Presidente da Assembleia Legislativa da Bahia alerta que desindustrialização no Brasil acendeu o sinal vermelho

Presidente da ALBA, deputado Nelson Leal destaca o recuo do setor no PIB nacional e chama atenção para o Acordo Mercosul-União Europeia.

Presidente da ALBA, deputado Nelson Leal destaca o recuo do setor no PIB nacional e chama atenção para o Acordo Mercosul-União Europeia.

Para o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputado Nelson Leal (PP), a notícia de um provável pedido de falência da Construtora OAS, veiculada ontem pela Folha de São Paulo, é mais uma indicação de que acendeu o sinal vermelho para o grave problema do acelerado ritmo da desindustrialização no Brasil.

“O problema da falência do parque industrial brasileiro é grave e contínuo, especialmente na região Nordeste. Um fenômeno que vem sendo sinalizado há quase 15 anos. A notícia sobre a OAS é emblemática e exige uma atenção absoluta das autoridades. Não dá mais para a equipe econômica do governo federal fechar os olhos a isso”, reclama, o parlamentar.

A administradora judicial Alvarez e Marsal, em documento, põe em dúvida a capacidade de soerguimento das atividades da empresa. A empreiteira baiana criada em 1976, que acumula dívidas de R$ 2,8 bilhões, encontra-se em recuperação judicial desde 2015. A OAS já foi a terceira maior construtora do país, atrás da Odebrecht e Andrade Gutierrez.

Os números apresentados pela indústria nacional fazem coro à preocupação de Nelson Leal. Chefe do Legislativo estadual chama a atenção para o declínio do setor e a situação de queda livre de sua participação em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro nos últimos anos, conforme o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – IEDI.

“A produção industrial recuou 0,2% no primeiro bimestre desse ano, em relação a 2018. E respondeu por apenas 11,3% de toda a atividade econômica do país, sendo a pior performance em mais de 70 anos. Essa participação já foi de 30% na década de 80. A OAS, conforme o jornal, chegou a ter 127 mil trabalhadores diretos e indiretos em 2014, e atualmente tem 19 mil”, adverte.

Presidente da Alba destaca a necessidade premente de investimentos públicos para a retirada da indústria brasileira do buraco em que se encontra. “É fundamental dar competitividade ao parque industrial do país, e as medidas passam, necessariamente, por políticas públicas. Isso estimula os investimentos privados, além de aquecer também o importante segmento do comércio”, explica.

Suicídios 

Nelson Leal baliza suas preocupações com os atuais números da indústria e previsões do próprio governo. “O setor de construções no Brasil encolheu 85% em três anos. Não há economia que se sustente de pé. E o mais grave, já aponta para uma recessão. O Boletim em Focus, do Banco Central, divulgado ontem, reduziu pela vigésima semana consecutiva a previsão de crescimento do PIB desse ano, com previsão de crescimento da inflação para 3,82%”, enfatiza, o presidente da Assembleia Legislativa.

O deputado pepista lembra ainda os lamentáveis suicídios do empresário Sadi Gitz, de 70 anos, em Aracaju, último dia 4, e do empresário Manoel Tavares, em Maceió, um dia antes. Para ele, as tragédias revelam que a fase de crise e preocupação do empresariado brasileiro, evoluiu para o desespero.

“Esses suicídios são um alerta, e exigem do governo tomadas de posição com brevidade. Não podem ser entendidos como fatos isolados. Economistas vislumbram números ainda piores para este ano. Fechar os olhos a isso é inaceitável, perigoso e pode representar a bancarrota do setor. A crise do parque industrial brasileiro está levando ao ápice do desespero empresários geradores de empregos”, salienta, o parlamentar.

Nelson Leal se diz preocupado também com o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado pelos integrantes dos blocos econômicos, semana passada, em Bruxelas, na Bélgica, concomitante com a reunião do G-20, ocorrida em Osaka, no Japão.

“Os Parlamentos brasileiro e dos países sul-americanos devem se debruçar com muito cuidado sobre as cláusulas do acordo. Estimula o país, ao que me parece, à importação somente de commodities e produtos agrícolas. Isso pode ajudarem parte o agronegócio, mas não é suficiente para recuperar a economia. O acordo é prejudicial à indústria nacional. Precisamos vender também para a Europa produtos industrializados e manufaturados. Isso é essencial para a economia do Brasil”, sublinha.

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