O paciente brasileiro: O governo Bolsonaro não se importa com os incêndios | Por Philipp Lichterbeck

Jair Bolsonaro, presidente da República do Brasil. Visto de fora, o Brasil parece um hospício em chamas, abandonado pela razão e pela civilidade, e onde os loucos não são os pacientes, mas os diretores.

Jair Bolsonaro, presidente da República do Brasil. Visto de fora, o Brasil parece um hospício em chamas, abandonado pela razão e pela civilidade, e onde os loucos não são os pacientes, mas os diretores.

À distância, geralmente se veem as coisas mais claramente. Eu estou na Alemanha há duas semanas. Quando olho daqui para o Brasil, vejo um país que está doente. Um país que está em luta consigo mesmo. Um país que se sabota e se autodestrói. Um país ameaçado de se tornar louco.

O Brasil está queimando, literalmente. Os incêndios surgem porque está cada vez mais seco e mais quente, pois na bacia sul da Amazônia há cada vez menos floresta intacta e úmida devido ao desmatamento. Isso facilita o trabalho criminoso dos grileiros, fazendeiros e pecuaristas que põem fogo no próprio país.

E o governo? Ele não se importa com os incêndios – mas com a imagem do Brasil. Ele não se importa com as leis e escusa os incendiários. Ele não se importa com o ar, a água, as florestas e os animais do Brasil. Ele não se importa com os fatos, e, em vez disso, difama os cientistas. Ele também parou de se preocupar com seus próprios apoiadores: os fazendeiros e o agronegócio.

Eles seriam os grandes vencedores do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Mas agora o governo está fazendo todo o possível para impedir que o acordo seja ratificado pelos europeus. Insultar o presidente da França não vai ajudar mesmo.

Bolsonaro destrói todos os dias a imagem do Brasil no mundo. Parece que ele não se importa com mais nada agora. Com quase nada.

Ele se preocupa em colocar um filho em um lucrativo cargo de embaixador que ele não merece. Ele cuida de proteger outro filho da Justiça, embora todos saibam que ele coopera com a máfia. Ele enfraquece a luta contra a corrupção e destrói as carreiras de cientistas. Ele enfraquece deliberadamente órgãos estatais como o Ibama. Ele insulta chefes de governo da Europa. De qualquer forma, é isto o que ele faz melhor: xingar. O presidente do Brasil é hoje conhecido mundialmente por seus palavrões e suas piadas de mau gosto.

São sinais claros de uma derrocada. De fora, o Brasil parece um hospício, abandonado pela razão e pela civilidade. Portanto, não é de admirar que o número de doentes mentais no Brasil tenha aumentado. Os psiquiatras relatam haver cada vez mais ansiedade extrema e depressão. Mas não são os pacientes que são loucos, e sim os diretores da clínica. É uma tropa de pervertidos, sádicos e oportunistas.

Eles chegaram ao poder com mentiras. Eles prometeram implementar mais severamente as leis, combater a corrupção e tornar o Brasil “grande novamente”. E agora? O governo desculpa infratores da lei. Ele protege os corruptos. E permite que seja destruído aquilo que faz o Brasil grande e único: a Amazônia.

*Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para os jornais Tagesspiegel (Berlim), Wochenzeitung (Zurique) e Wiener Zeitung. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

*Publicado no Deutsche Welle (DW), em 28 de agosto de 2019.

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