EUA pressionam por deportação de brasileiros; Mediocridade diplomática do Governo Bolsonaro pode custar caro ao Brasil

A dupla de néscios do extremismo de direita, Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores e Jair Bolsonaro, presidente da República, protagonizam festival de estultice na diplomacia internacional.

A dupla de néscios do extremismo de direita, Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores e Jair Bolsonaro, presidente da República, protagonizam festival de estultice na diplomacia internacional.

Denúncias recentes dão conta de que o Brasil estaria facilitando a deportação de brasileiros dos Estados Unidos sob pressão de Washington. Especialista analisaram a questão.

Segundo publicou a agência Reuters, três funcionários do governo brasileiro teriam afirmado que a Polícia Federal brasileira deu permissão para que brasileiros sejam deportados dos EUA sem passaporte.

Para analisar a questão, Denilde Holzhacker, especialista em políticas das Américas e professora de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP), abordou o assunto.

A professora reconhece que há uma pressão comum dos EUA nesse sentido e que isso se intensificou no governo do presidente Donald Trump.

“Há uma percepção pelos dados de um aumento da pressão e da deportação de brasileiros. É um grupo bastante alto de pressão, de deportações, que foge da média um pouco do que a que gente tinha visto nos anos anteriores”, afirma Holzhacker em entrevista .

A pesquisadora também aponta que há no governo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, uma retórica parecida com a de Trump.

“Agora nessa nova mudança de governo, em que a retórica de apoio a essas deportações já vinha desde a eleição, mas que agora faz também com que facilite a posição americana, tendo o governo do lado brasileiro mais aberto e flexível a considerar essas deportações legais”, diz.

Holzhacker afirma que a admiração de Bolsonaro a Trump e o alinhamento de sua política foge da tradição diplomática brasileira.

“Essas ações e até essa visão positiva, fogem da tradição da política externa brasileira, mas ela está alinhada com o discurso, sim, não só do presidente como do chanceler [Ernesto Araújo]”, acrescenta.

Esse compartilhamento de visões entre membros do governo brasileiro com os EUA se confirma especificamente na política migratória, diz a pesquisadora.

“Não é só um alinhamento de políticas, mas também um compartilhamento de visão sobre o que deve ser feito em casos de imigrantes ilegais. O que é visto, e há declarações não só do presidente como do filho que vai ser indicado como embaixador [nos EUA], o deputado Eduardo Bolsonaro, de que isso é uma vergonha para o Brasil, ao invés de uma defesa do cidadão brasileiros que está no exterior”, pondera a pesquisadora.

Pressão dos EUA derruba ideia de boa relação com Bolsonaro?

O governo de Jair Bolsonaro tem usado a relação de amizade com os EUA de forma a promover sua imagem. No entanto, a pressão dos EUA pela deportação de brasileiros também poderia ser vista como um ponto negativo nessa relação. Para Holzhacker, essa questão mostra uma relação positiva para Washington.

“Do ponto de vista do governo americano realmente é a melhor das relações. Um governo de pouca resistência em termos de questões, tópicos considerados importantes, como a questão migratória”, afirma.

Em relação ao lado brasileiro, a pesquisadora acredita que o governo Bolsonaro tem praticado uma política com os EUA repleta de concessões.

“A grande questão é, e acho que a crítica maior, é que é uma relação de uma mão só. O Brasil tem feito muitas concessões e acho que aceitar essa pressão com relação à imigração e facilitar a deportação é uma delas”, afirma.

Holzhacker também descreve que o Brasil tem sido bastante flexível na relação com os EUA, de uma forma que difere inclusive do presidente antecessor, Michel Temer.

“Há uma certa visão quase que ingênua dos formuladores da política externa brasileira atual, que acreditam muito nessa relação e têm colocado muitos esforços, inclusive, nessa mudança de paradigma”, comenta.

Ingenuidade diplomática pode custar caro ao Brasil

Para a pesquisadora, essa relação com os EUA de “mão única” tende a trazer desvantagens para o Brasil.

“A História das relações bilaterais mostra que em vários momentos da História em que aconteceu essa visão tão aberta e quase ingênua da posição brasileira, ela não significou benefícios diretos, e muitas vezes até em decepções com relação a esse relacionamento entre Brasil e Estados Unidos”, aponta.

A pesquisadora ainda afirma que essa posição abre riscos de isolamento do Brasil no cenário internacional, tendo em vista os embates EUA-China, e a perda de relevância para outros parceiros importantes.

“Não só mostra ingenuidade, como mostra que a gente poderia estar fazendo uma leitura mais ampla, e seguindo aí novamente uma tradição da diplomacia brasileira de equilibrar seus interesses em diferentes relacionamentos”, explica.

Holzhacker também afirma que essa relação atual pode ser preocupante tendo em vista que os EUA terão uma eleição presidencial em breve.

“Se acontece algum tipo de mudança, o Brasil vai ter não só perdido possíveis oportunidades com os parceiros como também vai ter que lidar com um governo que pode ter um visão bastante negativa dessa aliança tão estrita entre o Trump e o Bolsonaro”, analisa.

*Com informações da Agência Sputnik Brasil.

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