Jornal Gazeta do Povo destaca liderança do governador Rui Costa e projeta como potencial candidato do PT à presidente da República; Veículo de comunicação tem sede em Curitiba

Reportagem de Olavo Soares, com título ‘De ‘poste’ a possível presidenciável: o homem que pode ser o novo nome nacional do PT’, publicada no Jornal Gazeta do Povo, destaca trajetória de Rui Costa, governador da Bahia.

Reportagem de Olavo Soares, com título ‘De ‘poste’ a possível presidenciável: o homem que pode ser o novo nome nacional do PT’, publicada no Jornal Gazeta do Povo, destaca trajetória de Rui Costa, governador da Bahia.

Com sede em Curitiba, Paraná, o Jornal Gazeta do Povo publicou neste sábado (15/05/2019) ampla reportagem sobre a atuação do governador Rui Costa no comando do Estado da Bahia, projetando o petista como um potencial candidato à presidente da República.

“Costa vem, lentamente, se movimentando para ser considerado pelo PT uma opção para as eleições de 2022. O partido perdeu a disputa no ano passado com Fernando Haddad e o ex-prefeito de São Paulo é visto por alguns integrantes da sigla como um nome natural para uma nova candidatura, mas o gestor da Bahia pode ser uma alternativa justamente por representar a região do Brasil em que o PT teve sua melhor votação”, pontua reportagem de Olavo Soares, do Gazeta do Povo.

Personalidade e Trajetória

Atributos não faltam a Rui Costa como gestor e político carismático. O governante é oriundo da periferia de Salvador, mas a família tem ancestralidade no interior do estado, na bucólica São Gonçalo dos Campos, terra do fumo e da farinha, povo de intensa tradição católica, fundada na colaboração comunitária.

Esses elementos estão inscritos na personalidade de Rui Costa, cuja trajetória sindical, alinhada a formação no campo das ciências sociais e da economia permitiram que executasse no primeiro mandato de governador, de 2015 a 2018, um das mais exitosas gestões do Estado da Bahia, fato comprovado pela estupenda aprovação obtida no pleito eleitoral de 2018, quando foram conferidos 75,50% dos votos válidos, totalizando 5.096.062 votos, sendo avaliada como a maior aprovação da história da Bahia concedida a um governante e uma das mais elevadas do país.

O economista Rui Costa assumiu o primeiro cargo público em 2004, sendo o vereador mais votado do PT de Salvador, com 8.901 votos. Mas, antes, atuou como líder sindical no Polo Petroquímico de Camaçari e é fundador da PT da Bahia. Em 2010, foi eleito deputado federal. Na sequência, se licencia do mandato para, entre 2007-2011, atuar no Governo Wagner, na função de secretário estadual de Relações Institucionais e de 2012 a 2014 como chefe da Casa Civil. Em 2014 é eleito governador da Bahia, no primeiro turno, com 3,5 milhões de votos, cerca de 70% dos votos válidos.

Rui Costa tem 56 anos, é casado com a enfermeira Aline Peixoto e tem quatro filhos. Além de governar a Bahia, ele é presidente do Consórcio do Nordeste, instituição formada através da união regional dos Estados do Nordeste.

Confira a reportagem de Olavo Soares, com título ‘De ‘poste’ a possível presidenciável: o homem que pode ser o novo nome nacional do PT’, publicada no Jornal Gazeta do Povo

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), foi alvo de um boato na internet no início do ano. Uma fala em que ele sugeria a união dos estados do Nordeste para o combate a problemas comuns foi divulgada nas redes sociais com uma legenda falsa, para dizer que estava se declarando “presidente do Nordeste” e desafiando os então recém-empossados Jair Bolsonaro e Sérgio Moro.

“Presidente do Nordeste” é mentira. Mas presidente da República, quem sabe. Costa vem, lentamente, se movimentando para ser considerado pelo PT uma opção para as eleições de 2022. O partido perdeu a disputa no ano passado com Fernando Haddad e o ex-prefeito de São Paulo é visto por alguns integrantes da sigla como um nome natural para uma nova candidatura, mas o gestor da Bahia pode ser uma alternativa justamente por representar a região do Brasil em que o PT teve sua melhor votação.

Em seus perfis nas redes sociais, Costa já é chamado de “futuro presidente” por eleitores e se vê obrigado a dar respostas protocolares, do tipo “no momento, estamos focados no trabalho pelo desenvolvimento da Bahia e defesa do Nordeste”. O parecer é o mesmo do presidente do PT da Bahia, Everaldo Assunção: “Como petista e como baiano, essa lembrança nos entusiasma. Mas estamos com o pé no chão. O foco do governador não é isso agora. Essa não é a pauta dele e nem do PT”.

Virada surpreendente numa eleição, massacre na outra

Costa chegou ao governo da Bahia após vencer a eleição de modo surpreendente em 2014. Na ocasião, permaneceu a maior parte da corrida eleitoral atrás de Paulo Souto (DEM). Era chamado de “poste de Jaques Wagner”, por ter sido secretário do então governador e por ele escolhido para disputar a eleição. A virada veio e, com ela, o PT assegurou o terceiro triunfo consecutivo no estado. Em 2018, Costa nadou de braçada e se reelegeu com mais de 75% dos votos.

