Economia opera abaixo da capacidade em todo o Brasil, aponta Banco Central; Política neoliberal do Governo Bolsonaro conduz país ao colapso

Jair Bolsonaro (PSL-RJ), presidente da República, tem destacado mérito de inapetência. Governo coleciona retrocesso socioeconômico e ambiental e economia pode entrar em colapso.

Jair Bolsonaro (PSL-RJ), presidente da República, tem destacado mérito de inapetência. Governo coleciona retrocesso socioeconômico e ambiental e economia pode entrar em colapso. Dados divulgados pelo Banco Central apontam que a economia opera abaixo da capacidade em todo o Brasil.

Segundo o Boletim Regional, o nível da atividade econômica no Norte recuou, no trimestre encerrado em maio de 2019, por conta do fraco desempenho da indústria extrativa no Pará e parcialmente compensado pelo comércio regional e pela produção do Polo Industrial de Manaus.

No Nordeste, o cenário é resultado da combinação de elevação no volume de serviços prestados e, principalmente, nas vendas do comércio, com a retração da produção das fábricas.

A atividade econômica no Centro-Oeste também registrou queda no trimestre encerrado em maio por conta da retração nos setores industriais, especialmente os segmentos da transformação e de energia e saneamento.

Já a economia da região Sudeste do país, nos últimos meses, apresentou um resfriamento no ritmo de recuperação, por conta da produção industrial – impactada principalmente pela atividade extrativa –, e pelo volume de serviços.

De acordo com o Banco Central, a evolução dos principais indicadores econômicos da região Sul reforça o processo de acomodação da atividade no primeiro semestre do ano, em linha com a trajetória observada no país.

Segundo o economista Ciro Almeida, são as reformas estruturais, unidas entre si, que vão fazer com que com que o Brasil cresça economicamente.

“A Reforma da Previdência é o primeiro passo; a medida Provisória da Liberdade Econômica também é uma agendo muito importante; na sequência também a expectativa da Reforma Tributária. Aí sim, a gente está construindo toda uma agenda reformista, que é essencial para a retomada da atividade econômica. E aí, a gente vem com outras sequências, que é a entrada de capital estrangeiro, ancoragem da expectativa de confiança, a segurança jurídica, todo este universo de agendas, de ações, são importantes para a retomada da atividade econômica sustentável do Brasil”, ressalta.

No que se refere ao mercado de trabalho, o emprego com carteira assinada dá sinais de abatimento no ritmo de expansão. Por outro lado, o recuo da taxa de desocupação e a expansão da massa de rendimentos sugerem a ampliação da demanda nos próximos trimestres, que deverá ser ampliada pela liberação de recursos das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FGTS.

Bolsonaro diz que Exército vai trabalhar em meio expediente por falta de dinheiro no governo

O governo anunciou há três semanas um corte de R$ 1,44 bilhão no Orçamento da União devido à queda da previsão do PIB para 2019, afetando diversos ministérios.

O presidente Jair Bolsonaro, ao comentar as dificuldades orçamentarias do governo, disse nesta sexta-feira (16/08/2019) que o “Brasil todo está sem dinheiro” e que o Exército vai trabalhar meio expediente para economizar.

“O Exército vai entrar em meio expediente, porque não tem comida para dar para o recruta, que é o filho de pobre. A situação que nós encontramos é grave. Não há maldade da minha parte. Não tem dinheiro, só isso, mais nada”, disse o presidente após uma cerimônia no Palácio do Planalto dedicado ao Dia Internacional da Juventude.

“O Brasil todo está sem dinheiro. Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Os ministros estão apavorados, estamos aqui tentando sobreviver no corrente ano, não tem dinheiro”, acrescentou Bolsonaro.

Em janeiro, o orçamento sancionado por Bolsonaro era de R$ 3,381 trilhões. Em março, o governo anunciou um primeiro bloqueio de R$ 29 bilhões. Em valores absolutos as áreas que sofreram maior bloqueio foram Educação (R$ 5,83 bilhões) e Defesa (R$ 5,1 bilhões).

‘Ministros estão apavorados’

Reportagem do Jornal Folha  de S.Paulo revela que com o risco de paralisia em programas federais, o presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira (16/09/2019) que a administração enfrenta uma crise financeira, o que pode afetar a oferta de bolsas de pesquisa e até a alimentação de recrutas militares.

Em entrevista, após evento no Palácio do Planalto, ele disse que o país “está sem dinheiro” e que está fazendo uma espécie de milagre com a equipe econômica para manter as contas do governo em dia, evitando um quadro mais grave.

“O Brasil inteiro está sem dinheiro. Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Os ministros estão apavorados. Estamos aqui tentando sobreviver no corrente ano. Não tem dinheiro, e eu já sabia disso. Estamos fazendo milagre, conversando com a equipe econômica”, disse.

Segundo relatos feitos à Folha, na mais recente reunião ministerial, na terça (13), o presidente recebeu reclamações de que iniciativas federais estavam sem recursos e que não seria possível cumprir metas estabelecidas no início do mandato. Em resposta, Bolsonaro disse que, no momento, não há folga orçamentária.

