Espetáculo ‘Das ‘coisa’ dessa vida’ com atuação de Ricardo Fagundes é encenado no Teatro Sesi Rio Vermelho, em Salvador

Cena do espetáculo 'Das 'coisa' dessa vida'.

Cena do espetáculo ‘Das ‘coisa’ dessa vida’.

Em seu mais novo trabalho nos palcos, João Miguel dirige o ator Ricardo Fagundes em “Das ‘coisa’ dessa vida…” e aborda construções de gênero e imposições da sociedade. A montagem realizada curta temporada no Teatro Sesi Rio Vermelho, sábados e domingos, às 20 horas, a partir do dia 3 de agosto até o dia 1 de setembro de 2019.

Com texto de Gildon Oliveira e canção-tema do personagem composta por Rebeca Matta e Luisão Pereira, o solo dá voz a Nalde, um artista que compartilha com o público suas histórias enquanto se arruma para uma performance. Interiorano e sonhador, ele recorda que desde criança sente prazer em se fantasiar e passar horas se apresentando para plateias imaginárias. Contudo, ao perceber os olhares e comentários repressores sobre seu comportamento, tenta se enquadrar nas regras sociais para não sofrer, até que um dia, percebe que não nasceu para agradar aos outros, então decide ser ele mesmo e vai viver a vida que sempre desejou. “O personagem sai do seu interior e das catalogações impostas para poder existir”, declara João Miguel.

Ao partir em busca da sua verdade, Nalde encontra inúmeras dificuldades, mas com a habilidade daqueles que precisam sempre seguir em frente, as supera. Assim, de coração aberto, fala de seus amores, desamores, das relações familiares, crenças e também reflete sobre suas aventuras e desventuras na tortuosa estrada da vida. De acordo com o dramaturgo, a plateia deve se identificar com o personagem porque a busca dele pela construção de sua identidade tem pontos universais com as histórias individuais de cada um. “Nalde nasceu dando a cara para bater. O depoimento dele é atual e conta como ele conseguiu riscar seu espaço de liberdade e brilhar no palco”, complementa o ator.

Construção da cena

De acordo com João Miguel, a encenação em “Das ‘coisa’ dessa vida…” não seguiu o modelo convencional do teatro, pois o personagem não começou preso ao texto, mas sim da fusão de três impulsos: memórias do ator, healing (técnica de cura energética que utiliza a meditação para o autoconhecimento) e deslocamentos, ou seja, apresentações de cenas em espaços públicos. “Está no cerne da nossa criação, entrar num espaço vivo e interagir com ele”, explica o diretor. O primeiro desafio conferido a Fagundes interpretando Nalde foi dialogar com o público durante I FestVILA, intercâmbio que promove a prática de arte cênicas, na região do Cariri, interior do Ceará. Idealizado por Dane de Jade e João Miguel, o evento, realizado em julho do ano passado, reuniu 22 artistas de diversos pontos do país para apresentar solos em processos nos terreiros, como são chamados os quintais das casas dos moradores. O batismo de Fagundes aconteceu num ambiente predominante masculino, a Toca do Zé Pajé, bar localizado na cidade do Crato, durante a transmissão de uma partida de futebol na tevê. Mas a medida que apresentação foi acontecendo, ele conseguiu prender a atenção da plateia e, no final, recebeu elogios afetuosos do proprietário do estabelecimento. De acordo com Fagundes, antes o trabalho estava limitado apenas a sala de ensaio e, na Toca, percebeu que o personagem transformou o lugar. Por causa dessa apresentação, sua interpretação traz um jeito de falar da região, o sotaque e a forma de contar a história. “Formou-se a alma de Nalde no Crato”, afirma o intérprete.

Antes do personagem ganhar vida, os primeiros estímulos para a criação do solo vieram das lembranças do ator relacionadas a infância, adolescência e ao convívio familiar que foram ressignificadas através dos movimentos da dança e assim geraram novos elementos para a construção da cena. “O nosso corpo é um armazenamento de recordações de tudo que a gente vive. A gente começou a elaboração do personagem pelas memórias para saber quais eram as potencialidades e como seriam estabelecidos os códigos de jogos teatrais”, explica o diretor. Paralelo ao trabalho inicial, Gildon e Fagundes se encontravam periodicamente para conversar sobre as experimentações dos ensaios e discutir o encaminhamento do enredo. O dramaturgo conta que o texto não é biográfico: “as inspirações vieram de muitas histórias de pessoas que não se encaixam nos padrões impostos socialmente e como elas fazem para viver. Assim como em artistas que atravessaram a conjuntura cultural do país nas últimas décadas”, afirma o autor.

