46 , que estava dirigindo o carro em que seu parceiro estava.

Ambos faziam parte do  Crime Office, um grupo de assassinos ligados a uma milícia do bairro de Rio das Pedras , na parte oeste do Rio de Janeiro, e de acordo com investigações dos promotores, o ataque foi planejado em detalhes por três meses e Ele foi motivado pela ação política do vereador, conhecido por enfrentar e denunciar as ações desses grupos paramilitares nas favelas.

A polícia assegurou que a autoria material do crime é esclarecida, mas, em contraste, não há provas para orientar quem a enviou para matar. No entanto, há várias pistas que apontam para uma figura altamente conhecida: o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro .

1. O assassino morava no mesmo condomínio que Bolsonaro

Ronnie Lessa, ex-policial que teria dado os tiros, morava no condomínio Vivendas da Barra, no bairro da Barra da Tijuca. Curiosamente, Jair Bolsonaro também tem uma casa neste condomínio, e seu filho Carlos Bolsonaro, o motorista e figura de proa de Flávio Bolsonaro,  Fabrício de Queiroz, e outros conselheiros para as primeiras vidas do presidente.

Naquele mesmo bairro foi montado o QG da campanha presidencial de Bolsonaro.

2. filha do assassino era a namorada de um filho de Bolsonaro

Outro antecedente que surgiu associado ao anterior é que o filho de Bolsonaro, Jair Renán, 20, era o namorado da filha de Lessa, o assassino. Quando perguntados sobre o assunto, os promotores descartaram que tais informações fossem importantes, de acordo com a Red Harvest .

3. Quem dirigia o carro tinha uma foto com Bolsonaro

Uma foto divulgada pela mídia brasileira mostra o presidente Jair Bolsonaro abraçando o ex-policial Elcio Queiroz, o motorista do carro de onde foram baleados os tiros que mataram Marielle e Anderson, segundo relatório do jornalista Bruno Bimbi publicado pela TN .

Ambos sorriem para a imagem, que originalmente foi publicada por Queiroz em sua conta do Facebook. Quando perguntado sobre o assunto, Bolsonaro explicou que tirou fotos com muitos policiais e, na mesma entrevista coletiva, disse que nem conhecia Marielle antes de seu assassinato, apesar do fato de seu filho Carlos também ter sido eleito vereador do Rio.

4. O chefe da milícia trabalhou para o filho de Bolsonaro

Há algumas semanas soube-se que a mãe e a esposa de um suspeito do Departamento de Crimetrabalhavam no escritório de Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do presidente e que agora é senador pelo Rio de Janeiro. Ambos trabalhavam para o parlamentar desde seu tempo como senador.

Este é  Adriano Magalhães da Nóbreg a, que era capitão da polícia militar e atualmente é fugitivo desde fevereiro passado.

Leia também: Filho de Bolsonaro reconhece que ele contratou parentes do principal suspeito no assassinato de Marielle Franco

5. O problema das milícias

As milícias são máfias formadas por policiais civis, militares e bombeiros aposentados e ativos, que controlam parte dos territórios do oeste do Rio de Janeiro.

Em suas origens, foram catalogados pela imprensa e por alguns políticos como  “grupos de autodefesa”, porque expulsaram ou mataram os traficantes e tomaram o controle territorial das favelas. No entanto, atualmente os bairros controlados por esses grupos operam praticamente como  um estado paralelo,  onde lidam com áreas como transporte, venda de gás, ligações ilegais de eletricidade, internet e mercado imobiliário.

Tanto o presidente quanto seus filhos são defensores das milícias há anos.

*Com informações da CNN Chile e do Jornal O Globo.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).