Hoje, o petista conta com o aval da população do estado – sua aprovação é de 68%, segundo levantamento de fevereiro do Paraná Pesquisas. “O governador conseguiu manter uma base de apoio política de centro-esquerda e também atuar com muita eficiência na gestão. Essa combinação criou uma relação forte de apoio e simpatia da sociedade baiana”, disse Anunciação.

A popularidade de Costa impulsionou as outras candidaturas locais do seu partido nas eleições de 2018. O PT foi quem mais fez deputados estaduais e federais. Também faturou uma vaga no senado, com o mesmo Jaques Wagner que, quatro anos antes, se colocava na posição de mentor da coligação.

Wagner foi um dos nomes considerados pelo PT para substituir Lula na corrida presidencial de 2018, mas a legenda acabou optando por Fernando Haddad.

Novas estratégias

Rui mantém suas redes sociais sempre atualizadas e busca responder com frequência os seguidores. Recentemente, em resposta a notícias sobre cortes de recursos a universidades, postou um gráfico que apontava a Bahia como um dos estados que mais investia em educação superior no Brasil. Seus perfis também aderem a modismos típicos das redes, como o “#tbt”, hábito de postar às quintas-feiras imagens do passado, e memes.

O uso das redes sociais é imprescindível na luta de Rui contra seus adversários políticos – até porque a Bahia, assim como o restante do Brasil, viu o nascimento de novas forças. O estado sempre teve como principais antagonistas o PT e um grupo de centro-direita cujo líder atual é o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Mas a ascensão do bolsonarismo após a eleição de 2018 sacudiu o jogo.

“Na conjuntura atual o PSL [partido de Bolsonaro] é a principal referência de oposição. Mesmo com o Bolsonaro não vencendo as eleições aqui na Bahia, a chegada dele ao poder fortalece o partido no estado”, afirmou o presidente do PT baiano. O PSL elegeu uma deputada federal e dois deputados estaduais na eleição do ano passado.

A deputada federal do PSL-BA Dayane Pimentel frequentemente critica a atuação de Costa e na audiência da Câmara com o ministro Abraham Weintraub (Educação) contestou os parlamentares adversários: “O que não dá é ouvir deputados federais que defendem o governo petista da Bahia, que faz atrocidades com os professores, reclamarem que o senhor [Weintraub] está sendo um pouquinho duro. Vão resolver primeiro os problemas estaduais que depois falamos de modo geral”.

Outro segmento que desponta como adversário local para o PT é o evangélico. O deputado estadual Pastor Isidório Filho (Avante) é pré-candidato à prefeitura de Salvador. Ele e seu pai, o deputado federal Sargento Isidório (Avante), foram os mais votados para seus cargos na eleição de 2018.

Nacionalizando o discurso

Para romper as barreiras estaduais, Rui Costa tem nacionalizado algumas de suas falas. Em abril, disse que a educação no país passa por um apagão e que o Brasil passava por vexames na esfera internacional.

Costa também é um dos líderes do consórcio de governadores do Nordeste, lançado em março. O grupo de gestores ganhou relevância não apenas pela defesa de causas comuns da região, mas também pelo componente político – como o Nordeste foi o local do país em que Haddad teve sua melhor votação em 2018, o consórcio se firmaria como um “bunker” anti-Bolsonaro. Não à toa, o combate à reforma da Previdência foi uma das pautas citadas no documento de lançamento do grupo.

No consórcio, Costa tem a companhia do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Assim como o petista, o comunista foi eleito em 2014 e reeleito no primeiro turno em 2018. Ambos guardam semelhança ainda por fazerem governos populares em seus estados e por figurarem em especulações para a próxima disputa presidencial.

“Ele teve uma vitória estupenda e faz um trabalho que o credencia a alçar voos e se colocar à disposição das forças políticas do Brasil, seja qual for o projeto”, afirmou em março a presidente do PCdoB, vice-governadora Luciana Santos (PE), à Gazeta do Povo.

Capital, a pedra no sapato

Antes de pensar em triunfar no país, entretanto, Rui Costa precisaria ter forças para ganhar um jogo dentro de sua própria casa: Salvador, a capital do seu estado. A popularidade do atual governador e de Jaques Wagner não levou o PT a vencer na cidade.

Assim como ocorreu com Rui Costa, na capital o prefeito ACM Neto foi reeleito com facilidade. Ele venceu a disputa em 2016 com mais de 73% dos votos válidos.

Neto não poderá se candidatar à reeleição em 2020 e é citado como nome “natural” na disputa pelo governo do estado em 2022. A expectativa anterior era de que ele encarasse a busca pelo governo já em 2018, mas brigar com Rui Costa, na ocasião, parecia um desafio difícil de ser superado.

Governador Rui Costa associa liderança carismática e competência administrativa.

Governador Rui Costa associa liderança carismática e competência administrativa.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).