A estreia de “Das ‘coisa’ dessa vida…” aconteceu no dia 04 de maio de 2019, no Teatro Gamboa Nova (Salvador), onde cumpriu temporada até 26 do mesmo mês. A construção do espetáculo durou um ano e meio entre ensaios, laboratórios, finalização do texto e definições dos elementos cênicos. Durante esse período, Fagundes apresentou trechos da montagem em Salvador, nos bairros do Alto do Cabrito, Vista Alegre e Santo Antônio Além do Carmo, no interior do estado, nas cidades de Santo Amaro e Santa Maria da Vitória e também na cidade em São Paulo.  Ele relata que a todo instante ouvia do diretor a indicação de ir para rua experimentar o personagem. “A direção de João me soprou para seguir com muita liberdade para criar, E ao mesmo tempo a gente vai numa sintonia fina na construção desse caminho”, conclui Fagundes.

Trinca nordestina

“Das ‘coisa’ dessa vida…”  É encabeçado por um trio baiano. Assina o texto do solo, Gildon Oliveira também autor de filmes e séries, recentemente, teve o roteiro “Beleza da Noite” selecionado, entre 32 projetos, para virar especial de fim de ano produzido pela TV Bahia em parceria a Globo Filmes. Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestre pela mesma instituição, o baiano de Ilhéus contabiliza no currículo algumas peças teatrais, dentre elas, “Olorum”, “Ave de areia” e “Eu sou a tempestade”.

Conhecido do grande público, primeiramente, pelos trabalhos nas telonas, João Miguel (Estômago/Xingu/Cinema, Aspirinas e Urubus) tem mais de vinte filmes no currículo, muitos prêmios e críticas elogiosas. Devido ao reconhecimento de seu trabalho, vieram os convites para atuar em novelas e séries da Globo e da Netflix. Todavia, apesar da possibilidade de atingir grandes plateias através dos veículos de comunicação de massa, o baiano da capital não abandonou o teatro e, de tempos em tempos, volta a cartaz com o seu monólogo Bispo, que conta a história do artista sergipano Arthur Bispo do Rosário, com o qual já se apresentou em várias cidades brasileiras.

O ator Ricardo Fagundes iniciou a carreira no espetáculo que reinaugurou o Teatro Vila Velha, em 1998, “Um Tal de Dom Quixote”, dirigido por Márcio Meirelles. De lá para cá, o também soteropolitano trabalhou, durante três anos, com a Companhia Baiana de Patifaria em “A Bofetada” e “Capitães da areia”, e fez o circuito Caixa Cultural e SESC CE com a montagem “O grande passeio”, direção de Meran Vargens. Como dançarino, integrou a Companhia VilaDança em “Da ponta da língua a ponta do pé” e também “Aroeira”. Atualmente, ele é doutorando pelo PPGAC da Universidade Federal da Bahia.

Ficha técnica

Texto: Gildon Oliveira

Direção: João Miguel

Atuação: Ricardo Fagundes

Cenário: Zuarte Jr.

Iluminação: Luiz Guimarães

Canção-tema: Rebeca Matta e Luisão Pereira, participação de João Miguel.

Aulas de canto: Maestro Angelo Rafael

Criação gráfica: Filipe Silveira

Arte: Tita Fernandes

Fotografia: Gabrielle Guido, Jaqueline Rodrigues e Matheus Amaral.

Videomaker: Gabrielle Guido

Assessoria de imprensa e redes sociais: Maurício Ferreira

Produção: Cibele Marina e Ricardo Fagundes

Agenda

O que: ‘Das  ‘coisa’ dessa vida…’

Quando:  3 de agosto a 1 de setembro, às 20 horas

Onde: Teatro Sesi – Rio Vermelho

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