Jair Bolsonaro reafirma que indicará ao STF ministro “terrivelmente evangélico”; Presidente mistura Estado e religião e presta desserviço aos dois

Em culto na Câmara dos Deputados, o presidente Jair Bolsonaro reforçou o apoio à bancada evangélica e sinalizou a importância de manter diálogo com o Parlamento.

Presidente Jair Bolsonaro participou de culto evangélico e, depois, seguiu para homenagem à Igreja Universal no Plenário da Câmara dos Deputados.

Durante culto evangélico realizado nesta quarta-feira (11/07/2019)  na Câmara dos Deputados, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que indicará para o Supremo Tribunal Federal (STF) um ministro “terrivelmente evangélico”.

“O Estado é laico, mas nós somos cristãos. Esse espírito deve estar presente em todos os Poderes. Por isso, meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal; um deles será terrivelmente evangélico”, disse Bolsonaro.

Do culto, o presidente seguiu para o Plenário Ulysses Guimarães, onde estava sendo realizada uma sessão solene em homenagem aos 42 anos da Igreja Universal do Reino de Deus. Novamente, o presidente usou da palavra.

“Sou um presidente de todos. Não tem situação nem oposição. As minhas decisões, que são respaldadas pelos parlamentares, ditam os rumos do nosso Brasil.”.

Messianismo fundamentalista

Observa-se que ao misturar Estado e religião, Jair Bolsonaro prestada relevante desserviço à ambos, porque o conceito constitucional de Estado Laico, violado pelas ideias e atitudes do governante, é o que permite a coexistência pacífica entre as diferentes religiões praticadas no Brasil, com devido afastamento institucional da esfera estatal, do caráter material da vida mundana em sociedade em contraposição as opções metafísicas definidas pelos cidadãos.

Observa-se, também, que desde que passou a assumir um discurso messiânico de caráter fundamentalista, episódios contra determinadas religiões são verificados em diferentes partes do país e revelam agravamento de tensões sociais decorrente de imposição de valores, apoiados pelo pouco ilustrado presidente da República.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).