Governador Rui Costa decreta três dias de luto oficial pela morte de João Gilberto; Presidente da ALBA diz que foi perda irreparável

João Gilberto atuou como cantor, violonista e compositor. Ele foi considerado gênio da música popular brasileira, pela revista Rolling Stone, que o classificou como ‘revolucionário fundador da bossa nova’.

João Gilberto atuou como cantor, violonista e compositor. Ele foi considerado gênio da música popular brasileira, pela revista Rolling Stone, que o classificou como ‘revolucionário fundador da bossa nova’.

O governador Rui Costa utilizou as redes sociais para manifestar pêsames pela morte do baiano João Gilberto (88 anos) ocorrida neste sábado (06/07/2019) e decretar três dias de luto na Bahia.

“Pai da Bossa Nova, João Gilberto ajudou a projetar a imagem da Bahia e da música brasileira para o mundo. Hoje, sua morte silencia a música. Meus sentimentos aos familiares, amigos e fãs de um dos mais ilustres filhos de Juazeiro, que se tornou uma referência para as gerações de músicos que vieram depois da Bossa Nova. Os baianos têm orgulho de João Gilberto e por isso preservaremos seu legado. Que Deus conforte todos neste momento de dor. Decreto três dias de luto oficial na Bahia pela morte de João Gilberto”, disse Rui Costa.

Deputado Nelson Leal diz que morte de João Gilberto é parte da “genialidade do Brasil que se perde sem ter reposição”; Presidente da Alba diz que o baiano de juazeiro era a encarnação da bossa-nova

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputado Nelson Leal, disse hoje (06), em Porto Seguro, que o Brasil perde um dos seus maiores gênios com a morte do compositor e cantor baiano João Gilberto.

“É uma perda sem reposição, porque ele está na categoria dos grandes gênios das artes no mundo, com o seu perfeccionismo e o seu talento musical. É da categoria dos insubstituíveis. Para mim, João Gilberto, baiano de Juazeiro, é a própria encarnação da Bossa Nova, com uma forma de cantar diferente e uma batida originalíssima do violão. Embora tivesse afastado dos palcos há tempos, sua morte, aos 88 anos, consterna os baianos e o mundo inteiro”, disse Leal.

Nelson Leal relembra que a Bahia cultural criou uma dependência direta da arte de João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, que nasceu em Juazeiro, no Norte da Bahia, região do Vale do São Francisco. “A música baiana recebeu uma influência direta de João Gilberto, que a tornou poderosa e conhecida em todo o mundo. Artistas como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Maria Bethânia e toda a geração dos Novos Baianos, com Moraes Moreira, Baby, Pepeu, Paulinho e Galvão, beberam da fonte de João Gilberto”, diz Leal, lembrando do grande sucesso do juazeirense, “Chega de Saudade”, gravado em julho de 1958.

Nota do filho

“Meu pai faleceu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda da sua autonomia”, escreveu no Facebook João Marcelo, que vive nos Estados Unidos.

Conteúdo acrescentado em 1o de julho de 2019

Após minuto de silêncio, Unesco diz que morte de João Gilberto é perda para “patrimônio cultural”

Os participantes da 43ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, que acontece até quarta-feira (10/07/2019), em Baku, capital do Azerbaijão, fizeram um minuto de silêncio neste domingo (7) em homenagem a João Gilberto. O cantor baiano morreu no sábado, aos 88 anos, no Rio de Janeiro.

A morte de João Gilberto “é uma perda para o patrimônio cultural”, afirmou Abulfas Garayev, presidente do comitê da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em seu discurso, Garayev disse que João Gilberto está “entre as pessoas que tiveram impacto na história da música”.

O embaixador de Portugal António Sampaio da Nóvoa, presente no encontro, disse à RFI que a cultura “ficou mais pobre” e prestou uma homenagem calorosa ao cantor brasileiro. “João Gilberto representa, junto com um conjunto de artistas brasileiros, um momento absolutamente sensacional da música cantada, falada e escrita na língua portuguesa”, declarou o diplomata.

Internacionalmente conhecido como um dos pais da Bossa Nova, um estilo musical único derivado do samba e com influências do jazz, ele deixa músicas que marcaram gerações. “A obra do João Gilberto marcou muito minha geração e será sempre uma referência para todos”, acrescentou o embaixador português.

* Com informações da jornalista Carina Branco, da RFI, e agência AFP.

Perfil de João Gilberto

Nascido em Juazeiro, Bahia, em 10 de junho de 1931, João Gilberto partiu para o Rio na década de 50 para integrar o conjunto Garotos da Lua. Pouco mais tarde, seu nome será citado lado a lado com o de Tom Jobim na história da bossa nova: seu compacto de 1958, com Chega de saudade e Bim bom, é citado como nascimento oficial do gênero inovador, que combinava influências afro-brasileiras e jazzísticas.

Além do estilo minimalista, discreto, de cantar, são suas harmonias e a batida de violão que definirão a originalidade da bossa nova, influenciando gerações de cantores, compositores, instrumentistas e arranjadores, no Brasil e no resto do mundo.

Apesar de sua genialidade como músico, João Gilberto permaneceu uma figura controversa, considerado excêntrico e obsessivo por alguns – uma fama reforçada no fim de sua carreira pelos concertos anunciados com grande antecipação, mas cancelados na última hora.

Há anos de saúde debilitada, o aclamado músico brasileiro morreu em seu apartamento no bairro carioca da Gávea. Ele vivia sozinho e estava profundamente endividado, com os familiares disputando a curatela.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).