Representantes dos docentes da UEFS e UESB informam sobre fim greve e retorno das aulas

Vista panorâmica da Reitoria da UEFS.

Vista panorâmica da Reitoria da UEFS.

A assembleia realizada na quarta-feira (12/06/2019) aprovou o fim da greve. Os professores da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) seguem mobilizados e irão exigir que o governo assine um acordo que cumpra o que foi estabelecido anteriormente. Nesta sexta-feira (14), às 14h30, no prédio da Secretaria das Relações Institucionais (Serin), haverá reunião entre o Fórum das ADs (entidade que reúne os diretores das quatro associações docentes das universidades estaduais), a secretária das Relações Institucionais, Cibele Oliveira, e outros gestores públicos. A expectativa do movimento docente é que, a partir desta data, sejam instaladas mesas de negociação permanentes e quinzenais, conquistadas junto ao governo. Foram 156 votos a favor do término da greve, 11 contrários e seis abstenções.

“A minuta do termo de acordo enviado pelo governo difere do que foi estabelecido nas reuniões com o Fórum das ADs. É preciso que o termo tenha como base a ata da reunião assinada na última segunda (10)”, disse o diretor da Associação dos Docentes da Uefs (Adufs), Haroldo Benatti.

Durante a assembleia, os professores indicaram o retorno às aulas na próxima segunda-feira (17). O Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade (Consepe) irá reunir-se nesta segunda-feira (17) para definir o novo calendário acadêmico.

O esforço das diretorias das associações docentes em chegar a um acordo sobre a pauta 2019, ao longo dos 65 dias de greve, foi intenso, mas a intransigência dos gestores públicos impediu o avanço das negociações e retardaram o término do movimento paredista.

Mesa de negociação

A diretoria da Adufs entende que a greve teve ganhos políticos, já que, somente por conta da cobrança da categoria, o governo Rui Costa concordou com o envio de um projeto de lei à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) que garante 900 promoções para os docentes; com a instalação de mesas de negociação permanentes em até 72 horas após o término do movimento paredista para a discussão dos demais itens da pauta de reivindicações dos professores; e com a destinação de R$ 36 milhões para investimento das quatro universidades. Até antes da greve, essas propostas sequer tinham sido sinalizadas pelos gestores públicos.

André Uzêda, também diretor da Adufs, afirma que “arrancamos do governo Rui Costa recursos financeiros para as universidades, o diálogo durante a greve e uma parte dos direitos trabalhistas”. Desde a vitoriosa greve de 2015, o governo não recebia os professores para discutir as reivindicações. Ainda conforme Uzêda, “nas mesas de negociação também informaremos ao governo a nossa insatisfação com o escalonamento sugerido para o pagamento dos salários, cortados arbitrariamente durante a greve. É preciso que o governo pague o vencimento integral do mês de junho; garanta o mês de maio junto com julho, após a apresentação do plano de reposição das aulas e, na sequência, pague os dias do mês de abril, conforme consta na ata”. O Fórum das ADs tencionará para reduzir esse escalonamento.

Outros encaminhamentos da assembleia

Além de decidir sobre o movimento paredista, os professores da Uefs aprovaram os seguintes encaminhamentos: transformar o Comando de Greve em Comando de Mobilização; continuar a campanha de mídia; produzir um memorial da greve; propor data para a realização de uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores e mover uma ação judicial contra o RH Bahia.

Ainda foi aprovada a reativação dos Grupos de Trabalho (GTs) existentes e a composição de novos GTs; a reativação do Conselho de Representantes; a realização de seminários temáticos após a greve, mais a mobilização para o ato e a Greve Geral do dia 14 de junho.

Greve é concluída na UESB e professores cobram novo termo de acordo

A greve na Universidade Estadual da Bahia (UESB) foi encerrada. A decisão foi tomada pela assembleia da categoria, realizada no dia 12 de junho. Os docentes avaliaram que a greve, iniciada há mais de 60 dias, deve ser finalizada, mas discordaram do termo de acordo enviado pelo governo na noite do dia 11 de junho, pois possui divergências em relação ao que foi combinado anteriormente. Os professores estarão à disposição da Universidade a partir da quinta-feira (17). Assembleia indicou o retorno às aulas na segunda-feira (17). Caberá ao Conselho Superior e Reitoria da UESB definir o novo calendário acadêmico.

“O termo de acordo enviado pelo governo ontem à noite não espelha aquilo que foi firmado entre o movimento docente e o governo nas últimas reuniões. A proposta de termo de acordo tem mais elementos prejudiciais ao movimento docente, daí o encaminhamento de fechar um termo de acordo tendo a ata aprovada na reunião do dia 10 como referência para o termo de acordo, que foi uma exigência da categoria”, conta o vice-presidente da Associação dos Docentes da UESB (ADUSB), Alexandre Galvão.

Professores e estudantes das Universidades Estaduais da Bahia acamparam de 4 a 6 de junho na Secretaria de Educação, em Salvador, para cobrar avanços na negociação. Como fruto da mobilização, uma série de reuniões foram realizadas com o governo Rui Costa. No dia 10 de junho, uma ata foi aprovada com os pontos em que foi possível chegar a um entendimento. O movimento docente apontou a necessidade de um termo de acordo a ser apreciado em assembleia, responsável por definir os rumos do movimento. Contudo, o documento enviado pelo governo foi considerado problemático pela categoria.  O termo não estabelece prazos para que o governo cumpra com sua parte no acordo, a não ser a abertura da mesa de negociação. Além disso, impõe que o movimento não faça reivindicações até 2020, a “cláusula da mordaça”.

Depois de mais de 60 dias de greve, os professores da UESB avaliaram que buscaram de todas as formas arrancar o atendimento da pauta de reivindicações, mas o governo se mostrou extremamente inflexível. “O governo a todo momento se mostrou intransigente e truculento. Apesar disso, mostramos nossa disposição para luta, para enfrentar a política de Rui Costa, que ataca as universidades e o serviço público baiano. Conquistamos parte dos direitos trabalhistas, recursos para as Universidades e arrancamos a abertura do diálogo ainda em greve, pois há quatro anos o governo não nos recebia”, ressaltou Soraya Adorno, presidente da ADUSB.

A categoria entendeu que é preciso encerrar a greve para aglutinar forças e fortalecer a mesa de negociação permanente, que será instalada 72h, após o término da greve. Os professores levarão ao governo a insatisfação com a proposta de escalonamento do pagamento dos salários cortados e a cobrança da retirada das faltas aplicadas pelo governo referente aos dias de greve. A Secretaria de Relações Institucionais indicou a primeira reunião da mesa para o dia 13 de junho.

Docentes da UESB deliberam pelo fim da greve.

Docentes da UESB deliberam pelo fim da greve.

Após o fim da greve, envio de projeto de lei que permita a promoção de até 900 promoções.

Liberação de R$ 36 milhões para o orçamento de investimento das quatro Universidades Estaduais.

Instalação da mesa de negociação permanente em até 72h para discussão das demais reivindicações docentes.

Publicidade

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Faça uma doação ao JGB

Perfil do Autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]