Governador Rui Costa externa pesar pela morte do jornalista Paulo Henrique Amorim; Políticos e representantes da sociedade manifestam consternação

Paulo Henrique Amorim, jornalista e sociólogo, dedicou a vida ao progressismo social.

Paulo Henrique Amorim, jornalista e sociólogo, dedicou a vida ao progressismo social.

Em nota encaminhada nesta quarta-feira (10/07/2019) Jornal Grande Bahia (JGB), o governador Rui Costa (PT) externou pesar pela morte do jornalista Paulo Henrique Amorim.

“Exercia um papel fundamental no jornalismo brasileiro nesses tempos de ameaça ao estado democrático de direito”, lamentou Rui Costa.

Paulo Henrique Amorim faleceu nesta quarta-feira (10), no Rio de Janeiro, em decorrência de infarto fulminante.

De acordo com a Record, emissora com o qual o jornalista mantinha contrato, Paulo Henrique Amorim saiu para jantar com amigos na noite de ontem (9) e infartou quando retornou à sua casa. Aos 77 anos, ele deixa uma filha e esposa também jornalista Geórgia Pinheiro.

Ele nasceu em 22 de fevereiro de 1942, natural da cidade da cidade do Rio de Janeiro, era casado com Geórgia Pinheiro e pai da socióloga Maria Amorim.

Paulo Henrique Amorim estreou no jornal ‘A noite’, em 1961. Depois foi trabalhar em Nova York, como correspondente internacional da revista Realidade e, posteriormente, da revista Veja. Atou em diversos veículos de comunicação, constituindo trajetória profissional em defesa do progressismo social, se posicionando contrário aos antípodas que destituíram Dilma Rousseff da presidência da República.

Confira nota de pesar do Governo da Bahia

“Recebi com profunda tristeza a notícia da morte de Paulo Henrique Amorim, que exercia um papel fundamental no jornalismo brasileiro nesses tempos de ameaça ao estado democrático de direito. Cidadão baiano sim, pois tal título lhe foi concedido pela Assembleia Legislativa. Sem dúvida, era um dos maiores nomes da comunicação na atualidade. Tive a oportunidade de conhecer Paulo Henrique e vi de perto o quanto era querido por todos. Neste momento de dor, manifesto meus sentimentos aos familiares, amigos, colegas e admiradores do seu trabalho. Que a postura crítica e questionadora deste grande jornalista sirva de inspiração para os profissionais da imprensa brasileira.”, lamenta Rui Costa, governador da Bahia.

Deputado estadual Robinson Almeida apresenta moção de pesar

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) apresentou à Assembleia Legislativa da Bahia uma moção de pesar pela morte, na madrugada desta quarta-feira (10), do jornalista Paulo Henrique Amorim. PHA, como era conhecido, sofreu um enfarte fulminante em sua casa, no Rio de Janeiro. Paulo Henrique, que era filho do jornalista baiano, Deolindo Amorim, deixa esposa, a baiana Georgia Pinheiro e uma filha.

“Com muita tristeza recebi a notícia da perda de Paulo Henrique Amorim. Sua partida precoce nos deixa perpelexo e priva, também, da sua sabedoria e sagacidade jornalistica”, escreveu o parlamentar, recordando que em 2015 o profissional foi agraciado com o título de Cidadão Baiano, na Assembleia Legislativa, pelo deputado Zé Neto (PT). “PHA, trabalhista e nacionalista convicto, sempre esteve do lado da democracia, da defesa da soberania nacional e da luta contra as injusticas que marcam nosso país. Paulo Henrique Amorim, sempre combativo e necessário à luta do povo brasileiro, deixa um imenso vazio mas também importante legado de resistência e compromisso com a informação e com o Brasil justo, soberano e democrático. Sua atuação digna, resistente e combativa, especialmente à frente do Conversa Afiada, servem de exemplo para todos (as) que labutam, nesses dias difíceis, no jornalismo”, lamentou Robinson.

“Olá, tudo bem?” – Profissional respeitado, Paulo Henrique Amorim ficou famoso no Brasil com o bordão “olá, tudo bem?!”, durante sua passagem pela TV Globo e pela Record TV, de onde estava afastado desde o mês passado. O jornalista antes tinha passado por redações de jornais e revistas e, atualmente, comandava o site Conversa Afiada.

