Feira de Santana: Futuro do Centro Industrial do Subaé é definido por comerciantes; Industriais, trabalhadores e representantes dos municípios ficaram fora da discussão

Deputado José Cerqueira Neto (Zé Neto) reúne amigos para discutir como entregar patrimônio público do CIS. Atuação e debate demonstram visão distópica de sociedade.

Deputado José Cerqueira Neto (Zé Neto) reúne amigos para discutir como entregar patrimônio público do CIS. Atuação e debate demonstram visão distópica de sociedade.

Na manhã desta sexta-feira (19/07/2019), representantes do setor empresarial de Feira de Santana, em especial da indústria e do comércio, se reuniram com o deputado federal Zé Neto (PT-BA) para buscarem um ajustamento do formato que vai estabelecer o funcionamento do Centro Industrial Subaé (CIS). O Centro deixou de ser uma autarquia e agora vai ter um escritório de representação e diretoria no município, funcionando em parceria com o setor empresarial, em um vínculo de cooperação direta com o Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS).

Ficou definido que, nos próximos dias, o CIFS, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Comercial de Feira (ACEFS) apresentarão uma minuta para apreciação do Estado, no sentido de estabelecer qual o formato do funcionamento da gestão de representação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) com relação ao CIS, em parceria com todo setor produtivo do Estado. Na ocasião também foi tratada da necessidade do envolvimento do município nesse processo.

De acordo com o deputado Zé Neto, “o Governo do Estado reconhece a necessidade de integrar mais as relações entre o setor produtivo e o próprio Estado. Portanto, vamos esperar a minuta e colaborar ao máximo com essa interlocução, para que possamos tirar o melhor desse momento de diálogo e de integração”.

Estiveram presentes, além do deputado Zé Neto, o presidente da CDL, Luis Mercês; o presidente da ACEFS, Marcelo Alexandrino; o diretor CIFS, André Régis; e os empresários da cidade Clóvis Cedraz, João Batista e Alfredo Falcão.

Absorto com o desatino

Parece surreal, mas a inciativa do deputado José Cerqueira Neto (Zé Neto) é algo, no mínimo, desqualificado.

O parlamentar reuniu alguns poucos representantes do setor industrial, cujo tamanho das empresas possui irrelevante capacidade, em correlação com as grandes indústrias, a exemplo da Pirelli, Vipal, Nestlé, Belgo Bekaert, Gujão, JBS, Avigro, Mondial, dentre outras, instaladas nos 16 municípios que fazem parte da jurisdição do CIS.

Observa-se que os representantes das indústrias que participaram da reunião com Zé Neto são  dirigentes de pequenas empresas e, embora estejam à frente de entidades, eles não possuem potencial econômico para representar os diversos setores industriais instalados nos 16 municípios que fazem parte da jurisdição do CIS. Além disso, o deputado convida representantes do setor comercial, cuja relação com o setor industrial é de apenas repassador dos bens de consumo.

Em síntese, o deputado Zé Neto promove uma reunião com alguns amigos de Feira de Santana para definir o futuro do patrimônio e da ação política de uma entidade pública que possui relevância fundamental para a economia, principalmente, no momento em que o país atravessa um violento processo de acelerada desindustrialização, resultado, em parte, da política neoliberal de extrema-direita do Governo Bolsonaro e das falhas dos gestores da autarquia, indicados pelo político.

O que fazer

Diante das seguidas falhas no processo de consolidar uma região industrial é necessário fazer o caminho inverso, promovendo audiências públicas com trabalhadores do setor industrial, representantes das indústrias, prefeitos e secretários municipais dos 16 municípios que fazem parte da jurisdição do CIS, além de secretários estaduais e acadêmicos, pesquisadores de políticas públicas para o desenvolvimento industrial.

A partir do resultado das audiências públicas é formulada uma política pública que possibilite o desenvolvimento regional integrado, tendo como matriz a captação e instalação de indústrias, com a finalidade de promover o desenvolvimento industrial regional de forma equilibrada.

Uma experiência de atuação integrada são as Policlínicas Regionais de Saúde, ou seja, o compartilhamento das atribuições do CIS, entre os gestores municipais, governo estadual e sociedade civil, com metas a serem alcançadas é uma forma de retomar uma política mais ampla de desenvolvimento.

O que não se pode aceitar é que o deputado reúna os amigos e defina o futuro das atribuições do órgão, transferindo o patrimônio público para os camaradas do poder. Modelo muito usado pela direita na Bahia.

Datas e fatos

Em 7 de novembro de 1983, o CIS é criado como autarquia, com base na Lei nº 4.167, durante a gestão do governador João Durval Carneiro (PDS).

Em 8 de novembro de 2011, foi aprovada Lei que ampliou a jurisdição do CIS, passando a abranger os municípios de Amélia Rodrigues, Anguera, Antônio Cardoso, Candeal, Coração de Maria, Conceição da Feira, Conceição do Jacuípe, Feira de Santana, Ipecaetá, Irará, Riachão do Jacuípe, Santa Bárbara, Santanópolis, Serra Preta, São Gonçalo dos Campos e Tanquinho.

Em 15 de abril de 2013, o deputado Zé Neto conseguiu indicar a diretoria do CIS, escolhendo Jayro Miranda para dirigir o órgão.

Em 6 de março de 2017, José da Paz substitui Jayro Miranda no cargo de diretor-geral do CIS. Ele também foi indicado por Zé Neto e conseguiu fazer um trabalho bem melhor, mais ainda insuficiente.

Em 18 de dezembro de 2018, o governador Rui Costa sanciona a Lei de nº 14.032, extinguindo o CIS, enquanto autarquia, incorporando o pessoal e o patrimônio à Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

Contribuiu para o fechamento da autarquia as ineptas administrações indicadas pelo deputado Zé Neto.

Uma análise no histórico de ações da autarquia, através de pesquisa no sítio da instituição (http://www.cis.ba.gov.br/), vai demonstrar o reduzido número de atividades do órgão e o fato de replicar informações de atividades industriais que não pertenciam ao CIS, em uma óbvia tentativa de confundir a opinião pública.

Em síntese, apesar de ter jurisdição em 16 municípios, as gestões indicadas por Zé Neto falharam em diagnosticar potencialidades socioeconômicas, formular políticas de atração industrial e de promover atividades que resultassem na atração de novas indústrias. Além disso, missões nacionais e internacionais de atração de indústrias não foram realizadas e potenciais negócios foram atraídos para outras regiões do Estado da Bahia.

Basicamente, as poucas empresas que se instalaram no período foram direcionadas à Feira de Santana, com isso, foi desprezado o potencial socioeconômico dos demais municípios.

Mapa do núcleo do Centro Industrial do Subaé (CIS) do Bairro Tomba, em Feira de Santana.

Mapa do núcleo do Centro Industrial do Subaé (CIS) do Bairro Tomba, em Feira de Santana.

Mapa do núcleo do Centro Industrial do Subaé (CIS) da BR-324, em Feira de Santana.

Mapa do núcleo do Centro Industrial do Subaé (CIS) da BR-324, em Feira de Santana.

Mapa do núcleo do Centro Industrial do Subaé (CIS) de São Gonçalo dos Campos.

Mapa do núcleo do Centro Industrial do Subaé (CIS) de São Gonçalo dos Campos.

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