Cachoeira: Edição 2019 da Festa da Boa Morte é iniciada com missa em homenagem às irmãs falecidas

Saída do corpo de Nossa Senhora da Boa morte da Capela de Nossa Senhora D'ajuda em procissão pelas ruas da cidade de Cachoeira.

Saída do corpo de Nossa Senhora da Boa morte da Capela de Nossa Senhora D’ajuda em procissão pelas ruas da cidade de Cachoeira.

Uma tradição secular mantida sob o manto da fé e da luta de mulheres negras pela libertação dos seus irmãos escravos. Foi com essa missão que nasceu a Irmandade da Boa Morte em Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Na noite desta terça-feira (13/08/2019), primeiro dia da Festa da Boa Morte, uma missa lembrou as irmãs que já faleceram.

A festa, com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria do Turismo (Setur), deve atrair cerca de 6 mil pessoas para acompanhar as tradicionais cerimônias, que seguem até sábado (17). Segundo a Setur, a expectativa é de que a taxa de ocupação da rede hoteleira chegue a 100% nesta quinta-feira (14), dia da procissão pelas ruas de Cachoeira e missa de corpo presente da Nossa Senhora da Boa Morte.

Nesta terça (13), vestidas de branco, as 32 mulheres que integram a Irmandade da Boa Morte saíram em cortejo da igreja da Nossa Senhora da D’Ajuda, acompanhadas pela imagem da Nossa Senhora da Boa Morte, com destino à capela que leva o nome da homenageada na festa.

Há mais de 10 anos na Irmandade, a professora Nice Santos herdou da mãe o amor e a dedicação pela Nossa Senhora da Boa Morte. “Hoje é o dia que Nossa Senhora começa a adoecer e vestimos branco em homenagem a ela. O nosso ato de fé na missa é uma homenagem às nossas irmãs. Eu me sinto muito honrada e orgulhosa por estar nessa Irmandade, que é a minha vida e a minha história. Eu cresci aqui, ajudando a minha mãe”, afirmou.

A missa foi celebrada pelo padre Hélio Vilas Boas, que destacou o momento de comunhão e acolhimento. “A igreja, em nome de Cristo, parte do princípio que evangelizar é acolher. Como igreja, nós precisamos aprender a acolher e acolher bem, porque todos são acolhidos igualmente e sem acepção de pessoas no reino de Deus. A inciativa das irmãs pede da igreja a abertura e a comunhão para celebrar com elas aquilo que, para elas, é o depósito de fé. A cada ano, elas se esmeram para fazer bem essa festa, com dignidade, do jeito delas, com sua cultura, e cabe à igreja respeitar, apoiar e viver esse momento de riqueza da fé cristã-católica”.

Após a missa, foi servida uma ceia com peixe, pão, arroz, salada e vinho. Em respeito a Nossa Senhora da Boa Morte, é proibido o consumo de carne vermelha neste dia, que marca o período de convalescença de Nossa Senhora. Foram preparados 150 quilos de peixe para consumo das irmãs e do público que acompanhou o cortejo.

A professora Katrin Ferbemann levou um grupo de estudantes da universidade alemã em que leciona e ficou encantada com a festa. “Eu já estive na Bahia algumas vezes e amo esse estado. Já tinha ouvido falar da festa Boa Morte, mas é a primeira que participo. Eu tenho muito orgulho de dizer que vim da Alemanha para conhecer essa festa, que provoca sensações tão diferentes em nós. Não sei descrever o que estou sentindo aos assistir esses rituais”.

Saída do corpo de Nossa Senhora da Boa morte da Capela de Nossa Senhora D'ajuda em procissão pelas ruas da cidade de Cachoeira.

Saída do corpo de Nossa Senhora da Boa morte da Capela de Nossa Senhora D’ajuda em procissão pelas ruas da cidade de Cachoeira.

Membros da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte 2019, em Cachoeira, promovem evento gastronômico, com comidas típicas.

Membros da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte 2019, em Cachoeira, promovem evento gastronômico, com comidas típicas.

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