Presidente da ALBA emite nota de pesar

Nelson Leal lamenta morte do jornalista Paulo Henrique Amorim: “a conversa política será agora menos afiada”; PHA tinha ligação profunda com a Bahia, porque filho de baiano e casado com baiana

“O jornalismo brasileiro perdeu um dos seus grandes mestres e a conversa política, a partir de hoje, estará menos afiada sem Paulo Henrique Amorim, sem dúvida um dos jornalistas mais brilhantes de sua geração, polêmico, crítico e insubmisso. Somando-se à perda de Boechat, em fevereiro passado, a crônica política amanheceu hoje muito mais pobre. Diariamente, o Conversa Afiada – seu site de notícias e comentários – era uma das minhas primeiras leituras”, lamentou hoje (10.07) o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia – ALBA, deputado Nelson Leal, sobre o passamento do jornalista Paulo Henrique Amorim.

Além da relevância profissional de PHA – como o jornalista era conhecido – Nelson Leal destaca as relações afetivas que Paulo Henrique mantinha com a Bahia: era filho do jornalista baiano Deolindo Amorim, natural de Baixa Grande, no piemonte da Chapada Diamantina, e casado com a jornalista baiana Geórgia Pinheiro, formada pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. “Em novembro de 2015, PHA recebeu da Assembleia Legislativa da Bahia o Título de Cidadão Baiano, através de proposição do então deputado estadual Zé Neto, confirmando apenas a baianidade que já lhe corria nas veias. Portanto, a relação de carinho que ele tinha com a Bahia e os baianos não era mera formalidade”, ressaltou Leal.

O presidente da Assembleia Legislativa já apresentou moção de pesar junto à Mesa Diretora da ALBA, em solidariedade aos familiares, aos muitos amigos e milhões de leitores que o jornalista conquistou em seus 77 anos de vida. “Rogo a Deus para consolar a família enlutada, na pessoa da jornalista Geórgia Pinheiro, oferecendo a nossa solidariedade e o conforto espiritual necessário neste momento difícil de perda de uma pessoa tão querida e tão importante para o Brasil”, destacou o chefe do Legislativo baiano.

Caatinga e Boca do Inferno

À época, em seu discurso na tribuna, quando da homenagem na ALBA, Paulo Henrique Amorim relembrou das suas origens e influências baianas: “Essa Bahia de Deolindo Antônio se instalou naquela casa no Rio de Janeiro, de aposentos modestos, de um funcionário público subalterno do Ministério da Fazenda e um jornalista de vocação. É a Bahia da carne do sol, da farinha até a sobremesa, a farinha para cobrir o melado da cana. Veio junto com Deolindo Antônio, um estilo de escrever que lembra a caatinga, um estilo seco, sem adjetivo, gracilianamente alagoano, um estilo na ponta da faca, que o filho herdou. E o filho hoje jornalista, que tem um blog de nome Conversa afiada, e talvez tenha herdado também da Bahia, além deste texto sem gordura do pai, uma boca do inferno, de outro poeta daqui, Gregório de Matos Guerra”.

E continua o seu discurso: “A Bahia do sertão pra mim caiu no mar quando este cidadão carioca se casou com a baiana mais bonita da Bahia, Geórgia Cardoso Pinheiro, de Oxum, de todos os santos e demônios, do acarajé, da música, da gargalhada, da maledicência no bom sentido, da mesa farta, da família que não termina de chegar já que está sempre chegando um. Por causa dessa mistura, do seco do Deolindo com o olhar de Geórgia, me sinto muito honrado de ser baiano”, completou.

Conselho Universitário da UFRB lamenta falecimento de Paulo Henrique Amorim

O Conselho Universitário (CONSUNI) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do jornalista e escritor Paulo Henrique Amorim, aos 76 anos, nesta quarta-feira.

Palestrante abordou o papel da mídia na história recente do Brasil (2016).

Paulo Henrique Amorim teve papel de destaque na defesa da UFRB e da interiorização do Ensino Superior. O jornalista foi conferencista do Ciclo de debates acadêmicos sobre democracia, realizado em 2016. Na ocasião, relatou seu sentimento em estar na UFRB, atendeu a imprensa local no espaço da Editora da UFRB e após o término do evento participou de uma intensa agenda de autógrafos de livros. “É uma grande honra estar aqui na Universidade Federal do Recôncavo. Quero dar os parabéns ao reitor e a instituição por superar a marca de mais de 10 mil alunos em seus 10 anos recém completados”, contou.

Em 2010, o blog de Paulo Henrique Amorim foi um dos mais enfáticos em defender a instituição de uma reportagem da revista Veja que questionava a importância da UFRB.

Ao registrarmos nossas condolências, compartilhamos este sentimento de pesar com a família, os amigos e incontáveis leitores.

Confira mensagem de Paulo Henrique Amorim sobre o futuro do Brasil

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).