Climatologista auxilia Município de Salvador a desenvolver Plano de Mudanças Climáticas

Climatologista renomado auxiliará Salvador a desenvolver Plano de Mudanças Climáticas.

Climatologista renomado auxiliará Salvador a desenvolver Plano de Mudanças Climáticas.

O climatologista brasileiro e presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, Carlos Nobre, integrará a equipe que desenvolverá estudos para subsidiar o Plano Municipal de Adaptação e Mitigação às Mudanças Climáticas da capital. O plano, desenvolvido com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), através do Prodetur, e do Grupo C40 de Grandes Cidades para Liderança do Clima, será um instrumento para que a cidade atinja as metas do acordo de Paris e deverá iniciar seu desenvolvimento durante a Semana de Clima.

Salvador foi a primeira cidade da América Latina a assumir compromissos com o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, formado por prefeitos para implementar políticas e ações para redução das emissões e adaptação das cidades aos efeitos das mudanças climáticas. Nobre vai ministrar a palestra na abertura do Painel Salvador de Mudança do Clima, que acontecerá durante a ‘, entre os próximos dias 19 a 23, em Salvador.

Na abertura do evento, o cientista vai apresentar os impactos das mudanças climáticas no Brasil e falar sobre o que pode acontecer com a cidade, a saúde humana e a agricultura, se a temperatura média global continuar aumentando. Para o pesquisador, encontros como esse são de extrema importância para o país e para a capital baiana.

“É um evento muito simbólico. Em todas as pesquisas de opinião mundiais, a população brasileira é a terceira do mundo que mais se preocupa com as mudanças climáticas. O Brasil tem sido protagonista nas discussões sobre o clima e preservação do meio ambiente, desde a Rio-92, e essa Semana do Clima em Salvador mantem viva a esperança de que o país não vai abandonar esse protagonismo”, afirma.

Floresta

A floresta amazônica possui área de cerca de 6,2 milhões de quilômetros quadrados, entre os quais 4,2 milhões de quilômetros quadrados estão situados no Brasil. O cientista ressalta que um milhão de quilômetros quadrados de área da Amazônia já foi desmatada, 800 mil deles no Brasil. Os quatro principais causadores de desmatamento são a exploração de madeira, a maior parte ilegal, a pecuária, a agricultura e a mineração.

Além disso, ele ressalta que, se a temperatura média global aumentar mais que quatro graus Celsius, existe um grande risco de desaparecimento da floresta. “A saída para reverter a situação está em ações como a restauração florestal, mudança da matriz energética para fontes renováveis e aproveitamento da biodiversidade, cujo potencial econômico é maior que a pecuária”, opina.

Perfil

Além da formação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do doutorado em meteorologia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Estados Unidos, Carlos Nobre foi um dos autores do IPCC-AR4, premiado com o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Atualmente, ele é pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) e Coordenador Científico do Instituto de Estudos Climáticos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

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