Brasil tem a segunda maior taxa de homicídios da América do Sul, diz ONU; Cerca de 464 mil pessoas foram vítimas de homicídios em 2017

Estudo da ONU apresenta Brasil com violência de alta letalidade.

Estudo da ONU apresenta Brasil com violência de alta letalidade. Estudo Global sobre Homicídios 2019 destaca que o crime organizado foi responsável por até 19% de todos os homicídios em 2017.

Cerca de 464 mil pessoas foram vítimas de homicídios em 2017, anunciou esta segunda-feira (08/07/2019) as Nações Unidas. O número de pessoas assassinadas supera de longe os 89 mil mortos em conflitos armados nesse período, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime UNODC.

O UNODC lançou o Estudo Global sobre Homicídios 2019, em Viena e Nova Iorque, destacando que o crime organizado foi responsável por até 19% de todos os homicídios em 2017.

Essa prática causou a morte do maior número de pessoas que foi registrado em todos os conflitos armados do mundo desde o início do século 21.

A região das Américas registra 17,2 mortes em cada 100 mil habitantes, a taxa mais alta registrada na região desde que ​​começaram os registros confiáveis em 1990.  O Brasil tem a taxa de 30,5 homicídios a cada 100.000, a segunda maior da região da américa do Sul depois da Venezuela com 56.

Em valores absolutos, cerca de 1,2 milhão de pessoas perderam a vida por homicídio doloso no Brasil entre 1991 e 2017.

Intervenções Locais 

O relatório destaca que intervenções locais podem ajudar a reduzir o crime, com exemplos positivos em território brasileiro que incluem são em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nessas áreas foram implementadas medidas direcionadas de prevenção do crime que visam explicitamente lugares, pessoas e momentos associados a uma alta concentração de crimes.

Em todo o país, o homicídio de forças policiais foi em média de 14,9 por cada 100 mil habitantes. O país, ao lado do Peru e do Uruguai, destaca-se com aumentos substanciais de cerca de um terço de crimes desse tipo.

As prisões do Brasil também são apontadas como consideravelmente as mais perigosas da região em termos de prática de homicídios, assim como El Salvador e Colômbia.

Timor-Leste

O outro país lusófono mencionado no estudo é Timor-Leste. Com 3,9 homicídios em cada 100 mil habitantes, o país tem a segunda maior taxa do sudeste asiático.

África também está acima da taxa global com 13 homicídios para cada 100 mil habitantes enquanto as taxas na Ásia, na Europa e na Oceania se colocam abaixo da média global com 2,3, 3,0 e 2,8, cada um.

O estudo revela que assim como acontece nos conflitos armados, o crime organizado desestabiliza os países, mina o desenvolvimento socioeconômico e corrói o Estado de Direito, destaca o relatório.

Em nível global, a maioria das vítimas de homicídio são homens, mas as mulheres são mais frequentemente mortas por familiares e parceiros íntimos.

Taxas

O diretor executivo do Unodc, Yuri Fedotov, disse que a pesquisa procura lançar luz sobre assassinatos relacionados a gênero, violência letal de gangues e outros desafios, para apoiar a prevenção e as intervenções para reduzir as taxas de homicídio.

O representante destaca que “os países se comprometeram com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para reduzir todas as formas de violência e taxas de mortalidade relacionadas até 2030.”

Para Fedotov “o relatório oferece exemplos importantes de intervenções comunitárias eficazes que ajudaram a melhorar as áreas atingidas pela violência, as gangues crime organizada.”

De acordo com o estudo, as vítimas de morte violenta como resultado de homicídio aumentou nos últimos 25 anos.  Em 1992, o número foi de 395.542 que passou para 464.000 em 2017.

Vítimas

Com o aumento rápido da população global superior ao aumento registrado nas vítimas de homicídio, o risco geral de ser morto em homicídios diminuiu constantemente.

Houve ainda uma queda da taxa global de homicídios, de 7,2 vítimas por 100 mil pessoas em 1992 para 6,1 por cada 100 mil em 2017. O documento defende que essa taxa global média de homicídios mascara variações regionais dramáticas.

*Com informações da ONU News.

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