Senador Jaques Wagner critica Sérgio Moro por tentar desqualificar jornalismo do The Intercept e pede afastamento do ministro para que seja investigado

Senador Jaques Wagner critica Sérgio Moro por tentar desqualificar jornalismo investigativo realizado por Glenn Greenwald, através das reportagens do The Intercept e cobra afastamento do ministro para que seja investigado sobre as ‘mensagens secretas do Caso Lava Jato’.

Senador Jaques Wagner critica Sérgio Moro por tentar desqualificar jornalismo investigativo realizado por Glenn Greenwald, através das reportagens do The Intercept e cobra afastamento do ministro para que seja investigado sobre as ‘mensagens secretas do Caso Lava Jato’.

Durante audiência pública da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado ocorrida nesta quarta-feira (19/06/2019), o senador Jaques Wagner (PP-BA) criticou severamente o depoimento de Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Bolsonaro, por tentar desqualificar o trabalho do jornalismo investigativo realizado por Glenn Greenwald, através das reportagens publicadas no The Intercept Brasil e cobrou explicações sobre o indício de conluio entre o então juiz Moro e membros do Ministério Público Federal (MPF), encarregados do Caso Lava Jato.

Tomando a crítica de Sérgio Moro sobre o sensacionalismo em torno das ‘mensagens secretas do Caso Lava Jato’, Jaques Wagner questionou:

— Foi uma medida sensacionalista divulgar as conversas privadas da presidente Dilma Rousseff?

— É sensacionalismo colocar no pelourinho a dignidade das pessoas, cujos processos deveriam ser mantidos sob sigilo?

Na sequência, o senador ponderou que seria oportuno que Sérgio Moro pedisse afastamento ou renunciasse ao cargo de Ministro da Justiça, observando que caso ocorra uma investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ou pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ela será realizada pela Polícia Federal e como chefe da polícia é inconveniente que permaneça no caso.

“O ministro Sérgio Moro deveria pedir afastamento do cargo para tentar responder, sem parecer que usa a condição de ministro da Justiça para se proteger”, disse Jaques Wagner e concluiu, “o combate a corrupção é pré-requisito a qualquer um que esteja na vida pública”, fazendo referência ao fato do ministro usar isso como argumento de autodefesa.

Sérgio Moro responde

Ao responder os questionamentos, Sérgio Moro reiterou que as reportagens eram sensacionalistas, tergiversou sobre a autenticidade das mensagens, afirmando que “a gente não sabe se elas são autênticas ou não”, repetiu a tese sobre “o incrível escândalo que encolheu” e tentou minimizar as mensagens dizendo que não continham nada de ilícito.

Observa-se que embora afirmasse que não iria criticar o jornalista e o site, as recorrentes críticas ao jornalismo investigativo expressas pelo ministro Sérgio Moro evidencia uma mentira discursiva.

Quanto a legalidade das mensagens, a recorrência e frequência da troca de informações com membros do MPF violou o Devido Processo Legal e os princípios da neutralidade e imparcialidade do juiz natural na analise e julgamento das ações. Fato que comprova a reincidência de violações de diretos civis observadas no transcurso do Caso Lava Jato.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).