Presidente da Petrobras defende venda de refinarias e foco na exploração do petróleo

Em audiência na Câmara dos Deputados, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, se mostrou favorável ao fim do monopólio da empresa e disse que aumento da produção pode impulsionar retomada do crescimento. Reunião ocorreu nesta terça-feira (11/06/ 2019).

Em audiência na Câmara dos Deputados, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, se mostrou favorável ao fim do monopólio da empresa e disse que aumento da produção pode impulsionar retomada do crescimento.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, defendeu nesta terça-feira (11/06/2019), na Câmara dos Deputados, a venda de refinarias para focar o investimento em áreas que disse ser a vocação da estatal. “O melhor da Petrobras é a exploração de petróleo em águas profundas e ultrapofundas. A Petrobras possui capital humano altamente qualificado, possuímos os melhores engenheiros e tecnologia. O mesmo não acontece em campos maduros de petróleo, em terra e em águas rasas”, comparou. Segundo ele, não se trata de um “desmonte”, mas de “gestão de portfólio”. “É necessário tirar ativos que não são tão rentáveis e investir naqueles que trazem maior retorno”, reforçou.

Castello Branco considerou pouco usual a Petrobras deter 98% da capacidade de refino no Brasil e defendeu a concorrência no setor. “Eu não gosto de solidão nos mercados, eu gosto de companhia. Com mais competição, vamos ter mais valor e preços mais baixos”, disse.

Como problema do monopólio, o presidente citou o recente caso de falta de gasolina de aviação no Brasil, usada em aviões agrícolas e aeronaves de pequeno porte. A única refinaria da Petrobras, em Cubatão (SP), entrou em manutenção e, ao mesmo tempo, houve um problema na importação do combustível, o que causou sua falta. “Isso não se verificaria se nós tivéssemos competição no Brasil. A Petrobras certamente não seria o único fornecedor de gasolina de aviação.”

O presidente participou de audiência pública na Comissão de Minas e Energia, a pedido dos deputados Padre João (PT-MG), José Nelto (Pode-GO), Altineu Côrtes (PL-RJ), Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), Christino Aureo (PP-RJ) e Léo Moraes (Pode-RO). Os parlamentares queriam informações sobre as diversas áreas de atuação da estatal e esclarecimentos sobre a fixação dos preços dos combustíveis no País.

Redução de receitas

Na opinião do deputado Padre João, o governo de Jair Bolsonaro planeja para a Petrobras uma estratégia submissa aos interesses financeiros internacionais, concentrando as atividades no petróleo cru. “Por que o governo insiste em negar que o petróleo ainda é central na geopolítica mundial? Por que executa ações imediatistas para reduzir o endividamento da empresa, mas comprometendo a empresa a médio e longo prazo, reduzindo receitas e ativos?”, questionou. Ele acrescentou que as grandes petrolíferas do mundo procuram diversificar suas atividades.

Castello Branco respondeu que países como Noruega e Estados Unidos se desenvolveram graças a seus recursos naturais e afirmou que ninguém que esteja endividado consegue ir muito à frente. Conforme lembrou, a dívida da Petrobras hoje é de 106 bilhões de dólares, o dobro da média do endividamento das dez maiores empresas de petróleo do mundo. “Nós pagamos por ano quase 7 bilhões de dólares de juros. Em lugar de pagar juros, poderíamos investir na instalação de um sistema para produção de 150 mil barris diários de petróleo”, apostou. A produção de petróleo, disse ainda, está estagnada há dez anos em dois milhões de barris diários.

O deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), por sua vez, questionou como ficarão os bilhões de dólares investidos em refinarias. “Não é apenas dizer vamos sair disso, vende e acabou. Há tudo o que foi prometido e falado pelo governo anterior”, argumentou. Para o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o “descontrole absoluto” prevaleceu na direção da Petrobras, e a empresa perdeu o seu valor patrimonial. Ele quis saber que providências para ressarcimento serão adotadas.

Castello Branco criticou a corrupção na estatal e disse que agora a empresa pretende ressarcir a sociedade investindo e aumentando a produção, com geração de empregos e arrecadação. “Vamos ver se a gente entrega para os cofres públicos algo superior a 200 bilhões de reais.”

Preço dos combustíveis

Sobre o preço de combustíveis no Brasil, Roberto Castello Branco disse que a Petrobras vem fazendo o possível para manter os valores conforme o que é praticado internacionalmente. “[Os combustíveis] são commodities globais, dependem da oferta e da demanda global. Infelizmente está fora do nosso controle. Além dos impostos, podemos diminuir a frequência dos reajustes para não trazer incertezas para os consumidores”, listou.

A empresa é responsável por 54% do preço na bomba no caso do diesel, 33% na gasolina e 38% no gás de cozinha. O preço final varia ainda conforme o ICMS cobrado em cada estado e outros tributos, entre outros fatores. “Às vezes, a Petrobras reduz o preço na refinaria, mas isso não se reflete na bomba”, disse Castello Branco.

Caminhoneiros

Na audiência, Roberto Castello Branco também comentou a situação dos caminhoneiros, que reclamam, por exemplo, do preço do diesel. O presidente da Petrobras reconheceu que a situação do setor não é boa e deve-se, entre outras causas, ao aumento da frota de caminhões em 47,3% entre 2008 e 2017. No mesmo período o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 10%. “Se a frota cresceu mais que a atividade econômica, houve um desequilíbrio. Tem muito caminhão batendo lata nas estradas”, disse.

No que diz respeito ao setor, Castello Branco lembrou que a Petrobras acabou com o sistema de reajuste diário do diesel, vigente até pouco tempo atrás. Agora o aumento de preços se dá com maior espaçamento, nunca menor que 15 dias. “Lançamos também o cartão do caminhoneiro. É um cartão com o qual o caminhoneiro pode ir ao posto da BR e adquirir litros de diesel, e os preços não vão mudar durante 30 dias. Se ele notar que o preço está caindo, ele pode converter os litros de volta em reais”, explicou o presidente.

*Com informações da Agência Câmara.

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