Nesta sexta-feira, a Folha mostrou que há risco de apagão da máquina pública, ameaçando programas ministeriais nos próximos meses por falta de dinheiro.

O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), por exemplo, informou que novas indicações de bolsas de pesquisa estão suspensas.

Como exemplo da paralisia geral, o presidente disse que as Forças Armadas devem reduzir sua carga horária devido à falta de recursos para alimentação. “O Exército vai entrar em meio expediente. Não tem comida para o recruta, que é filho de pobre. Essa situação em que nos encontramos é grave, não é maldade da minha parte, não tem dinheiro. Só isso.”

Oficialmente, o Ministério da Defesa e as Forças Armadas dizem trabalhar com a possibilidade de liberar os recursos contingenciados, embora admitam que estudam alternativas se o bloqueio se prolongar.

Para o Exército, o novo bloqueio ainda não foi formalizado. Ainda assim, a corporação trabalha com um plano de contingenciamento que vai desde a economia com água e luz até, em última instância, a repetição do cenário de 2002.

Naquele ano, o Exército precisou dispensar recrutas e mandar outros embora mais cedo para economizar. A hipótese, no entanto, é considerada remota.

Na solenidade, o presidente disse que o plano para restabelecer as contas públicas é melhorar a arrecadação e aumentar o caixa do governo com a venda de empresas estatais, leilões de energia e concessões em infraestrutura.

“Lá atrás o [ex-presidente Michel] Temer já mexeu na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Se não tivesse mexido, o Brasil estaria pior ainda. [Vamos melhorar] Privatizando e [fazendo] concessões. O Estado atrapalhando o menos possível”, disse.

O governo federal iniciou o ano com um montante previsto de R$ 129 bilhões em despesas discricionárias. Porém, o fraco desempenho da economia e a frustração na arrecadação de tributos levou a bloqueios de R$ 33 bilhões nos ministérios.

Com isso, o valor disponível em gastos não obrigatórios caiu para R$ 97 bilhões, patamar considerado baixo. Os efeitos da limitação de verbas que atingiu a maior parte dos órgãos do governo já começam a ser observados.

Em meio às dificuldades fiscais, a equipe econômica trabalha na finalização da proposta para o Orçamento de 2020, o primeiro sob a gestão Bolsonaro. Ele tende a ser ainda mais apertado que o deste ano.

O Congresso ainda não aprovou o projeto que traz as diretrizes para as finanças públicas no ano que vem.

Mesmo assim, o governo terá de apresentar a proposta final nas próximas duas semanas, já que o prazo para envio do texto ao Legislativo vence no dia 31.

Neste ano, a disponibilidade das chamadas despesas discricionárias atingiu o patamar mínimo histórico. São exemplos desses gastos, definidos como não obrigatórios, o custeio da máquina pública e investimentos.

Técnicos do Ministério da Economia acreditam que mais órgãos devem suspender serviços sob a alegação de que acabou o dinheiro, mas sem um efeito generalizado na máquina pública.

O foco da preocupação é com a situação a partir de 2020, quando, na avaliação de membros do governo, ministérios podem ficar inviabilizados.

Isso porque, enquanto as despesas obrigatórias seguirão em alta, as discricionárias serão ainda mais comprimidas, já que o país está sob a regra do teto de gastos, que impede o crescimento das despesas públicas acima da inflação.

Estudos indicam o colapso de investimentos no Brasil

Reportagem de Érica Fraga publicada no Jornal Folha de S. Paulo revela que o debate sobre o fraco crescimento do Brasil tem focado cada vez mais o colapso do investimento. Análises ressaltam que o desempenho ruim dos gastos com construção civil, máquinas e inovação tem poucos precedentes históricos, reacendendo a discussão sobre os prós e contras de uma atuação direta do governo na economia.

Cálculos do pesquisador Paulo Morceiro, do Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (Nereus), mostram que a taxa de investimento da construção civil como fatia do PIB(Produto Interno Bruto) teve, em 2018, seu pior desempenho em mais de 70 anos.

Os 7,5% do ano passado só perdem para os 6,9% de 1948, segundo ano da série histórica compilada pelo economista com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Já a taxa de investimentos em máquinas e equipamentos fechou 2018 em 6,1% do PIB, nível mais alto do que em outras crises, mas bastante inferior aos 8% de 2010, quando a economia ainda crescia em ritmo acelerado.

Não há dados que já permitam estender a mesma comparação para 2019, mas os resultados do primeiro trimestre indicam continuação do quadro de fraqueza.

Levantamento da Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base) mostra que, em maio de 2019, o investimento —tecnicamente chamado formação bruta de capital fixo— ainda estava 24,8% abaixo do nível registrado no início da trajetória de queda, em abril de 2014.

Embora a mais recente recessão tenha terminado oficialmente no fim de 2016, a reação dos gastos com obras, modernização e ampliação de parques produtivos continua lenta do ponto de vista histórico.

Os cálculos da Adbid, baseados em dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), comparam a situação atual com a verificada após outras recessões.

*Com informações do Broadcast de Política do Estadão, do Jornal Folha de S.Paulo e da Agência Sputnik.

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